Brasil favorito?

Brasil favorito?

Chegou a hora de saber se o “7×1” passou

A seleção brasileira iniciou a fase de preparação para a disputa da Copa do Mundo. A maior vencedora da competição ainda carrega o trauma do último torneio. A derrota por 7×1 para Alemanha é lembrada em diversas oportunidades. Tite é o responsável pela tentativa de levar o Brasil ao sexto título. Será que o treinador conseguirá alcançar o objetivo?

Futebol é um esporte extremamente imprevisível. Contudo, o Brasil geralmente é um dos favoritos a ganhar os títulos importantes. O receio vem justamente do fator psicológico potencializado pela derrota citada no parágrafo anterior. O equilíbrio mental vai ser preponderante para que os recursos técnicos sejam utilizados de maneira benéfica pelos jogadores.

A categoria dos atletas da seleção é inegável. O entendimento tático da comissão técnica do Brasil também é acima da média. Estes fatores somados à tradição indicam que, apesar do vexame na Copa anterior, os brasileiros podem esperar um time forte e competitivo. Os adversários não têm dúvidas da capacidade do escrete canarinho.

Logicamente é impossível afirmar que o Brasil será o campeão mundial de futebol em 2018. Entretanto, a seleção tem grandes chances de triunfar na Rússia. E como o esporte é um campo fértil para as projeções, a coluna cita outras 3 equipes favoritas ao caneco: Alemanha, Espanha e França.

Um abraço!

Acho que a Alemanha não parou de fazer gol

Acho que a Alemanha não parou de fazer gol

Copa do Mundo ainda não “esquentou” a torcida brasileira

A seleção brasileira segue para a Europa. Vai para onde verdadeiramente se sente em casa. Enquanto por aqui continuamos sem saber quando tudo vai se normalizar, o time da CBF se prepara para mais uma Copa do Mundo.

Senti uma nostalgia de quando tinha um segundo time, a seleção brasileira. Hoje não é mais assim. Com o público carioca então, essa relação está cada vez mais distante. Distância que é fruto do uso político do time com a camisa amarela, que levou dois jogos para o Mineirão e nenhum para o Maracanã na última Copa.

A entrevista que o lateral Marcelo deu após o jogo do Real Madrid contra o Liverpool foi sincera e desconcertante. A repórter perguntou se agora era concentração total na Copa do Mundo. Ele respondeu “hoje, não. Vou comemorar o título com meu time”. Ele está absolutamente certo, ele joga numa seleção mundial o ano todo. A seleção brasileira é um complemento. Marcelo já ganhou quatro vezes a Champions e ganhou 4 vezes o Mundial Interclubes. Se não ganhar a Copa do Mundo é apenas um título que perdeu.

Futebol é negócio. As cifras milionárias já tiraram a inocências dessas megaempresas que vestem uniformes e vão jogar. Cada um deles tem assessor de imprensa, nutricionista, psicólogo, advogado, um staff completo para cuidar daquela “pessoa jurídica”, que duas vezes na semana, durante 90 minutos, chuta uma bola e eventualmente, faz um gol.

Aqui não vai nenhuma crítica, é apenas constatação da realidade. E desde que ditadura Teixeira-Marin-Del Nero assumiu a CBF, esse império do dinheiro entrou no futebol brasileiro e não saiu mais.

A equação Dinheiro + Esporte enriquece poucos e muda as relações sociais no mundo da bola. E tudo vira um vale-tudo dentro de campo. Jogadores se tornam cada vez mais adeptos do futebol cafajeste.

A entrada do zagueiro Sergio Ramos, do Real Madrid, em Mohamed Salah, do Liverpool, é daquelas desclassificantes. Mas tem gente que diz que é “do jogo”, “futebol é pra homem” e outras bobagens que degradam um dos esportes mais bonitos que o ser humano poderia inventar.

Como lembrou meu amigo Eugênio Leal, Sérgio Ramos não pegava nem juvenil para o Rodrigo, mais um desses zumbis metidos a malandro que acham que o futebol é o campo das trapaças. E tem gente que aplaude, que diz: “todo time do mundo quer um Sergio Ramos”, ou “Rodrigo é um grande líder”.

E nesse espírito chega o Brasil para a disputa de mais uma Copa do Mundo. A verdade é que a distância que tenho de Neymar é a mesma que guardo de Messi e Cristiano Ronaldo. Nos jogos da seleção, vou me reunir com amigos e fazer aquela festa, mas a Copa vai servir para eu tirar férias do que realmente me importa no futebol, meu time de coração.

Se o Brasil ganhar, vai ser legal. Se perder, vai ser só mais uma rotina. Nasci em 1971, de lá para cá essa será 12ª Copa. Até o momento, vi a seleção brasileira perder mais do que ganhar. São 2 vitórias e 9 perdas de título. Então, não será novidade a derrota.

A CBF está no fundo do poço da moralidade, entregue a gângsters que são condenados pela justiça, mas não entregam o poder de fato. Se vencerem a Copa, esses usurpadores de uma paixão nacional só terão ainda mais vantagens nas suas armações. E os jogadores estão lá, instrumentos da negociata. Durante um tempo servem ao esquema, quando ficam velhos, tentam esticar uma sobrevida como comentaristas, técnicos ou dirigentes, ou então, simplesmente, são jogados fora.

Mas vai começar a Copa, quem sabe quando a bola rolar, o povo se empolgue. A verdade é que está mais fácil encontrar gasolina em posto do que rua pintada para a Copa do Mundo. Acho que a Alemanha não parou de fazer gol até agora. Já deve estar 777 a 1.

Por Creso Soares

A transparência de Tite e sua trupe

A transparência de Tite e sua trupe

Credibilidade e discernimento na convocação.

Estive na convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2018. Tite chamou os 23 jogadores e concedeu entrevista coletiva. Pipocaram comentários a favor e contra alguns nomes escolhidos pelo treinador. Contudo, uma situação interessante foi perceptível: a transparência que a comissão técnica procurou mostrar ao longo das entrevistas.

Havia cerca de 300 jornalistas na sede da CBF e certamente muitos discordaram de alguns nomes convocados pelo técnico brasileiro. Mas estabeleçamos um exercício de consciência. Se um dos jornalistas fosse escolhido para assumir o lugar do treinador e convocar a própria seleção, os outros 299 concordariam? Creio que não.

Minha função não é defender ou acusar. Tento trazer uma reflexão mais abrangente a respeito do processo que envolve algo tão sério para o futebol brasileiro. Eu também deixaria de levar alguns jogadores que estarão na Copa e colocaria outros de minha preferência. Mas quem esteve assistindo jogos pelo mundo? Quem observou treinos e conversou com técnicos de diversos clubes?

Devemos discordar, mas não apontar nossas soluções como se fossem as melhores. Lembremos que Tite tem um sistema de jogo definido e conhece os jogadores que podem se encaixar em seus desenhos táticos. Portando é importante entendermos todas as variáveis para que as análises sejam coerentes.

A seleção está convocada e a Copa está chegando. Fico com as palavras do preparador físico Fábio Mahseredjihan. Ele relatou a mim que tem todas as ferramentas para que os 23 atletas cheguem no melhor das condições para a estreia. E termino com o que me disse Edu Gaspar, coordenador de seleções: “A discordância é normal e assumimos a responsabilidade. Mas a relação com a imprensa tem de ser clara”. Tem sido.

Um abraço!

Por Fabiano Bandeira, O Praça.

 

*Fotos: Lucas Figueiredo/CBF