Saldo positivo até Tóquio

06/11/2018

Saldo positivo até Tóquio

Ginástica brasileira mostra evolução para 2020

O mundial de ginástica terminou no último dia 3 e o Brasil saiu de Doha com uma medalha de prata conquistada por Arthur Zanetti nas argolas. Considerando-se apenas o resultado dá para dizer que a posição ficou abaixo do esperado. Por outro lado, se considerarmos o número de finais – oito – uma a mais do que em 2006, é possível dizer que o saldo é positivo. Vale dizer ainda que batemos na trave pelo pódio em duas oportunidades. Sem dúvida, 2019 promete ser um grande ano para a ginástica brasileira.

Gigante, Arthur Zanetti continua soberano entre os homens. O ginasta brasileiro, além de ser referência mundial nas argolas, tem contribuído em outros aparelhos na competição por equipes. Isto pode garantir mais vagas. Nas argolas, Zanetti deverá dominar a prova novamente no próximo ano, já que o grego Petrounias, mesmo desde 2015 levando vantagem nas principais competições da modalidade, terá de ser submetido a uma cirurgia no ombro. Zanetti, que está em franca ascensão, poderá aproveitar a oportunidade e melhorar ainda mais o seu desempenho. Sem problemas de contusão, o brasileiro passa a ser um dos favoritos a medalha em Tóquio

A seleção masculina está bem representada. O sétimo lugar conquistado no último mundial foi um bom resultado, mesmo sem Arthur Nory 100%. O brasileiro é um generalista e mantendo-se saudável será um grande nome para comandar o time brasileiro por equipes. Sérgio Sasaki é outro que pode contribuir demais para a equipe. Além deles, Diego Hypólito é outro que vai buscar a vaga em Tóquio.

Além deles, a seleção masculina ainda conta com Lucas Bittencourt, Caio Souza e Francisco Barretto. Sabe-se que para voos mais altos a evolução no cavalo com alça é fundamental. Este exercício ainda é a pedra no sapato dos ginastas brasileiros.

Saindo da seleção masculina, entre as mulheres, a lacuna técnica na disputa é menor (com exceção dos Estados Unidos que está anos luz à frente das adversárias). Talvez este ciclo seja o ciclo delas. O time feminino ficou na terceira posição na final por equipes até a prova das barras assimétricas, ponto fraco da seleção. Até então a competição foi acirrada. O Brasil caiu para a sétima posição, entretanto, exceto pelas barras e pela trave, dá para brigar por uma medalha por equipes. Claro, desde que Rússia e China não estejam em seus melhores dias.

Nas provas individuais, Flavia Saraiva é o melhor nome para sonhar com medalhas, em especial no solo e na trave – embora ela não tenha ido muito bem no mundial. Já Rebeca Andrade e Jade Barbosa superaram contusões e podem surpreender nos saltos. Ainda é possível contar com Thaís Fidelis e Daniele Hypólito. Não dá para descartar a possibilidade da vaga de especialista. Experiência e talento, ela tem de sobra.

Dá para afirmar que as três medalhas na Olimpíada Rio 2016 elevaram a ginástica brasileira a um patamar mais alto. O que foi confirmado neste mundial em que os brasileiros estiveram entre os melhores do mundo. No entanto, ginástica se vence no detalhe. São dois anos para trabalhar tudo isto – a ajuda do técnico gringo Valeri Liukin como consultor será fundamental – Quem sabe se não dá para trazer mais, ou pelo menos igualar, o número de medalhas conquistadas em 2016? É esperar para ver. Tóquio, te esperamos.

Por Surto Olímpico