As trapalhadas da CBF

As trapalhadas da CBF

Desordem na entidade respinga na seleção de base

Jan Hurtado entrou driblando a zaga brasileira e chutou cruzado na saída do goleiro Felipe.  Venezuela 1 X 0. O número 9 infernizou os brasileiros. Fazendo o pivô, girando em cima dos zagueiros, puxando contra-ataques. Um azougue, diriam os mais antigos. O segundo gol do veio num lance de oportunismo. E a Venezuela saiu vencedora no confronto com a seleção sub-20 da CBF. 

Rodrygo, o atacante de € 45 milhões, foi expulso no fim da partida. Apagado, não conseguiu nenhum lampejo, sendo anulado pelo excelente esquema de marcação da seleção “vinho tinto”. O resultado da partida é histórico. Pela primeira vez os venezuelanos deixaram o campo vitoriosos contra o Brasil no sub-20. 

O resultado está longe de ser surpreendente. Se for feita uma análise, descobre-se a razão. O técnico Dudamel acumula o comando das seleções sub-20 e principal da Venezuela. Está fazendo um trabalho de dois anos. Fez 34 convocações e disputou vários torneios internacionais, dando rodagem aos seus jogadores. 

A seleção da CBF é treinada por Carlos Amadeu, que fez 6 convocações. Logo, não tem o conhecimento do grupo que o rival na partida de sexta-feira tinha. O trabalho de base do Brasil estacionou. Obviamente, foi dragado pela confusão política da CBF. Não se passa impunemente por Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero. 


Acompanhando a transmissão do Sportv, soube-se que uma das soluções para tentar fazer com que os jogadores brasileiros recuperassem a alegria de jogar foi levá-los a uma churrascaria chilena. Inusitada a proposta. A julgar pelo resultado contra a Venezuela, pouco adiantou. A carne devia estar dura. 

Talvez esteja chegando o momento de se reconhecer que o Brasil  não é mais o país do futebol. A falta de planejamento matou a essência do esporte por aqui. Falta planejamento e falta profissionalismo. Na base, a Inglaterra domina, na principal a seleção francesa é o time a ser batido atualmente. 

 

Por Creso Soares

Técnico do Fla ainda é estagiário

Técnico do Fla ainda é estagiário

Barbieri pode não ter caixa para aguentar pressão na reta final do ano

Maurício Barbieri tem uma pergunta a responder aos milhões de torcedores rubro-negros: como depois da Copa do Mundo o time conseguiu fazer 8 pontos a menos que o São Paulo?

O Flamengo foi para a folga do mundial com 4 pontos de vantagem sobre o tricolor paulista, sete jogos depois finalizou o turno 4 pontos atrás.

Na verdade, o técnico do Flamengo tem se mostrado um bom “estagiário”, mas ainda lhe falta a categoria de um “professor”. O nó tático que levou de Mano Menezes na primeira partida das oitavas da Libertadores deixou evidente o quanto o técnico rubro-negro precisa remar para estar entre os melhores.

Sou dos que criticam Diego, mas nas derrotas para o Grêmio e para o Atletico-PR ficou evidente o quanto o camisa 10 faz falta. O time ficou sem organização dentro de campo, tomou três gol dos atleticanos entre os 9 e os 21 minutos e deu adeus ao jogo. Se o primeiro tempo terminasse 5 a 0 não seria exagero.

Faltam 19 rodadas, chegar na frente no primeiro turno é um resultado simbólico, importante para a confiança da equipe, mas em termos práticos não garante nada. O problema é que o Flamengo perdeu a consistência defensiva e o ataque parou de funcionar.

Outro grande problema do Flamengo é que o São Paulo não se importa em jogar feio e vai conseguindo ser eficiente. Internacional e Grêmio chegaram de vez na briga e Palmeiras e Atlético parecem ter se encontrado.

Virtualmente fora da Libertadores, pois é praticamente impossível reverter o resultado no Rio e mancando no brasileiro, o Flamengo começa a ficar muito pressionado para a reta final da Copa do Brasil. Os outros semifinalistas estão num momento melhor do que o do time da Gávea.

Na linguagem futebolística, Maurício Barbieri parece não tenha “caixa” para aguentar a pressão se o time for despachado nas competições de mata-mata e se distanciar da briga  pelo título no Brasileirão.

Ao contrário do que pensa o sempre otimista torcedor do Flamengo, há problemas crônicos no elenco. Rodinei é um jogador instável e atabalhoado, teve culpa direta nos dois primeiros gols dos paranaenses neste domingo. Renê é apenas um pouco melhor pela esquerda.

No futebol de ocupação de espaços, o avanço dos laterais é importante para penetrar em linhas bem armadas. Como vive dizendo meu amigo Francisco Aiello, sem laterais, o time do Flamengo vai se transformar num “cemitério” de atacantes.

A torcida perdeu a paciência com Uribe e com Dourado. Lincoln ainda tem crédito, mas claro, tem o problema de estar em formação. Talvez a promessa rubro-negra seja um atacante mais afeito à proposta de jogo do Flamengo, por ter mais habilidade que os outros.

A gestão Bandeira de Mello, tão exitosa quando o assunto é receita, se encaminha para terminar de forma melancólica nas quatro linhas. Um time caro, mas que parece não ter sido beijado pela sorte dos vencedores.

 

Por Creso Soares

 

*Fotos: Staff Images/Flamengo

O agosto sangrento do futebol brasileiro

O agosto sangrento do futebol brasileiro

Quem tiver casca grossa vai sobreviver

Duas reações no jogo Cruzeiro e São Paulo chamaram minha atenção. A primeira foi a reação de Nenê quando o técnico Diego Aguirre o substituiu. O jogador ficou insatisfeito, saiu fazendo beicinho. Sentou no banco, arremessou copinho d’água no chão, uma cena.

A outra foi justamente no segundo gol dos paulistas. O passe de Reinaldo encontrou Éverton livre para marcar. Os dois jogadores saíram vibrando cada um para o seu lado, fazendo a  sua festa. O tricolor paulista tem a melhor campanha desde a retomada do campeonato, mas foi estranha a reação dos jogadores, justamente no momento em que a liderança está ao alcance das mãos e o time vai conseguindo vitórias importantes fora de casa como contra o Cruzeiro e na partida com o Flamengo.

 Gilvan Souza/flamengo.com.br

Mudando o rumo da prosa, o futebol do Rio viveu uma rodada em que apenas o Flamengo tem motivos para comemorar. Despachou o Campeão da série B de 1987 por 4 a 1, com Marlos Moreno dando sinais de que quer disputar posição com o recém contratado Vitinho. Os cariocas abriram o placar com um gol de bico de Réver e cederam o empate no finzinho do primeiro tempo. No entanto, logo aos dois minutos da segunda etapa, o predomínio do jogo foi restabelecido por Paquetá. Éverton Ribeiro, com um golaço, e Uribe, com a fundamental ajuda do eterno Magrão, fecharam a goleada. O hexacampeão passeou e o placar de 4 a 1 foi até modesto.

 Carlos Gregório Jr/Vasco.com.br

Vasco e Botafogo foram inclementemente  batidos por Corinthians e Internacional, respectivamente. Não entendo o motivo esportivo para que o Vasco abra mão de São Januário. O time precisa somar o maior número de pontos possíveis para chegar ao fim do campeonato sem risco; A colina histórica é uma grande aliada para escapar de um eventual rebaixamento. O Vasco pode ter colocado no bolso alguns caraminguás pela partida em Brasília, mas nada compensará se o time cair novamente.

O Botafogo de Marcos Paquetá fez 4 jogos depois da Copa. Três derrotas e uma vitória. Tomou 7 gols e fez 1. Ou seja, um 7 a 1 em prestações. Se Atlético-PR e Santos engrenarem, a luz vermelha vai ficar intensa em Marechal Severiano. O América Mineiro, que muitos tinham na conta de um rebaixamento certo, começou a subir. Bateu o Santos na Vila.

 Lucas Merçon/Fluminense.com.br

Marcelo Oliveira tenta reeditar o trabalho que fez no Cruzeiro bicampeão brasileiro. No entanto, o elenco tricolor não é tão forte quanto tinha o time mineiro. Oliveira tenta retornar à primeira divisão dos treinadores do país, logo, ele e o Fluminense estão em momento de reafirmação. Pedro é bom centroavante, mas o time precisa de mais consistência depois de mais uma “Era Abel”.

Vai começar o agosto sangrento para os times brasileiros. Sabe quando você sai de férias, mete o pé na jaca no cartão de crédito e depois chega a fatura. Pois é, os clubes brasileiros vão encarar grandes desafios neste mês. As férias da Copa acabaram. O Flamengo vai enfrentar os fortíssimos Grêmio e Cruzeiro pela Copa do Brasil e pela Libertadores. Agora vai ficar comprovado quem tem elenco forte.

A gangorra de emoções entra no picadeiro. Os vitoriosos do meio da semana podem ser os derrotados de sábado e domingo, ou vice-versa. O calendário brasileiro é irracional. Quando entrar setembro, pode ter time que já esteja de “férias”, sem nada a postular em 2018.

Por Creso Soares