Eurico e o futebol de hoje

Eurico e o futebol de hoje

Dirigente atraiu amor, ódio e foi vencido pelo tempo

Eu odiava Eurico Miranda..

Odiava porque era arrogante, prepotente e se achava melhor que os outros. Era o tipo de pessoa que não inspirava confiança, esteve por trás das piores páginas do futebol brasileiro nas últimas décadas e na decadência do futebol carioca. Odiava porque não mostrava respeito aos adversários, provocava, espezinhava e assim aumentou o ódio e a violência entre as torcidas. Era capaz de dizer besteiras como comparar o Flamengo ao câncer e mostrar desumanidade como com os torcedores caídos em São Januário na final contra o São Caetano.

Eu amava Eurico Miranda..

Amava porque era arrogante, prepotente, se achava melhor que os outros e era. Conhecia os regulamentos como ninguém, raposa velha sempre enxergava na frente dos outros. Era o tipo que inspirava confiança em jogadores e funcionários. Esteve por trás de algumas páginas das mais sensacionais do futebol brasileiro como colocar a logo do SBT em camisa na final de brasileiro e em grandes momentos do futebol carioca como as finais contra o Flamengo. Amava porque não era politicamente correto e zoava, brincava, estimulava a rivalidade entre torcidas. Foi capaz de transformar o Vasco no maior rival do Flamengo superando o Fluminense, foi responsável por algumas das maiores conquista da história do Vasco e teve momentos de humanidade como o carinho que sempre tratou a escola que funciona no clube que ajuda a formar cidadãos.

Com praticamente os mesmos argumentos disse porque odiava e amava Eurico. É, ele era assim. Capaz de provocar amor, ódio e algumas vezes até da mesma pessoa ao mesmo tempo. Eurico foi vencedor, como eu disse alguns dos maiores títulos do Vasco foram em sua passagem como vice de futebol. Eurico foi fracassado. O Vasco começou a decair em sua gestão como presidente, ali surgiu uma imensa dívida, o outrora clube do povo se tornou uma ditadura e virou chacota como o caso da Sibéria. Podia-se amar o odiar Eurico Miranda, só não dava para ficar imune.

Eurico está morto e com ele um estilo de dirigentes de futebol. Hoje dirigente é “empresário”, “manager”, temos vários presidentes de clube engomadinhos que entendem nada de futebol e entregam os mesmos a gestores, algumas vezes ex-jogadores de futebol.

São melhores? São piores? São diferentes. O mundo mudou, o futebol mudou e a última passagem de Eurico como presidente do Vasco mostrou o quanto ele estava ultrapassado, mas deixou sua marca no futebol, sem dúvidas. Não dá para ignorar Eurico Miranda na história do futebol brasileiro, carioca e, principalmente do Vasco. Numa era em que o imediatismo sobressai e a cada domingo é eleito um novo melhor jogador de futebol do mundo de todos os tempos é preciso preservar a história. Eurico está na história assim como Coutinho, o lendário jogador do Santos que faleceu também semana passada.

Alguns choraram a morte de Eurico, outros comemoraram, alguns consideram Eurico um Deus, outros diabo. Eurico não era uma coisa nem outra, era um ser humano com virtudes e defeitos como todos.

Vai fazer falta..

A Sibéria nunca mais será a mesma

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Comentarista ou torcedor?

Comentarista ou torcedor?

Edmundo precisa se decidir

A brincadeira de postar #Vasco aleatoriamente no Facebook foi o sucesso dos últimos dias na Grande Rede. Parabéns ao ex-jogador e atual comentarista Edmundo. Ele conseguiu mobilizar a torcida cruzmaltina, embalada pelo título invicto da Taça Guanabara. O animal continuou a brincadeira, dizendo que os vascaínos deveriam replicar São Januário quando os rubro-negros respondessem aos posts #Vasco. É a maneira de cutucar o rival que não tem estádio próprio. O que seria do futebol sem a zoeira? Um joguinho cerebral em que 22 seres humanos querem colocar a bola com os pés num retângulo de 2,44 m X 7,32m.

Exerço minha profissão há 22 anos. Nunca escondi meu time. Na verdade, uma vez escondi. Estava na porta de São Januário no dia 22 de dezembro de 2000, aguardando a chegada do time que acabara de vencer a Copa Mercosul numa virada histórica sobre o Palmeiras. Realmente, no meio da torcida vascaína não era um lugar seguro para que as pessoas soubessem a paixão que me movia no futebol.

Mas voltando ao fato de não esconder o time, acho que não há problema mesmo. Minha questão com a brincadeira de Edmundo não é o fato dele torcer, mas sim a insinuação sobre a falta de estádio do Flamengo. Isso pode inviabilizar, por exemplo, a escalação dele em jogos do Rubro-Negro. A partir de agora sempre haverá suspeita que suas análises serão influenciadas por dar a entender que não gosta do Flamengo.

Talvez Edmundo do devesse observar a conduta de Junior. Um ídolo muito mais identificado com o Rubro-Negro do que o Animal com o Vasco. Afinal, a única camisa que o Maestro defendeu no Brasil foi a do Flamengo. Mesmo assim, ele não faz qualquer referência pejorativa aos outros clubes. Logo, ele pode ser escalado num jogo do Vasco sem tanta rejeição.

Juninho Pernambucano, outro ídolo vascaíno, andou escorregando ao dizer que a torcida do Flamengo era preconceituosa com Renê porque o lateral é nordestino. Levou uma saraivada de críticas. Ou seja, Juninho deixou a rivalidade da época do campo campo atrapalhasse seu julgamento. Ele generalizou e escorregou feio

Edmundo foi um dos grandes jogadores que vi atuar. Sua temporada em 1997 se acontecesse na Europa. Provavelmente, o credenciaria a disputar o título de melhor do mundo. No entanto, fora de campo não é o melhor exemplo a ser seguido. Edmundo agora é comentarista, não é torcedores arquibancada. Comentarista comenta e deixa as zoações com os torcedores.

E por falar em comentar, graças a derrota do Vasco para a Cabofriense, a Taça Rio pode ser classificada como festa dos pequenos. Ao fim da quarta rodada, apenas o Fluminense está na zona de classificação para as semifinais. No grupo de Flamengo e Botafogo, as primeiras colocações estão com Cabofriense e Bangu. Já o Volta Redonda tira o Vasco e faz companhia ao tricolor na classificação pra as semifinais da Taça Rio. Não há motivo para desespero, ainda faltam duas rodadas para o fim do turno. Mas que é curioso, é.

 

Por Creso Soares

Rodada dos centroavantes

Rodada dos centroavantes

Uribe, Deyverson, Damião e Maxi são decisivos na reta final

O Flamengo de Dorival Júnior é um time mais aguerrido do que o dirigido por Mauricio Barbieri. Tenho que dar o braço a torcer. Eu não era favorável à substituição do técnico. No entanto, até o momento, parece que estratégia foi eficaz.

O crescimento do time está ligado à melhora de desempenho de Vitinho. O atacante está recuperando a confiança e participou dos três gols contra o Fluminense. O rubro-negro teve uma atuação intensa e segura. Nesta rodada dos centroavantes, Uribe parece ter finalmente estreado, ao marcar dois gols contra o Fluminense.

Ao que parece, o Flamengo não está sentindo falta de Diego. No entanto, é cedo para descartar o jogador. A diretoria do Flamengo que discute a renovação do contrato do meia, deve lembrar que a venda de Paquetá desfalcará o time demais em 2019. Logo, abrir não do camisa 10 seria temerário.

Diego é um jogador experiente e de qualidade. O time de 2019 deve ser montado tendo como espinha dorsal ele, Éverton Ribeiro e Vitinho. Mesmo num momento de turbulência eleitoral, o ano que vem deve ser pensado com responsabilidade e inteligência.

O Internacional venceu o São Paulo por 3 a 1 e garantiu a vice-liderança. O destaque foi o centroavante Leandro Damião, que saiu do banco. Fez os dois primeiros gols da virada e ainda sofreu o pênalti que resultou no terceiro gol. O Inter fez 14 jogos em casa, vencendo 11 e empatando 3. O Beira-Rio talvez seja o grande destaque do Colorado.

Já o São Paulo vê o título do brasileiro se distanciar. A competição não costuma perdoar momentos de instabilidade. Cinco jogos sem vencer é muito num campeonato tão parelho. O tricolor paulista está a 7 pontos do líder, matematicamente é possível, mas na bola é muito improvável. O vencedor do primeiro turno parece que tomou uma virada e vai ficar pelo caminho.

A rodada foi muito boa para o incrível Palmeiras de Luiz Felipe Scolari. A vitória sobre o Grêmio no Pacaembu praticamente retirou os gaúchos da briga pelo título do Brasileiro.

Como escrevi na coluna anterior, o Palmeiras tem dois times igualmente eficientes. Por esse motivo, os paulistas são os favoritos para conquistar o título nacional.

O zagueiro Bressan do Grêmio vai ter pesadelos com o centroavante Deyverson. No primeiro gol, o palmeirense se antecipou e marcou. No segundo, Bressan foi aliviar com a categoria de um beque de roça. Deu um pipoco pra cima e o platinado atacante do Verdão se aproveitou, deu um drible desmoralizante e sacramentou a vitória.

A verdade é que 2018 pode ser ano da redenção de Felipão, estigmatizado por ser o técnico da pior derrota que o time da CBF já sofreu, o experiente treinador mostra que ainda tem fôlego e conhecimento para ser campeão. O Palmeiras é um time solidário, que mescla o talento de Dudu, Moisés e Bruno Henrique, com a força de vontade de Deyverson, Willian Bigode e Borja. O time corre por Felipão e isso é um grande mérito.

Na parte de baixo, o Vasco conseguiu um belo resultado em São Januário contra o Cruzeiro. Se o Vasco conseguir se livrar do rebaixamento, deverá muito ao centroavante Máxi Lopez. O argentino, mesmo longe do melhor da forma, dá alguma qualidade ao time de São Januário. Neste domingo fez um belo corta-luz para o primeiro gol de Pikachu. No segundo, recuperou a bola numa bobeira da zaga cruzeirense e fez um gol que poucos atacantes sabem fazer. Uma “chapada” em curva no cantinho do goleiro.

E depois de vermos uma Copa do Mundo em que Gabriel Jesus não marcou e que o centroavante da equipe campeã também não balançou as redes, o Brasileirão parece resgatar o papel de protagonismo desta posição no futebol.

Por Creso Soares