Sorte ou competência?

10/09/2018

Sorte ou competência?

Em sete temporadas Grosjean conquistou 371 pontos em 138 participações

Na última semana o francês Romain Grosjean, piloto da equipe Haas na Fórmula 1, destacou durante uma entrevista a um podcast que quase parou de correr depois da primeira passagem na categoria em 2009. Grosjean considerou, inclusive, prosseguir a carreira de cozinheiro e abandonar definitivamente as pistas. O piloto acumulou dez pódios no total até este ano, mas sem nenhuma vitória. Alternou rapidez e habilidade com algumas lambanças nas pistas. Eis então a questão: ele permanece até hoje pela competência ao volante ou por estar apenas no lugar certo e com as pessoas certas?

Logo que chegou a principal categoria de esporte a motor, Grosjean não marcou nenhum ponto ao assumir a vaga de Nelsinho Piquet. O fato não o ajudou a prosseguir em 2010 e o time trouxe o russo Vitaly Petrov para o seu posto. Naquele período, Romain pôde correr em categorias como a AutoGP e a própria GP2 (local de acesso à F-1). Grosjean foi campeão em ambas. Apesar de ser considerado um passo atrás na carreira, mais tarde percebeu-se que foi uma escolha acertada. A repercussão positiva pelas conquistas fez com que ele retornasse a F1 pela Lotus. Ainda em 2012 (o primeiro ano completo na Fórmula 1), ele alcançou pódios importantes e sofreu com alguns acidentes. Foi durante a prova da Bélgica, ainda na largada, que ele partiu com muito ímpeto para ganhar posições durante a primeira curva e acabou acertando fortemente Lewis Hamilton e Fernando Alonso (entre outros). Por pouco o acidente não machucou os adversários.

Banido por uma corrida, Grosjean buscou ajuda de um psicólogo na época. Já em 2013, o piloto conseguiu novamente uma sequência de pódios importantes com apresentações de encher os olhos dos amantes de Fórmula 1. O desempenho fez com que, após quatro temporadas na Lotus, ele partisse para um novo desafio no time da Haas. A tarefa era duríssima, afinal novas equipes geralmente levam tempo de trabalho e desenvolvimento para alcançar bons resultados. O melhor deles na Áustria justamente neste ano de 2018. Quarto lugar. Romain também sofreu com situações complicadas: a largada atrapalhada na Espanha e o erro bobo durante bandeira amarela em Baku, no Azerbaijão, foram algumas destas encrencas que colocaram a capacidade do piloto em dúvida. No entanto, desta vez, ele próprio conseguiu mudar as circunstâncias e “ligar a chave” para buscar resultados novamente positivos.

Suzuka Circuit, Suzuka, Japan.
4th October 2009.
Jaime Alguersuari, Toro Rosso STR04-Ferrari, retired, leads Vitantonio Liuzzi, Force India VJM02 Mercedes, 14th position, Fernando Alonso, Renault R29, 10th position, and Romain Grosjean, Renault R29, 16th position. Action.
World Copyright: Glenn Dunbar/LAT Photographic
ref: Digital Image _3GD9983

A sequência de três corridas na zona de pontuação (Alemanha, Hungria e Bélgica) parece ter melhorado o clima de Grosjean na Haas. A situação dele seria ainda melhor se o sexto lugar alcançado na Itália não fosse desconsiderado graças as irregularidades encontradas no fundo do carro. As boas apresentações em 2018 podem garantir a permanência de Romain (assim como Kevin Magnussen) por pelo menos mais um ano no grupo comandado por Gene Haas e Gunther Steiner. Para o competidor que já foi até considerado como um dos nomes para guiar uma Ferrari (mas não chegou lá), o futuro parece reservar um lugar ao sol na Fórmula 1. É bem verdade que se Grosjean não alcançou o topo, ao menos o piloto conseguiu manter-se no meio. Vale lembrar que dificilmente se consegue uma segunda chance na categoria! Grosjean teve duas oportunidades. Tanto o retorno após a primeira e curta passagem de 2009 quanto a volta depois da suspensão imposta em 2012 foram tais chances. Ainda sim existem aqueles que torcem o nariz para a permanência do francês neste time. A verdade é que Romain conseguiu calar os críticos (inclusive eu). Afinal a sorte vem para os que demonstram competência. A permanência do piloto é por merecimento.

Por James Azevedo.