Flamengo líder na parada para a Copa

11/06/2018

Flamengo líder na parada para a Copa

Rubro-negro tem o desafio de não desmontar o time 

Vinicius Jr olha para a torcida. Ele caminha em direção à arquibancada. Sobe a escadinha que une o campo aos torcedores, configuração modernosa do Maracanã em versão “arena”. O garoto de 17 anos se joga literalmente nos braços do povo. Depois de ouvir o coro de “Fica Vinicius”, ele concede uma entrevista ao repórter do Premiere. No meio da resposta, o ídolo se revela o garoto de 17 anos. Esconde o rosto com a camisa e começa a chorar. Com os olhos ainda vermelhos relembra as dificuldades e como o Flamengo o ajudou a mudar de vida. Vinicius vai despertando e o jogador treinado para dar respostas que não o comprometam volta à cena. Vinicius Jr mudou de vida e ganhará mais dinheiro do que 99% dos brasileiros. Para isso, teve a infância roubada e o gosto de se tornar ídolo do time do coração interrompido. Virou gente grande e vai para a Europa. Ao voltar daqui a uns 15 anos, já longe do apogeu, talvez possa retomar o sonho de onde parou.

Vinícius Júnior/Gilvan de Souza

A saída de Vinicius Jr espelha o desafio que o Flamengo terá durante a parada do Brasileirão para a Copa: não desmontar o time. Maurício Barbieri está vencendo resistências, vencendo e convencendo. Na vitória de 2 a 0 sobre o Paraná o time mostrou as qualidades que o deixaram na liderança. No entanto, Barbieri pode ver esse trabalho se perder por alguns aspectos. Vinicius Jr conseguiu suprir muito bem a saída de Everton para o São Paulo, mas vai sair. O jovem técnico terá que pensar numa solução para isso. Especula-se que dificilmente Paquetá, atualmente o melhor jogador do Flamengo, continue na Gávea depois do mundial da Rússia. Outro problema é a inadequação do estilo de Henrique Dourado ao esquema de jogo do Flamengo. O ressuscitado Vizeu, autor de gols nos três últimos jogos, está de partida para a Udinese. O Flamengo precisa encontrar um centroavante até que Lincoln esteja pronto.

Flamengo/Gilvan de Souza

Além do desmonte, outro aspecto vai ser ruim para o Flamengo. As 26 rodadas que se seguirão após a Copa do Mundo terão um time a ser batido: o Flamengo. Os adversários terão tempo de estudar o rubro-negro, saber quais os caminhos adotados para controlar os jogos e conseguir as vitórias. A vantagem de Maurício Barbieri é que no novo campeonato ele vai começar com alguma gordura, poderá ganhar tempo de rodagem e estudar melhor o grupo.

O Flamengo das grandes contratações e da gestão financeira exemplar está encontrando o caminho com soluções internas. Em alguns momentos o time fica com seis ou sete jogadores formados na base. O time da Gávea tem que gradativamente mudar a estratégia. Tem que tentar segurar as promessas. Léo Duarte hoje é o melhor zagueiro do time, Thurler entra e parece veterano. Então, o Flamengo das contas magníficas tem que deixar de ser o Flamengo exportador de promessas e importador de medalhões. Iniesta, Xavi e o próprio Messi jogaram na base do Barcelona. Em algum momento o futebol brasileiro tem que reagir.

A janela de contratações europeias extermina a competição nacional. O Brasil tem que parar de se comportar como futebol periférico. Irrita-me ver Rodrygo, Vinicius Jr, Paulinho e tantos outros saírem daqui sem que os torcedores criem identificação com eles. O Santos ainda conseguiu segurar Neymar por um tempo, mas de resto, nenhum clube consegue.

Vinicius Jr rendeu um bom dinheiro ao Flamengo. No entanto, diz adeus antes de se tornar uma realidade. Antes de ficar tatuado no coração dos torcedores. A roda gira, os milhões voam. São Gonçalo ficou para trás, o Maracanã ficou na memória. Quando muito, Vinicius voltará se for convocado para o time da CBF e se na sua ‘Global Tour”, o time da camisa amarela se dignar a jogar no Maracanã. O Estádio já foi sua casa. Os donos do time tem outros interesses além do futebol e mudaram de casa. O FBI sabe muito bem como e por qual motivo.

Gilvan de Souza

 

Por Creso Soares

*Fotos: Gilvan de Souza/Flamengo