Os últimos playboys da Fórmula 1

13/02/2018

  

Em tempo de folia e carnaval para aqueles que curtem e comemoram a grande festa é sempre momento de lembrar os pilotos que buscavam aproveitar mais a fama e também o dinheiro pela Fórmula 1. Entre os períodos de corrida e compromissos profissionais nomes como James Hunt, David Coulthard e Eddie Irvine se divertiam mais do que a maioria dos competidores normalmente costuma fazer. A lista é grande mas vamos focar nos mais lembrados de sempre.

O mais famoso deles talvez tenha sido realmente o inglês James Hunt, campeão mundial em 1976 pilotando pela McLaren. O irreverente esportista sempre curtiu a boa vida e colecionou histórias lendárias de bebedeiras e a fama de mulherengo. Se divertia sempre que podia nas festas das etapas e até mesmo corria para uma rapidinha perto da pista (!!!) com alguma admiradora mais fervorosa. Fumava e bebia destacadamente em um período (os anos 1970) que isso era incrivelmente comum se olharmos para o cenário de hoje. Inclusive aproveitava as festas de comemoração para ostentar um cigarro e uma bebida no momento do triunfo e da glória. Fatos impensáveis para atletas de alto rendimento e nomes famosos a serem usados como referência até por crianças no mundo moderno atual. Apesar de tudo, Hunt não era aplicado como o cerebral rival Niki Lauda mas acelerava e muito o pedal da direita e garantiu vitórias no braço. Porém a carreira foi até curta e posteriormente se tornou um comentarista de automobilismo na TV com bastante sucesso. Apesar da boa e um pouco mais sossegada sequência de vida, o período de excessos infelizmente veio a abreviar a existência de uma das maiores personalidades da Fórmula 1. Hunt faleceu com apenas 45 anos após um ataque cardíaco fulminante em 1993.

O também inglês David Coulthard sempre foi um “bom vivant”. Apreciador de vinho e estreando com extrema pressão ao inclusive substituir Ayrton Senna após o acidente de Ímola em 1994, ele não se deixou abater pela posição de início de carreira e era um piloto regular, porém longe de ser um fora de série. Entre esses momentos se fazia presente nas mais altas festas do circo da categoria, constantemente muito elegante e acompanhando de belas mulheres. Apesar de tipicamente inglês tinha a característica de ser carismático, muito falante e realmente popular. Mesmo nos anos 1990, quando os pilotos já tinham uma preparação física excepcional e focavam muito mais na pista ou então em sossegar na vida com um estilo de vida estável e uma família ao lado, a trajetória de David passou longe disso. Só mais para o final da carreira quando corria pela Red Bull e inclusive alcançou um pódio folclórico em 2006 na pista de Mônaco é que ele namorou mais pensando no futuro com uma comentarista belga da categoria e o casal teve um filho há dez anos. David acumulou experiências em diversos ramos de empreendimentos além de se tornar regular comentarista também das transmissões na categoria.

Um dos mais marcantes nomes que já passaram pela Ferrari foi de outro piloto saído das terras da rainha, mas este especificamente irlandês: Eddie Irvine. Ele estreou pela Jordan em 1993 e naquela altura ficou famoso por tomar um gancho de duas corridas após atrapalhar o brasileiro Ayrton Senna. Durante a disputa debutante do jovem e impetuoso piloto de quebra ainda viu a ira do tricampeão mundial e tomou um soco do piloto da McLaren em plenos boxes do circuito de Suzuka, no Japão. Sempre foi um exímio viajante e inclusive no ano de melhor chance na Fórmula 1 em 1999, passou pelas pirâmides do Egito para conferir uma cultura completamente diferente da qual estava normalmente acostumado. Sua característica destacada é a de ser extremamente polêmico e já naquela época tinha na ponta da língua as opiniões mais ácidas do esporte. Podia tranquilamente competir apenas neste quesito com o canadense Jacques Villeneuve, por exemplo. Mas o filho de Gilles, campeão mundial, era bem mais tranquilo na vida pessoal. Irvine não tinha muito pudor também em mostrar o quanto curtia a badalação e caminhos que ser conhecido na categoria sempre trouxeram. Disputou o título na única oportunidade que realmente teve pela ausência de Schumacher devido a um acidente, justamente no final dos anos 1990, mas sofreu com erros na pista e trapalhadas da equipe. A sorte também não ajudou e o finlandês Hakkinen se tornou bicampeão mundial. Sempre foi “boca suja” e criticou regulamentos e novidades da F-1, inclusive a nova regulamentação de motores em 2014. Foi escudeiro de Schumacher durante os tempos de Ferrari e ganhou nova vida após chance na Jaguar em 2000. Conseguiu resultados dignos em uma equipe difícil, porém terminou a carreira discretamente e foi curtir a vida com o dinheiro acumulado, algo que sempre sonhou para fugir dos holofotes e passear de jatinho mundo afora.

Nos tempos atuais quem mais atende por esse nome mesmo em um período de maior pressão e melhor necessidade do preparo físico é o irreverente finlandês Kimi Raikkonen. Sempre foi de muita velocidade, foco na pilotagem e poucas palavras. Aparentemente discreto, não dispensa um bom gole de champanhe e as bebidas naturalmente utilizadas e conhecidas no país de origem dele. Porém momentos como comer um sorvete durante uma interrupção de corrida, sair da Fórmula 1 e se aventurar no rali e na NASCAR pelo cenário americano, e as famosas declarações via rádio para as equipes que passou se tornaram memes e momentos sempre lembrados pelos fãs e adeptos da categoria. Ferrari e Lotus (atual Renault) podem dizer muito bem isso! Casou por duas vezes e teve um filho com a atual esposa. Folclórica também foi a participação em uma prova de ski na neve pela qual usou o codinome “James Hunt”.

 

E o tetracampeão mundial e atual detentor do caneco, Lewis Hamilton, é outro inglês que não dispensa uma boa curtição. Amigo de Neymar e Justin Bieber, por exemplo, sempre está em grandes eventos além de volta e meia aparecer para se divertir nos Estados Unidos. Não é novidade que mais para a frente na vida ele pretenda fixar moradia por lá. Aproveita baladas e muitas vezes dorme pouco, o que é raríssimo para as exigências do esporte atual. Namorou entre idas e vindas a famosa cantora Nicole Scherzinger, do grupo Pussycat Dolls. O definitivo término de relacionamento afetou o piloto que passou por um período de baixa e perda da confiança na pilotagem. O psicológico estava comprometido. Porém ao se reerguer, se juntou à Mercedes na trupe dos chefes Toto Wolff e Niki Lauda. Mais focado e forte mentalmente inclusive se mostrou mais frio nas pistas e melhorou ainda mais na preparação física, um dos trunfos quando reapareceu após a implementação do novo regulamento em 2017 com carros mais difíceis de guiada. Apareceu e foi ligado pela mídia com outras cantoras. Nomes como Rihanna e até a brasileira Anitta. Apesar de diversas críticas, o estilo de vida de Lewis não passa nem perto de James Hunt, com certeza, mas ainda sim é quase único na categoria. Apesar disso as noitadas não tem influenciado nem um pouco a qualidade da tocada do carro na pista, tanto que Hamilton continua a acumular conquistas e reescrever os livros da história na Fórmula 1.

Por James Azevedo.