Foden tenta reagir em meio a seca rara e vê vaga na Inglaterra ficar ameaçada
Em jejum de gols e com menos espaço no Manchester City, Phil Foden vive uma das fases mais difíceis da carreira. A disputa por vaga na Inglaterra ficou ainda mais dura antes da Copa do Mundo.

Phil Foden atravessa um dos momentos mais delicados da carreira. Segundo análise do jornal britânico The Times, o meia-atacante do Manchester City vê sua situação na disputa por uma vaga na lista da Inglaterra para a Copa do Mundo ficar cada vez mais complicada.
Após o Manchester City vencer o Southampton na semifinal da Copa da Inglaterra e garantir vaga na decisão, Pep Guardiola deu três dias de folga ao elenco. A orientação do treinador foi clara: os jogadores deveriam se afastar um pouco do futebol, descansar a mente e recuperar energia para a reta final da temporada.
Guardiola, no entanto, não seguiu o próprio conselho. Durante o período de descanso, o técnico acompanhou Manchester United x Brentford, Stockport County x Port Vale e ainda reviu, depois, o duelo entre Paris Saint-Germain e Bayern de Munique. Mesmo longe dos treinos, o espanhol continuou totalmente conectado ao jogo.
Foden também não parou. Enquanto boa parte do elenco aproveitava a folga, o camisa inglês manteve uma rotina de trabalho individual com um treinador particular. O jogador realizou sessões específicas de técnica e ainda publicou vídeos do treino nas redes sociais, em uma tentativa clara de mostrar dedicação e resposta ao momento ruim.
A postura não surpreende quem acompanha Foden de perto. Desde muito jovem, o jogador sempre foi descrito como alguém obcecado por futebol. Ainda na base, costumava sair dos jogos e seguir jogando nas ruas com amigos. A bola sempre fez parte de sua rotina, dentro e fora do clube.
A diferença é que, agora, o esforço também carrega um peso simbólico. Foden tenta recuperar espaço no Manchester City, voltar a ser opção importante para Guardiola e, principalmente, proteger sua posição na Seleção Inglesa. A concorrência, porém, nunca pareceu tão forte.
Aos 25 anos, o meia vive uma seca rara. Somando jogos por clube e seleção, Foden chegou a 26 partidas consecutivas sem marcar. Para um jogador acostumado a decidir, participar de gols e desequilibrar no último terço do campo, o número chama atenção e aumenta a pressão.
O cenário na Inglaterra também não ajuda. Jude Bellingham, Cole Palmer e Morgan Rogers vivem fases mais estáveis e competitivas, enquanto Foden tenta reencontrar regularidade. Em um setor ofensivo cheio de opções, qualquer queda de rendimento pode custar caro na briga por convocação.
No auge, Foden reunia talento, criatividade e capacidade de decisão suficientes para competir em igualdade com qualquer um dos nomes da nova geração inglesa. Mas lesões recorrentes no tornozelo, problemas físicos e questões fora de campo afetaram sua confiança nas últimas temporadas. A leveza que sempre marcou seu jogo perdeu força.
A temporada do jogador tem sido marcada por oscilações. No Mundial de Clubes, Foden chegou a apresentar bons números, com três gols e uma assistência. Em novembro, também viveu um breve período positivo, marcando em quatro rodadas consecutivas da Premier League. O bom momento, porém, durou pouco.
A chegada de Rayan Cherki reduziu ainda mais seu espaço. O francês, contratado por 34 milhões de libras, cresceu de produção na segunda metade da temporada e passou a ganhar a confiança de Guardiola. Nos últimos cinco jogos, somou um gol e três assistências, desempenho suficiente para se firmar como peça importante no time.
Guardiola, inclusive, elogiou recentemente Cherki não apenas pela qualidade técnica, mas também por outros atributos físicos e competitivos. O francês ganhou terreno, assumiu protagonismo e deve ser titular nas rodadas finais da Premier League.
Para Foden, o cenário ficou apertado. Desde que foi substituído no intervalo do clássico contra o Manchester United, em janeiro, o jogador teve apenas duas oportunidades como titular na liga. Nas últimas 24 partidas pelo Manchester City, não marcou gols e deu apenas uma assistência.
Ainda resta uma possibilidade importante: a final da Copa da Inglaterra. A partida pode representar uma chance para Foden recuperar espaço, mostrar resposta em jogo grande e lembrar por que foi considerado, por tanto tempo, uma das maiores joias do futebol inglês.
Guardiola segue tentando blindar o jogador. Publicamente, o técnico já deixou claro que confia em Foden e acredita que a má fase é passageira. Para o treinador, o caminho passa por trabalho, paciência e continuidade.
O problema é que o tempo começa a pesar. Com a Inglaterra observando cada detalhe antes da Copa do Mundo e com o Manchester City chegando aos jogos decisivos da temporada, Foden precisa transformar dedicação em desempenho. Caso contrário, uma vaga que antes parecia natural pode se tornar uma das grandes dúvidas da convocação inglesa.

Autor
Lucas Oliveira
Redator sênior
Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Popbola, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.
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