Ser jogador de futebol

12/04/2018

O sonho de ser jogador de futebol

 Muitos artistas de nossa música acalentaram o sonho de se tornarem jogador de futebol. Duas colunas atrás, falei de Moreira da Silva, o Kid Morengueira, que queria mais é ser um Doutor em Futebol. Mas outros exemplos não faltam, sendo que alguns deles chegaram mesmo a atuar nos gramados, casos dos flamenguistas Jorge Ben (ou Benjor) e Diogo Nogueira. Outros que quiseram ir pelo mesmo caminho foram o tricolor Evandro Mesquita, os flamenguistas Jackson do Pandeiro e Djavan, e até Lobão, que já torceu pelo Botafogo, depois Flamengo e hoje diz não tolerar o futebol.

Como em “Doutor em Futebol” e sua segunda versão, “Pé e Bola”, o sonho virou música muitas vezes. Benito di Paula, outro torcedor rubro-negro, cantou em “Assobiar e Chupar Cana”, sucesso de 1977, que, em vez de cantor ou compositor, seria muito bom, seria muito legal, pudesse ser ator ou jogador de futebol. Nesta mesma composição, o artista friburguense narra uma fictícia tabelinha entre grandes nomes da nossa música, como Vinicius de Moraes, Toquinho e Jorge Ben, que termina num gol de Gonzagão.

Porém, tão gaiato quanto Moreira da Silva era o vascaíno Dicró. Com Edson Show ele compôs “O bom de bola”, que entre outras lorotas cabeludas, diz o seguinte: “Fui eu que ensinei ao Pelé, não é conversa fiada, o papo é sério, eu não conto farola, Beckenbauer e um tal de Cruijff aprenderam na minha escola”. Como se vê, a letra é bem divertida, com aquele humor peculiar que Dicró sempre apresentava em seus sambas. Ela foi gravada originalmente num compacto duplo, em 1979, e vinha na faixa 2 do Lado A como “Melô do Sócrates (O bom de bola)” – por que Sócrates? Também gostaria de saber. Já com seu nome definitivo, entrou no LP lançado pelo sambista no mesmo ano. Em 2002, ano da última conquista mundial da seleção brasileira, foi regravada no CD “Dicró no piscinão”, com uma atualização em um de seus versos: em vez de “Pergunte ao Zagallo e ao Brandão” vinha “Pergunte ao Felipão”. Confira abaixo a letra completa:

“Solta a bola Mané

Solta a bola Mané

Vou lhe contar quem eu sou

Fui eu que ensinei ao Pelé

Não é conversa fiada

O papo é sério

Eu não conto farola

Beckenbauer e um tal de Cruijff

Aprenderam na minha escola

Fui jogar na Alemanha

Bati um córner e ninguém me ajudou

Eu corri o campo todo

Toquei de cabeça e a bola entrou

Solta a bola Mané

Solta a bola Mané

Vou lhe contar quem eu sou

Fui eu que ensinei ao Pelé

No jogo da bola eu sou craque

Sempre fui destaque “O rei do futebol”

Já dei drible em Rivelino

Em Gerson e Tostão eu apliquei lençol

Na copa de 58 Pelé deu um chute e a bola subiu

Calmamente eu matei no peito

Toquei de trivela era gol do Brasil

Solta a bola Mané

Solta a bola Mané

Vou lhe contar quem eu sou

Fui eu que ensinei ao Pelé

O Zico pra mim é pinto

Não tem Dinamite, pois eu sou granada

Marquei gol de bicicleta

Em Portugal onde a bola é quadrada

O rei da Arábia me dava

Poços de petróleo e mais um milhão

Mas vou pendurar a chuteira

Eu sou patrimônio da minha nação

Pergunte ao Felipão (pergunte ao Zagallo e ao Brandão)

Solta a bola Mané

Solta a bola Mané

Vou lhe contar quem eu sou

Fui eu que ensinei ao Pelé.”

Galera, a Jogada foi interrompida na área da rádio, mas seguirá sem impedimento aqui neste espaço. Só tenho a agradecer a Alexandre Araújo, Hugo Lago, a turma do Pop Bola e a todos na Rádio Globo que fizeram 30 vezes a Jogada em tabelinha comigo, de 29 de janeiro de 2017 a 27 de março de 2018. Muito obrigado especial a todos que torceram junto e continuam empurrando este time para frente.

Para a última terça-feira, dia 10 de abril, já havia sido gravado o quadro com o tema que abordei aqui hoje, com narração de Hugo Lago, a produção de Alexandre Araújo e a edição de  Marcelo Santos. Portanto, quem quiser ouvi-lo, é só clicar na setinha abaixo.

Muito obrigado mais uma vez e até a próxima quinta.

Por Eduardo Lamas