City tropeça, perde o controle da corrida e vê o Arsenal mais perto do título inglês

Empate por 3 a 3 com o Everton deixou o Manchester City cinco pontos atrás do Arsenal, mesmo com um jogo a menos. Time de Guardiola ainda está vivo, mas deixou a briga pelo título fugir do próprio controle.

Por Lucas Oliveira4 min read
City tropeça, perde o controle da corrida e vê o Arsenal mais perto do título inglês

O Manchester City ainda não está fora da briga pelo título da Premier League, mas o empate por 3 a 3 com o Everton teve gosto de oportunidade desperdiçada. Pela 35ª rodada, a equipe de Pep Guardiola deixou pontos pelo caminho e passou a ver o Arsenal mais confortável na liderança.

Com um jogo a menos, o City está cinco pontos atrás dos Gunners. A matemática ainda permite reação, mas a sensação, segundo análise do jornal inglês iNews, é de que o atual campeão colocou nas mãos do Arsenal uma corrida que parecia feita sob medida para sua frieza competitiva.

A disputa desta temporada fugiu da lógica comum. Não basta apenas vencer. Cada gol pode pesar, cada saldo pode decidir, e isso transforma o jogo em um cálculo permanente: acelerar para buscar mais dois gols ou controlar o resultado para não correr o risco de perder tudo?

Foi exatamente esse tipo de tensão que pareceu afetar o Manchester City. Nos primeiros 20 minutos, o time dominou completamente o campo ofensivo. Foram 98 passes no terço final, contra apenas três do Everton. A pressão era forte, a posse era absoluta, mas o gol demorou a sair.

Quando Doku finalmente abriu o placar, o City parecia encaminhar mais uma daquelas vitórias de controle total. O detalhe é que, mesmo vencendo, o time ainda seguia atrás do Arsenal no saldo de gols. E a partir daí a partida começou a mudar.

A busca por ampliar a vantagem aparentemente mexeu com a cabeça da equipe. O meio-campo abriu espaços grandes demais, a defesa passou a ser exposta com facilidade e o Everton encontrou caminhos que não deveria encontrar contra um time do nível do City.

Ndiaye e Hall tiveram oportunidades claras. Donnarumma precisou salvar primeiro em finalização perigosa e depois cortar uma bola que poderia chegar a Beto. Naquele momento, a pergunta era inevitável: por que o Manchester City, acostumado a controlar esse tipo de jogo, simplesmente não baixou a rotação e retomou o comando?

O Everton também fez sua parte para tirar o adversário da zona de conforto. A equipe apostou em contato físico, faltas duras e muita intensidade. Keane entrou forte em Doku e escapou de punição mais pesada. Beto também cometeu uma falta clara em Guéhi, em um lance que gerou reclamações e preocupação dos jogadores do City.

A atmosfera no estádio aumentou ainda mais o caos. A torcida do Everton vaiou praticamente cada marcação contra sua equipe, mesmo em faltas evidentes. O clima de indignação artificial foi crescendo: reclamação por lateral, por dividida, por bola no rosto e até por pedidos improváveis de toque de mão.

Esse ambiente pareceu contaminar o Manchester City. Um time conhecido pela calma, pela paciência e pela precisão passou a jogar de forma apressada. Sete jogadores avançavam ao mesmo tempo, a defesa ficou exposta e erros simples começaram a aparecer em sequência.

Houve passe errado de nível incomum, tomada de decisão precipitada e até recuo desastroso de zagueiro experiente. Para uma equipe que construiu sua era de domínio justamente em cima do controle emocional, foi uma atuação estranhamente nervosa.

Ainda assim, o City mostrou força para reagir. A postura no segundo tempo deixou claro que o grupo não desistiu da Premier League. Quando Doku marcou o segundo, até Donnarumma apareceu avançado no campo ofensivo, como símbolo de uma equipe que ainda lutava por cada metro.

O problema é que a reação não apagou o estrago. O Manchester City segue vivo, mas já não depende apenas de si. E essa é a grande diferença. Em outros anos, a reta final da Premier League parecia território natural para a máquina de Guardiola: ritmo implacável, vitórias em sequência e adversários pressionados pelo peso da perseguição.

Desta vez, o roteiro se inverteu. Quem parece mais perto de controlar o próprio destino é o Arsenal. Com três vitórias, os Gunners podem confirmar o título e encerrar uma corrida que, até pouco tempo atrás, ainda parecia aberta para mais uma arrancada do City.

A temporada, claro, ainda pode reservar novas viradas. Esta Premier League já mostrou que previsões conservadoras envelhecem mal. Mas o tropeço contra o Everton deixou uma imagem forte: o Manchester City, acostumado a ser a máquina fria das decisões, entrou no jogo psicológico da disputa e perdeu parte do controle que sempre o tornou tão temido.

Lucas Oliveira

Autor

Lucas Oliveira

Redator sênior

Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Popbola, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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