Vai começar o carioca

Vai começar o carioca

No final do estadual que ele começa de verdade

O regulamento é confuso, a imprensa fala mal, o público na maior parte do tempo desdenha, mas a verdade é que o campeonato carioca ainda tem seu charme, sua chama e a última semana mostrou isso. Começou na quarta-feira no quentíssimo Fla x Flu onde não faltaram lances ríspidos e emoção, continuou nesse domingo com a decisão de uma Taça Rio que na racionalidade valia nada para nenhum dos dois que disputava, mas no fim valeu muito para os dois.

Valeu para o Flamengo que viu sua torcida ir para as ruas com a camisa do clube comemorar uma vitória que era pior que a derrota para efeito de campeonato, mas deu orgulho por ser conquistada nos pênaltis com empate aos 48 do segundo e jogando com time reserva com alguns elementos de time C.

Valeu para o Vasco. Valeu por ver a confirmação de sua nova esperança Thiago Reis e negativamente perdendo mais uma decisão para o Flamengo mesmo sendo apenas de turno, o elenco terá que trabalhar emocionalmente um trauma que não tem nada a ver com ele.

Valeu demais para o Fluminense, na verdade foi para quem valeu mais. Até os 48 do segundo tempo estava eliminado do estadual e agora tem novamente a chance de ser campeão. Não valeu nada para o Bangu, mas o campeonato em si tem valido muito para ele, um campeonato de redenção para o clube que já foi vice campeão brasileiro.

Isso tudo vale muito sim. Se não vale tem que tentar convencer todos os rubro negros que saíram orgulhosos com suas camisas ontem, os vascaínos que foram dormir de cabeça inchada, os tricolores que se viram torcendo para o maior rival e o banguense que há tempos não via seu time brigando por algo. Mas o campeonato carioca em si vale? Vale pelo maior motivo de sua existência, ter sido o principal causador de todo amor que as torcidas tem por seus clubes porque só o amor por essas camisas explica todas as reações citadas em um campeonato confuso e esvaziado. Explica pro botafoguense que ficou de fora que vale nada? Pro Abel Braga que parou em hospital?

Pelo lado emocional sempre valeu, para efeito de campeonato agora vale muito. Perdeu está fora, em uma partida tudo pode acabar então tudo pode acontecer.

Na teoria o Flamengo é franco favorito, o clube mais poderoso, mais forte economicamente, que até os reservas levantaram taça, mas teoria no futebol não quer dizer nada e que bom que é assim, não há nada que fascine mais no futebol que a imprevisibilidade. É isso que lhe mantém isso.

E o charme do carioca.

Que venha o começo e o fim

  1. Não dá pra deixar passar a nota oficial do Flamengo dizendo que não se mete em questões políticas ao falar de uma homenagem feita a Stuart Angel. É lamentável ver que enquanto cresce em estrutura e poder o Flamengo diminui como instituição. Um grande clube que nos últimos meses se comporta como uma instituição minúscula. Ser contra uma ditadura, torturas, mortes seja de que lado ideológico for não é se posicionar politicamente, é se posicionar com grandeza.

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O velho papo do melhor do mundo 

O velho papo do melhor do mundo 

A necessidade de todas as semanas elegermos o melhor do mundo de todos os tempos.

 

Geralmente Messi é eleito nas segundas feiras quando o Barcelona vence um Resende da vida pelo campeonato Espanhol e o jogador marca três gols ou um gol de placa. Existe uma divisão atual sobre quem é o melhor jogador de futebol da história. No início das semanas costuma ser o Messi por causa do espanhol, perto do fim das semanas o Cristiano Ronaldo por causa da UCL, detalhe, a partir das oitavas de final porque na primeira fase ele descansa. Em época de copa do mundo ou mesmo nas datas FIFA, como ocorreram agora, a discussão some assim como o futebol dos dois.

Vem sendo assim nos últimos anos. Messizetes e Ronaldetes se dividem em facções como eram os fãs de Emilinha Borba e Marlene nos anos 40 e 50. É evidente que esses jovens de 16, 17 anos acham que seu ídolo é o maior jogador da história mesmo não tendo idade suficiente para ter visto Zidane dar uma cabeçada em final de copa do mundo. O jovem é assim, ele acha que o mundo começou em seu nascimento.

Alguns jornalistas um pouco mais velhos também são assim dependendo do veículo de comunicação no qual trabalham, se tal jogador tem seus jogos transmitidos por eles, ou mesmo pela necessidade de fazer parte da história nem que seja como figurante. Por outro lado tem a galera mais velha que é saudosista por natureza e acha que tudo em seu tempo é melhor e nada de agora presta. Acho que nem um nem outro.

CR7 e Messi jogam pra cacete e isso deve ser respeitado. Federer, Nadal e Dkjokovic estão entre os melhores da história assim como Lebron James, Bolt é o melhor de todos os tempos na corrida assim como Phelps na natação, enfim, grandes nomes, mas algumas coisas tem que ser consideradas.

Assim como existe a impressão que alguns esportes eram mais “fáceis” antigamente, que o nível de exigência, principalmente o físico, colocou o esporte em outro patamar não podemos tirar os méritos dos mais antigos que conseguiram ser grandes mesmo enfrentando materiais esportivos ruins e sem tanto auxílio tecnológico. Dizem que os zagueiros antigos eram ruins por isso craques sobressaíam, mas em compensação eles não tinham a preparação física de hoje, chuteiras moldadas para seus pés, nutricionistas e outros benefícios de hoje em dia. Fraturas podiam acabar com uma carreira, hoje podem ser curadas em menos de um mês.

Lebron James e Tom Brady são sensacionais, mas representam esportes que hoje estão todos os dias na tv e até o fim dos anos 80 mal sabíamos que existiam. Superbowl começou a passar no começo dos anos 90 na Manchete assim como a NBA na Band. É justo equipararmos esportistas de diferentes épocas quando hoje é muito mais fácil acompanhar? Quantos gênios deixamos de ver por não existir transmissão? Hoje tem mais jogos do Barcelona que do Flamengo na TV, mas até o fim dos anos 80 só tinha o italiano na Band.

Não dá pra confiar no velho ranzinza nem no jovem eufórico. O velho fica preso na saudade, o jovem quer avaliar aquilo que não viu. Eu cresci com todo mundo dizendo que Pelé foi o maior de todos os tempos, quem ainda está vivo e viu Pelé jogar também diz isso, com o tempo essas pessoas morrerão, Pelé morrerá e ele deixará de ser o maior da história. Sim isso é cruel, mas a vida é assim, a história é contada pelo presente.

Os atuais são maravilhosos, mas Pelé, Garrincha, Didi, Puskas, Cruyff, Beckembauer, Eusébio, Zizinho, Leônidas, Ali, Tyson, Lewis, Bubka, Joe Montana, Jordan, Byrd, Magic, Agassi, Sampras, McEnroe e tantos outros também eram. É essa velha mania humana da competição, de escolher um melhor em vez de desfrutar o que vive.

O melhor da última semana é isso, apenas o melhor da última semana.

Que fique registrado na história.

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Eurico e o futebol de hoje

Eurico e o futebol de hoje

Dirigente atraiu amor, ódio e foi vencido pelo tempo

Eu odiava Eurico Miranda..

Odiava porque era arrogante, prepotente e se achava melhor que os outros. Era o tipo de pessoa que não inspirava confiança, esteve por trás das piores páginas do futebol brasileiro nas últimas décadas e na decadência do futebol carioca. Odiava porque não mostrava respeito aos adversários, provocava, espezinhava e assim aumentou o ódio e a violência entre as torcidas. Era capaz de dizer besteiras como comparar o Flamengo ao câncer e mostrar desumanidade como com os torcedores caídos em São Januário na final contra o São Caetano.

Eu amava Eurico Miranda..

Amava porque era arrogante, prepotente, se achava melhor que os outros e era. Conhecia os regulamentos como ninguém, raposa velha sempre enxergava na frente dos outros. Era o tipo que inspirava confiança em jogadores e funcionários. Esteve por trás de algumas páginas das mais sensacionais do futebol brasileiro como colocar a logo do SBT em camisa na final de brasileiro e em grandes momentos do futebol carioca como as finais contra o Flamengo. Amava porque não era politicamente correto e zoava, brincava, estimulava a rivalidade entre torcidas. Foi capaz de transformar o Vasco no maior rival do Flamengo superando o Fluminense, foi responsável por algumas das maiores conquista da história do Vasco e teve momentos de humanidade como o carinho que sempre tratou a escola que funciona no clube que ajuda a formar cidadãos.

Com praticamente os mesmos argumentos disse porque odiava e amava Eurico. É, ele era assim. Capaz de provocar amor, ódio e algumas vezes até da mesma pessoa ao mesmo tempo. Eurico foi vencedor, como eu disse alguns dos maiores títulos do Vasco foram em sua passagem como vice de futebol. Eurico foi fracassado. O Vasco começou a decair em sua gestão como presidente, ali surgiu uma imensa dívida, o outrora clube do povo se tornou uma ditadura e virou chacota como o caso da Sibéria. Podia-se amar o odiar Eurico Miranda, só não dava para ficar imune.

Eurico está morto e com ele um estilo de dirigentes de futebol. Hoje dirigente é “empresário”, “manager”, temos vários presidentes de clube engomadinhos que entendem nada de futebol e entregam os mesmos a gestores, algumas vezes ex-jogadores de futebol.

São melhores? São piores? São diferentes. O mundo mudou, o futebol mudou e a última passagem de Eurico como presidente do Vasco mostrou o quanto ele estava ultrapassado, mas deixou sua marca no futebol, sem dúvidas. Não dá para ignorar Eurico Miranda na história do futebol brasileiro, carioca e, principalmente do Vasco. Numa era em que o imediatismo sobressai e a cada domingo é eleito um novo melhor jogador de futebol do mundo de todos os tempos é preciso preservar a história. Eurico está na história assim como Coutinho, o lendário jogador do Santos que faleceu também semana passada.

Alguns choraram a morte de Eurico, outros comemoraram, alguns consideram Eurico um Deus, outros diabo. Eurico não era uma coisa nem outra, era um ser humano com virtudes e defeitos como todos.

Vai fazer falta..

A Sibéria nunca mais será a mesma

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