​Produto importação

Produto importação

O que podemos copiar do futebol americano?

 (Foto: AFP)

Em campo

Já inicio meu texto firmando um compromisso de, em breve, olhar para a parte cheia do copo. Apontar um pouco do que teríamos e temos a oferecer ao futebol americano ou até mesmo do que não devemos copiar sob nenhum pretexto. Deixando de lado o spoiler das próximas colunas, o objetivo hoje é enumerar algumas das características que, antes de tudo, definem o esporte americano e, como citei em texto anterior, se copiadas competentemente, poderiam resgatar apreciadores do esporte bretão.

Começando pelo âmbito esportivo, propriamente dito, o primeiro e mais importante produto a ser importado é a filosofia dos treinamentos. Inegável o avanço da preparação física dos atletas de futebol, mas a diferença frente ao primo americano segue abissal, ao ponto de ser constrangedor chamar de atleta um jogador de futebol. Crescemos admirando jogadores que fizeram mais por menos. Um culto ao Deus “Migué”. Na terra do Tio Sam, talvez pela íntima ligação do esporte com a formação acadêmica, a crença é no binômio plantio/colheita. Um fenômeno curioso é que os poucos exemplos de atletas legítimos do futebol são extremamente longevos, quase objetos de estudos. Já imaginaram um time com onze Zé Robertos e Seedorfs?

Ainda sobre preparação, é comum enaltecermos espantados quando um goleiro acaba com uma disputa de pênaltis com base em estudos prévios sobre as preferências dos jogadores adversários na hora da cobrança. No futebol americano é difícil dizer o que tem mais importância no pré-jogo. Se é o físico, tático, técnico ou o estudo minucioso do adversário. São raros os técnicos, esses tidos com gênios, Mourinhos, Guardiolas, que são capazes de ler um padrão do adversário e preparar a sua equipe pra esses cenários específicos. Jogadores então, tendentes a zero.

(Foto: Elise Amendola)

A dinâmica do jogo é totalmente diferente, mas não é possível ignorar a relação de tempo que existe entre pré-temporada e temporada. Em duas semanas, como comumente praticado por aqui, é impossível tornar um time apto ao alto nível de competição. Em um mês também não, talvez nem em três meses. Como na fábula do lenhador, é preciso gastar mais tempo afiando o machado do que derrubando a árvore. O resultado são jogos tenebrosos, principalmente no início da temporada, além do progressivo processo de extinção das jogadas ensaiadas. Não há tempo. Como cada jogada disponível no playbook para um time de futebol americano é repassada minuciosamente, a offseason dura aproximadamente quatro meses, para cinco meses de jogos em alto nível técnico, do 1º kickoff ao erguer do Vince Lombardi Trophy.

Tecnologia, no pré, pós e durante o jogo ainda nos soa como bicho de sete cabeças. Quem assiste futebol americano já se acostumou à dupla comemoração de um touchdown, primeiro quando o jogador efetivamente ultrapassa a end zone e depois, quando o árbitro confirma após a análise de vídeo. A pergunta que não quer calar é: de onde surgiu a teoria de que o VAR acaba com a emoção do futebol? Em tese ele dobra a emoção! Sem contar com o substancial aumento da sensação de justiça quanto ao resultado real do jogo.

(Foto: Y.Lavat e Getty Images)

Bastidores

Saindo das quatro linhas, como o futebol é global, vou comparar o quesito organização com a média praticada pelo mundo. E é notória a diferença que a liga NFL especificamente, imprime frente à média das ligas de futebol espalhadas pelo mundo no tocante à estrutura e espetáculo. Quando você não está no Camp Nou, Santiago Bernabeu, Old Trafford e demais exemplos dessa magnitude, dificilmente seu dinheiro estará valendo o importância real do produto. Ainda é embrionária no nosso futebol a ideia de Game Experience (lembrando que o cachorro-quente Geneal, com todo respeito a marca, é um desserviço nesse sentido!). Não importa quantos SuperBowls você assista, o evento, que inclui um show de nível internacional, sempre vai ser surpreendente.

Voltando a falar em justiça, ela com certeza, não se dispõe a determinar de antemão os rumos de um campeonato. O que vende no esporte é a sensação de que existe a possibilidade, mesmo que remota de superação. Não por acaso, qualquer grande liga americana e esportes olímpicos culminam em playoffs. Mais uma pergunta que fica: quem foi o idiota que achou legal copiar e replicar o sistema de pontos corridos? Esse idiota se deu conta de que estaria sacramentando a mitologia por trás do futebol? Busque na memória jogos inesquecíveis, é quase certo, você vai escolher um jogo de playoff.

Por último, também já abordado em texto anterior, a organização financeira é sabidamente motivo de piada e indignação no futebol, favorece a poucos, quase sempre invisíveis, deterioram a disputa esportiva e quando somada à escolha do idiota supracitado, destrói impiedosamente o futuro do esporte.

Espaço FABr

(Foto: Fábio Nuno)

Como o primeiro Campeonato Carioca permanece aguardando o esperado clássico Vasco x Flamengo, vou me permitir dar um breve histórico da modalidade no Brasil.

Nasceu nas praias cariocas no início dos anos 2000, de onde até hoje, saíram a maioria dos times e uma grande quantidade de jogadores da elite do esporte nacional. Em 2007/08 ganhou contornos de coisa séria com a primeira partida fullpad no Paraná (Brown Spiders 33 – 10 Barigui Crocodiles) e a primeira partida da seleção brasileira em Montevidéu (Uruguai 20 – 14 Brasil).

Após um brasileiro de seleções realizado em 2009 com a vitória dos Paulistas, foi dada a largada para as ligas que dividiram o Brasil de 2009 a 2015 entre torneio Touchdown e Liga Brasileira de Futebol Americano. Em 2016, ocorre a tão esperada unificação das ligas pela CBFA e o reconhecimento como campeões nacionais, dos campeões anteriores de ambas as ligas.

O formato do nacional hoje é dividido em duas divisões, sendo a elite, Superliga Nacional de Futebol Americano, composta por conferências regionais que se enfrentam até a disputa do Brasil Bowl, tradicionalmente no final do ano.

 Relação de campeões nacionais:

2009 – Rio de Janeiro Imperadores

2010 – Vila Velha Tritões (TT)

2010 – Cuiabá Arsenal (LBFA)

2011 – Corinthians Steamrollers (TT)

2011 – Fluminense Imperadores (LBFA)

2012 – Corinthians Steamrollers (TT)

2012 – Cuiabá Arsenal (LBFA)

2013 – Jaraguá Breakers (TT)

2013 – Coritiba Crocodiles (LBFA)

2014 – Vasco da Gama Patriotas (TT)

2014 – Coritiba Crocodiles (LBFA)

2015 – Timbó Rex (TT)

2015 – João Pessoa Espectros (LBFA)

2016 – Timbó Rex

2017 – Sada Cruzeiro

Lembrando que o estadual retorna no dia 27/05/2018 às 14hs no Estádio Caio Martins. Grande expectativa pra mais uma página da história da modalidade no país e da rivalidade do clássico dos milhões sendo escrita.

Por Fábio Nuno