Diego e Arrascaeta juntos

03/06/2019

Diego e Arrascaeta, enfim, juntos

Técnico interino aposta no talento e Fla passa fácil pelo Fortaleza

O Flamengo fez no Nilton Santos o que se espera de um time com o grau de investimento que tem. Colocou o Fortaleza na roda, fez várias triangulações e mostrou que é possível Diego, Arrascaeta e Éverton Ribeiro atuarem juntos. No entanto, o novo treinador deve encontrar a solução para que o time não fique tão exposto. Os técnicos que passaram pela Gávea nos últimos tempos viam em William Arão um volante que sai bem. No entanto, para que o talento da trinca de ases rubro-negra sobressaia, Cuellar vai precisar de ajuda.

Não há devaneios. A escalação de sábado só foi possível porque apesar de bem armado, o Fortaleza tem pretensões modestas no Brasileiro. Contra times mais perigosos, Jorge Jesus vai reforçar a defesa. Não seria surpresa se Piris da Mota, hoje reserva imediato de Cuellar, passe a fazer com o colombiano a dupla de volantes no time titular.

A ideia de colocar Diego como segundo volante em tese seria muito boa e pode funcionar em alguns momentos nas partidas. No entanto, o camisa 10 atuou em seis jogos do Campeonato e levou 4 amarelos. Ele não é um marcador. Por exemplo, ficou fora da partida contra o Atlético-MG por suspensão.

Mas há um problema que já se apresenta para o português Jorge Jesus. Bruno Henrique, poupado, não estava em campo contra o Fortaleza. Quando estiverem todos disponíveis, uma das estrelas vai para o banco. Na roda-viva que é o calendário do futebol brasileiro, vai ter jogo para todo mundo. No entanto, o novo comandante precisa administrar tantos egos.

E o Flamengo pós-Abel vai precisar encontrar um rumo rapidamente, pois antes da parada provocada pela Copa América, tem um perigosíssimo jogo pelas oitavas de final da Copa do Brasil contra o Corinthians. A vantagem é mínima e o confronto está totalmente aberto. O Carilebol, feio mas objetivo, não está desclassificado de antemão. Jogo é jogado, lambari é pescado diriam os antigos.

Abel é uma pessoa intensa. E esse seu jeito cria arestas em algumas oportunidades. Lembro-me de um episódio marcante. O técnico se dirigiu a um repórter e avisou que sairia do Fluminense e iria para o Grêmio. Àquela altura o técnico enfrentava uma queda de braço com setores da diretoria tricolor. Com fonte primária tão certa, no caso o próprio personagem, o repórter colocou a informação no ar. Resultado, pouco tempo depois a arenga política se resolveu nas Laranjeiras e o técnico não saiu. Ficou para o repórter, traído por sua fonte, a fama de ter dado uma “barriga” uqé como a situação é definida no jargão jornalístico.

A diretoria do Flamengo foi amadora com Abel. Já se movimentava para a troca e não foi discreta. Fechar um intrincado negócio com um técnico estrangeiro e caro não acontece da noite para o dia. Até o degrau mais antigo da velha arquibancada da Gávea sabe que havia um contato prévio com Jorge Jesus. A versão oficial é bonita, mas deve ser bem fantasiosa. Os amadores acenderam o fogo alto, e colocaram Abel na frigideira. O técnico, que não é peixe novo, pulou antes que o chamuscassem. Com a situação financeira resolvida, o experiente treinador não precisava se submeter ao jogo.

Abel deixa a Gávea pela porta dos fundos. Às vésperas de um jogo importantíssimo. O time pode se beneficiar, afinal. Apesar das estatísticas que os áulicos puxa-sacos apresentam para defender a passagem do treinador, a verdade que se impõe é diferente. Em quase seis meses comandando o Flamengo, o técnico não deu um sistema de jogo consistente ao time. Abel é praticante de um estilo pobre. O Flamengo de 2019 queria sair em contra-ataque com Bruno Henrique quando estava ganhando e apelava para o chuveirinho quando precisava virar. Em 90 minutos, Marcelo Salles abriu as comportas e liberou o que estava represado. Resta saber se foi sonho de uma tarde/noite de outono, ou se o Flamengo se libertou de um arcaico sistema de jogo e vai decolar na temporada.