Marta não merecia isso

24/06/2019

Marta não merecia isso

Brasil vende caro eliminação na Copa do Mundo 

Depois de 9 derrotas no período pré-Copa, ninguém diria que a Seleção Brasileira de Futebol feminino fosse vender sua desclassificação tão caro quanto foi. 

A seleção francesa é uma das favoritas, mas enquanto tiveram pernas, as brasileiras resistiram. Mas ao fim e ao cabo a lógica prevaleceu. Um time com mais investimento. De um país que tem uma liga fortíssima acabou vencendo o duelo. 

Lamentável o tratamento que o futebol feminino recebe no Brasil. A modalidade é completamente ignorada pela mídia. Um pequeno exemplo: Brasil e Itália lutavam pela classificação para as oitavas de final da Copa. Eu estava em deslocamento e pensei que poderia acompanhar o jogo pelo rádio. Rodei por Tupi, CBN e Globo… nada. 

A cobertura da TV Globo pareceu-me condescendente e oportunista, do ponto de vista comercial. Ana Thais Matos se destacou demonstrando um conhecimento a respeito das jogadoras e as características como atletas. E não só das brasileiras, como das adversárias. Ela deu um show. 

No entanto, o Brasil teve uma preparação acidentada e qualquer time do mundo se ressentiria com o fato de Marta e Cristiane não estarem na plenitude das condições físicas. 

Com a torcida contra, tudo apontando para uma desclassificação e mesmo assim  Debinha teve a bola do jogo. A zagueira francesa salvou quase em cima da linha. 

Sinto-me culpado por não acompanhar o futebol feminino. Logo eu, que prefiro o vôlei das meninas porque acho mais plástico e técnico e que me emocionei com Paula e Hortência no basquete. 

Quando vi o quanto ganha a Marta em comparação a alguns jogadores profissionais senti vergonha. A CBF não merece que a Marta tenha nascido em solo brasileiro. Nunca deu o devido valor às meninas. 

Pensando bem, o que fazia na Tribuna de Honra de Itaquera o presidente da FIFA? Enquanto assistia a Brasil e Peru num paupérrimo torneio continental, Gianni Infantino não assistia aos jogos eliminatórios da Copa do Mundo da entidade que preside. O problema não está só na CBF, ao que parece.