O Flamengo gastador

06/01/2019

O Flamengo gastador

Clube abre o cofre e esquece a base

O movimento arrojado do Flamengo para ter Arrascaeta, Dedé, Bruno Henrique e Gabigol beira a irresponsabilidade financeira. Como alertou meu amigo Gilmar Ferreira em sua coluna no jornal Extra, a quantia é muito superior aos R$ 100 milhões anunciados pela nova diretoria para contratações.

É importante ressaltar que o Flamengo não precisava de uma reformulação total no elenco. Dos quatro nomes, Arrascaeta é o único que o clube deveria trazer para repor a saída de Paquetá, no mais, é pirotecnia. O que é necessário resolver, as laterais, passa longe do discurso. Se não houver laterais que possibilitem jogadas pelo lado de campo, triangulações e cruzamentos, os novos mandatários podem trazer o atacante que quiserem, ele vai fazer poucos gols.

Vou dar um pequeno exemplo: o bom lateral esquerdo do Liverpool, Robertson, custou € 8 milhões ao clube inglês. Não estou defendendo que se traga o jogador para o Brasil, mas sim, há alternativas viáveis que um bom entendedor de futebol pode resolver.

Enquanto a diretoria Landim pretende abrir os cofres e gastar o lastro conseguido por Bandeira de Mello, a excelente base do Flamengo vai ficando esquecida. Ao mesmo tempo que entra na aventura milionário por Gabigol, o Flamengo vê Felipe Vizeu acertar com o Grêmio. Daqui a pouco um grande clube brasileiro vai repatriar o Jorge para a lateral esquerda e assim os valores revelados na Gávea vão dar alegrias a outros torcedores no Brasil.

A diretoria rubro-negra deveria dar uma zapeada nos canais de esporte da TV à cabo. No Sportv encontraria Paulo Nunes. Habilidoso atacante, revelado na Gávea que foi ganhar títulos pelo Grêmio e pelo Palmeiras. Na sequência, colocaria na ESPN Brasil. Lá veria Djalminha, um cracaço que saiu do Flamengo pela porta dos fundos e foi encantar no Palmeiras e em clubes da Europa. Ao colocar no Fox Sports, se depararia com Edmundo. Um monstro, jogador raro, mas que contratado por valores astronômicos ficou na memória do Flamengo por integrar o “pior ataque do mundo… Sávio-Romario-Edmundo”.

O futebol mudou, mas há coisas que permanecem. O time mítico da década de 80 era basicamente a prata da casa. Em 1992, havia Júnior e uma garotada da base dentro de campo, no banco, mestre Carlinhos. Em 2009, além de Andrade no banco, Adriano sabia muito bem o que era jogar no Flamengo. Em 2013, Jaime de Almeida era o representante raiz do clube.

Neste futebol de frases prontas, com craques midiáticos e andarilhos, é fundamental a identificação com o clube. Dedé parece não querer sair do Cruzeiro, clube a que é grato. Se for para a Gávea será por dinheiro. O time não precisa de mais jogadores com esse espírito. A zaga pode se resolver com Rodrigo Caio, Léo Duarte, Rodolpho e Thurler. O ataque tem Uribe, Dourado, Lincoln e Vítor Gabriel, para que milhões em Gabigol? Deixar o Diego ir embora facilmente e gastar essa grana no Arascaeta é incoerência. Numa boa, entre Bruno Henrique e Vitinho não há muita diferença. Aliás, particularmente, prefiro o Vitinho.  A diretoria do Flamengo tem a solução em casa. Por falar em casa, ter um estádio deveria ser prioridade. Atualmente, essa é a grande diferença entre o Flamengo e os clubes paulistas. Os quatro grandes de lá tem um estádio, aqui o Rubro-negro “mora de aluguel”.

E nessa primeira coluna do ano, expresso o desejo de um 2019 vencedor dentro e fora do campo para todos nós.

Por Creso Soares