Comentarista ou torcedor?

Comentarista ou torcedor?

Edmundo precisa se decidir

A brincadeira de postar #Vasco aleatoriamente no Facebook foi o sucesso dos últimos dias na Grande Rede. Parabéns ao ex-jogador e atual comentarista Edmundo. Ele conseguiu mobilizar a torcida cruzmaltina, embalada pelo título invicto da Taça Guanabara. O animal continuou a brincadeira, dizendo que os vascaínos deveriam replicar São Januário quando os rubro-negros respondessem aos posts #Vasco. É a maneira de cutucar o rival que não tem estádio próprio. O que seria do futebol sem a zoeira? Um joguinho cerebral em que 22 seres humanos querem colocar a bola com os pés num retângulo de 2,44 m X 7,32m.

Exerço minha profissão há 22 anos. Nunca escondi meu time. Na verdade, uma vez escondi. Estava na porta de São Januário no dia 22 de dezembro de 2000, aguardando a chegada do time que acabara de vencer a Copa Mercosul numa virada histórica sobre o Palmeiras. Realmente, no meio da torcida vascaína não era um lugar seguro para que as pessoas soubessem a paixão que me movia no futebol.

Mas voltando ao fato de não esconder o time, acho que não há problema mesmo. Minha questão com a brincadeira de Edmundo não é o fato dele torcer, mas sim a insinuação sobre a falta de estádio do Flamengo. Isso pode inviabilizar, por exemplo, a escalação dele em jogos do Rubro-Negro. A partir de agora sempre haverá suspeita que suas análises serão influenciadas por dar a entender que não gosta do Flamengo.

Talvez Edmundo do devesse observar a conduta de Junior. Um ídolo muito mais identificado com o Rubro-Negro do que o Animal com o Vasco. Afinal, a única camisa que o Maestro defendeu no Brasil foi a do Flamengo. Mesmo assim, ele não faz qualquer referência pejorativa aos outros clubes. Logo, ele pode ser escalado num jogo do Vasco sem tanta rejeição.

Juninho Pernambucano, outro ídolo vascaíno, andou escorregando ao dizer que a torcida do Flamengo era preconceituosa com Renê porque o lateral é nordestino. Levou uma saraivada de críticas. Ou seja, Juninho deixou a rivalidade da época do campo campo atrapalhasse seu julgamento. Ele generalizou e escorregou feio

Edmundo foi um dos grandes jogadores que vi atuar. Sua temporada em 1997 se acontecesse na Europa. Provavelmente, o credenciaria a disputar o título de melhor do mundo. No entanto, fora de campo não é o melhor exemplo a ser seguido. Edmundo agora é comentarista, não é torcedores arquibancada. Comentarista comenta e deixa as zoações com os torcedores.

E por falar em comentar, graças a derrota do Vasco para a Cabofriense, a Taça Rio pode ser classificada como festa dos pequenos. Ao fim da quarta rodada, apenas o Fluminense está na zona de classificação para as semifinais. No grupo de Flamengo e Botafogo, as primeiras colocações estão com Cabofriense e Bangu. Já o Volta Redonda tira o Vasco e faz companhia ao tricolor na classificação pra as semifinais da Taça Rio. Não há motivo para desespero, ainda faltam duas rodadas para o fim do turno. Mas que é curioso, é.

 

Por Creso Soares

O Flamengo tem que ser transparente

O Flamengo tem que ser transparente

Clube deve mudar estratégia para melhorar a imagem

Vidas não têm preço. Essa frase desgastada e verdadeira voltou à tona nas negociações pra a reparação às família atingidas na tragédia do Ninho do Urubu. O Flamengo colocou os pés pelas mãos e deixou os parentes revoltados com o que foi proposto.

Neste domingo, com muito atraso, o presidente Rodolfo Landim apareceu para dar uma coletiva. Na entrevista, ele disse que os números que apareceram noticiados são um piso para as negociações com os parentes das vítimas e não um teto.

A verdade é que vidas não tem preço, mas nos casos de reparação precisam ser precificadas. Não há outro caminho. Se são R$ 400 mil ou R$ 2 milhões por morte vai depender do que as partes conseguirem acordar. O fato é que vidas humanas não deveriam ter valor monetário, mas nesse caso terão.

O papel dos pais é tentar o máximo que achem justo e o papel do Flamengo é procurar pagar o que o clube acha justo. É assim que as partes se sentam nessa dolorosa e necessária mesa de negociação. Um dos pais disse que o Flamengo não pagou nada e nem deu assistência. É papel dos jornalistas apurar se essa informação é verídica. Tentar com o clube notas e transações bancárias que mostrem as despesas que a instituição diz ter. Enquanto estiver no “declaratório”, com o Flamengo dizendo que pagou e as famílias dizendo que não estão recebendo ajuda ficam abertas as portas para que cada um acredite no que quiser.

Li nas redes sociais que há pessoas querendo parar de pagar o plano de sócio-torcedor do Flamengo enquanto não forem pagas as indenizações. Pois bem, se isso acontecer, aí é que vai demorar mais para que o clube  arque com as consequências financeiras provocadas pela tragédia. Pois, se fechar uma das torneiras, o Flamengo pode passar por uma asfixia financeira.

Um insuportável serviço de telemarketing me ofereceu um seguro de vida. Para o caso de acidentes, foi calculado o valor de R$ 300 mil. Logo, posso concluir que para o banco em questão minha vida tem valor: R$ 300 mil.

O futebol estipula os valores para a vida. Neymar saiu do Barcelona para o PSG por  cifras equivalentes a quase R$ 1 bilhão.  Cristiano Ronaldo arrumou um jeito para que o Real Madrid o vendesse a uma quantia correspondente a “apenas” R$ 100 milhões a Juventus de Turim.

Vi muita gente que admiro dizendo que uma vida não tem valor. Mas tudo que as pessoas precisam neste momento é chegar ao acordo do valor de uma vida. É duro, mas os advogados de ambas as partes devem deixar a emoção fora da mesa de negociações. Os sentimentos devem ficar com as famílias. Elas perderam algo irrecuperável.

E como nesses casos é comum, devem ter aparecido profissionais do Direito insuflando os sentimentos mais hostis contra o clube nessa ocasião delicada. Em vez de uma orientação jurídica, em alguns momentos esses profissionais querem colocar mais lenha na fogueira, pois quanto maior o valor da indenização e o tempo que o caso se arrastar, maior serão seus ganhos.

A não ida de Rodolfo Landim à reunião com as famílias passou a mensagem de insensibilidade. Ao se tornar o dirigente máximo do clube, as responsabilidades são na “saúde e na doença”. A ausência só piorou a imagem do Flamengo.

O clube errou ao fazer uma comunicação falha. A entrevista coletiva deste domingo teve também a função de mudar a estratégia pública para tratar o caso. Quem sabe pode diminuir o estrago ocasionado pelo fato do vice-presidente jurídico, Rodrigo Dunshee,  deixar a reunião com as famílias antes do fim, alegando que tinha outras coisas para fazer. A prioridade de todos deveria ser resolver essa situação dramática.

E nesse momento de fragilidade da instituição, aparecem os inimigos. Junto com a justa revolta pela situação, alguns inimigos do clube acentuam a campanha para que o Flamengo seja severamente punido. Já houve teses de que o clube deveria ser rebaixado, ter bens e receitas bloqueados. Essas declarações não são de apoio às vítimas, são uma campanha para derrubar o concorrente no mercado do futebol.

A vida é assim. Inviabilizar o Flamengo enquanto clube de futebol é um dos objetivos desses inimigos. A preponderância financeira rubro-negra , consequência direta da imensidão de sua torcida, desperta inveja e ira. Há inimigos que querem o enfraquecimento do Flamengo, que aproveitam a tragédia para atacar a instituição.

Minha total solidariedade a essa famílias que perderam seus filhos. Que viram os sonhos serem arrancados. Mas meu total repúdio à quem se aproveita desse fato lamentável para querer aniquilar o Flamengo. Que os responsáveis sejam punidos civil e criminalmente. Mas o Flamengo, ao contrário do que pensam alguns, não pode acabar.

 

Por Creso Soares

Domingo da Vergonha

Domingo da Vergonha

Diretoria estraga final da Taça Guanabara

Eu havia escrito um texto sobre a situação do Flamengo. Para não demonstrar alienação, eu colocaria o resultado da Taça Guanabara no fim. No entanto, os dirigentes do Vasco e do Fluminense me obrigaram a fazer um outro texto.

Não há santos nessa disputa. O presidente do Fluminense irresponsavelmente declarou guerra ao Vasco. Por sua vez, o presidente do Vasco  mandou a torcida ir para o estádio mesmo com a determinação judicial de que a decisão fosse disputada com portões fechados.

A pequenez dos dirigentes de dois clubes tão grandes resultou em cenas lamentáveis do lado de fora. Vinte e mil pessoas foram ao Maracanã. A polícia teve que usar bombas de efeito moral para conter a multidão. Havia crianças e pessoas idosas.

Em vez de uma festa, a decisão da Taça Guanabara foi um velório do futebol do Rio de Janeiro. Pouco mais de uma semana da página mais triste da história do Flamengo, Vasco e Fluminense são sua contribuição para o momento lamentável que vive o estado do Rio.

O resultado da Taça Guanabara é menor, diante do que a intransigência  dos cartolas provocou. Fica difícil defender o Campeonato Carioca diante dessa vergonha. Não conseguir decidir a posição das torcidas no estádio.

Para complicar ainda mais a situação, aos 30 minutos do primeiro tempo, a justiça do Rio que proibira a entrada dos torcedores, autorizou a abertura dos portões. É uma palhaçada, atrás da outra.

E a bola rolando é relegada ao segundo lugar. Dirigentes e Poder Judiciário assumiram o protagonismo. Diante desta falta de seriedade, a torcida do Flamengo não pode mergulhar o clube numa crise porque perdeu um jogo neste torneio medíocre.

Eu era uma das pessoas que levavam o estadual a sério, mas diante da tibieza da Federação comandada por um inacreditável Rubens Lopes e a pequenez dos dirigentes, não adianta tentar defender. Uma vergonha.

Ah, vinte e nove mil pessoas entraram e viram o Vasco bater o Fluminense e ser campeão com 100 por cento de aproveitamento. Era para se só isso que importasse. Mas não foi.

Por Creso Soares