O tal “Giselo”

06/02/2019

O tal “Giselo”

Mais um Superbowl e o Giselo vai deixando de ser Giselo

No último domingo ocorreu o Superbowl. Para quem não sabe o SuperBowl é a “final” da Liga de futebol americano, um futebol que quase nunca se usa as mãos. A tal liga, a NFL, é a menina dos olhos da ESPN sendo para a emissora o equivalente ao Chaves no SBT. O Superbowl é como se fosse o episódio do Chaves em Acapulco para os “fãs do esporte”.

Se você quer irritar o fã da NFL tem dois bons caminhos. Um é chamar o Superbowl de “Final do Superbowl”, o Superbowl já é a final, então não tem porque chamar de final da final. Outra coisa é chamar o marido da Gisele Bundchen de marido da Gisele Bundchen, eles ficam loucos com isso. Agora existe uma expressão que ajuda ainda mais a provocar essas pessoas que é chama-lo de “Giselo”.

Estamos falando de Tom Brady. Para o mundo inteiro um dos maiores esportistas de todos os tempos, para o brasileiro gozador o marido da Gisele Bundchen ou Giselo. Evidente que a supermodelo, orgulho brasileiro, é mais famosa aqui que ele, mas Tom Brady vem alcançando importância no Brasil fazendo com que essas expressões virem mais provocações mesmo do que modo de identifica-lo.

O esquisito esporte onde o jogo fica mais tempo parado que em movimento e se chama futebol usando quase que totalmente a mão é cada vez mais popular no Brasil. Não tanto quanto seus fanáticos querem passar, ainda perde fácil em audiência para uma escolha de paredão do BBB, mas vem ganhando importância sim. Domingo voltava da praia e reparei que alguns restaurantes mostravam a partida e um pub oferecia rodada gratuita de chopps a cada touchdown, que vem a ser o gol do esporte.

É fácil perceber o porquê desse aumento. Passar na tv ajuda a popularizar. A NBA tornou-se um fenômeno no Brasil quando a Band começou a mostrar os jogos. A Manchete mostrava o Superbowl e ali me tornei fã dos 49ers e de Joe Montana, mas na ESPN que o esporte ganhou dimensão com a temporada toda sendo mostrada e mostrada com agilidade, com pessoas que entendem do assunto com transmissões leves, engraçadas e carismáticas de gente como Everaldo Marques, Paulo Antunes e o incrível Rômulo Mendonça.

Tudo isso também se deve ao fato de termos cada vez mais transmissões internacionais em nossa tv. Hoje é fácil torcer para o New England Patriots do “Giselo”, o Barcelona do Messi ou o Golden States Warriors do Stephen Curry não precisando mais que o torcedor fique preso a mediocridade do futebol brasileiro, existem opções até porque graças a violência e preço dos ingressos hoje a frequência a estádios é muito menor então a chance da maioria de ver o Tom Brady em ação ao vivo é a mesma que ver um jogo no Maracanã.  Não tem nada de certo ou errado nisso, em se deixar de ver um jogo do medíocre campeonato carioca para ver o superbowl. A informação hoje é mais fácil e isso projeta esportes onde existam ídolos porque é isso, esporte em alta tem ídolos.

Foi assim o auge da F1 com Piquet e Senna, basquete brasileiro com Oscar e o UFC com Anderson Silva e José Aldo. Foi assim que a NBA se popularizou com Magic, Byrd e Jordan, foi assim que os 100 metros no atletismo popularizaram nos últimos tempos com Bolt e natação Phelps. É assim que a NFL se populariza por aqui, porque tem um astro e mais que isso, um astro casado com uma brasileira o que faz muitos torcerem por ele por ter “um pouco de Brasil”,

O “Giselo”, ou melhor, Tom Brady é isso. É rico, famoso, bonito, corpo atlético, veterano para seu esporte, mas jovem de vida, casado cum uma mulher desejada e famosa, cérebro de seu time, o quaterback que vem a ser a inteligência em um jogo de brucutus e corredores e, principalmente, um vencedor, o jogador que mais títulos conquistou em um esporte que antes de tudo é um show com grandes atrações em seus intervalos e a propaganda mais cara da tv mundial.        

Tom Brady é do tamanho de Ali e Jordan com a vantagem que pega um esporte popular em seu auge mundial e no auge da era da informação, do marketing rápido e do consumo de celebridades. Ele é mais que marido de uma celebridade, é a própria celebridade, o maior esportista da atualidade. É, o Giselo é sinistro.

E a NFL começa a desfilar no Brasil.

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