Por onde andam os ídolos?

06/12/2018

Por onde andam os ídolos?

Torcedores estão carentes de grandes nomes

Vasco, Botafogo, Flamengo e Fluminense possuem ídolos históricos. Mas infelizmente, no cenário atual, os gigantes do Rio não têm referências técnicas.


Em 2018, dois grandes ídolos de clubes cariocas se despediram dos gramados. Ao encerrarem as carreiras, os goleiros Júlio César e Jefferson deixaram Flamengo e Botafogo, respectivamente, mais carentes de referências para os atletas mais novos. No Rubro-negro, Juan também se aproxima da aposentadoria e jovens talentos como Vinicius Júnior e Lucas Paquetá já foram vendidos.

Vasco, Fluminense e Botafogo atravessam uma fase tenebrosa dentro de campo e isso passa pela formação da identidade dos jogadores. Todavia, até o Flamengo, vice-campeão brasileiro, tem problemas com a falta de identificação. Vinicius e Paquetá foram formados num dos clubes mais equilibrados do país em termos financeiros. Mas ainda não há como competir com o dinheiro dos europeus e a expectativa gerada nos meninos brasileiros é enorme.

Se o Flamengo, estruturado e saudável financeiramente, não consegue manter os candidatos a ídolos por muito tempo, como os rivais teriam condições de formar um ícone capaz de atrair torcida e conquistar títulos? Pedro, revelação do Brasileirão 2018 e craque do Fluminense na temporada é tido como tábua de salvação nas Laranjeiras. Engana-se quem pensa que isso se refere aos resultados esportivos. A tal salvação seria financeira, pois uma venda para a Europa faria a instituição respirar por alguns meses.

Algo parecido aconteceu com o Vasco Da Gama. Paulinho despontou como um excelente jogador e foi vendido para a Alemanha. Há quem diga que esta negociação solucionou muitos problemas na Colina. Porém, mesmo diante da boa venda, o Vasco continua afundado em dívidas e Paulinho, menino promissor, não conseguiu se firmar como ídolo de uma das maiores torcidas do Brasil. O jovem não teve culpa, pois não teve tempo.

Pela proximidade do gol, os jogadores que se destacam no ataque têm mais facilidade para cativar o torcedor. O Botafogo tem tido dificuldade para formar este tipo de atleta. Entretanto, o clube tem formado bons defensores e se lança ao mercado de qualquer jeito tentando vender novos valores para sangrar menos na parte financeira. O Alvinegro praticamente anuncia que precisa vender o zagueiro Igor Rabello e o volante Matheus Fernandes para que haja sobrevida em General Severiano.

Diante de tantos empecilhos, desorganização nos departamentos, amadorismo e falta de dinheiro, os clubes do Rio de Janeiro apresentam cada vez mais dificuldades para criar ídolos identificados. A estrutura tem que ser modificada enquanto há tempo. Hoje o Juan ainda volta para, ao menos, encerrar a carreira. E quando não houver outro assim? Jefferson é goleiro, mas se manteve por 11 anos. Será que haverá mais um? “Paulinhos” e “Pedros” retornam um dia? O artilheiro ainda nem foi, mas o tricolor já sente saudades! Algo tem quer ser feito.

Um abraço!

Por Fabiano Bandeira, O Praça.