Criiiiiise no Fluminense!

11/01/2018

A falta de maturidade tricolor

Os clubes cariocas, com exceção do Flamengo, vão as compras no início da temporada como se estivessem numa fila de um supermercado qualquer em Caracas, na Venezuela. Pouco dinheiro no bolso, concorrência com outros consumidores, produtos escassos e de qualidade duvidosa.

É duro sobreviver sem um patrocinador forte, depender apenas das cotas de televisão ou da venda dos seus ativos mais valiosos. Vamos aguardar na fila, com o dinheirinho contado e sair correndo atrás de uma boa oferta, bonita e barata. É a luta diária pela sobrevivência.

O futebol carioca está mergulhado no caos. O Fluminense é o maior exemplo disso. Sem dinheiro em caixa, dívidas aos montes, jogadores insatisfeitos e uma diretoria trapalhona, o tricolor começa 2018 dando poucas esperanças aos seus torcedores.

Houve até uma mobilização para que o presidente renunciasse, mas o esforço das redes sociais foi em vão. Para botar a casa em ordem, foi preciso mais austeridade na política econômica do clube.

O talentoso Wendell foi negociado para quitar os atrasados, mas como não há receita suficiente para honrar os contratos absurdos feitos com outros atletas, a diretoria se vê obrigada a se desfazer dos seus melhores jogadores para colocar a casa em dia. Isso gera protestos, é claro.

O problema é que as joias estão acabando e o baú está secando. Gustavo Scarpa ainda era uma boa moeda de negociação, mas a possibilidade de lucrar em cima de uma transação envolvendo o jogador quase foi por água abaixo.

Insatisfeito com os constantes atrasos, irritado com a cobrança da torcida, Scarpa não quer mais jogar no tricolor. Como qualquer trabalhador, inconformado com a má gestão de sua empresa, se viu no direito de entrar na justiça contra o clube. Tricolores criticaram o meia, disseram que foi ingrato com o clube e que está agindo de má-fé.

Acho que ele deveria ter sido mais profissional, comunicado a sua insatisfação, o que facilitaria sua negociação. Seria mais “maduro”  e as duas partes ficariam satisfeitas. No entanto, ele preferiu agir usando a lei que defende os amplos direitos dos trabalhadores. Como não conseguiu essa quebra de contrato imediata, ele volta a ser jogador do clube, mas sem clima para estar na terra de Chaves, ou melhor, em Álvaro Chaves.

O Flu, por outro lado, tem agora a oportunidade de se livrar de um doloroso e caro processo trabalhista e negociar às pressas o jogador com o primeiro clube interessado em seu futebol. Pode ser que essa também tenha sido uma tentativa de Scarpa para acelerar sua ida para o futebol paulista.

No entanto, a atitude da diretoria em quitar seus salários no desespero de evitar um processo judicial, que a princípio era inevitável, abriu portas para outros atletas busquem seus direitos. É claro que a postura do Fluminense em privilegiar um dos seus últimos ativos, antecipando apenas o pagamento dos seus atrasados, gerou certa revolta em outros jogadores que se apresentaram, mas que ainda não viram a cor do dinheiro devido.

Há uma certa desordem, falta de comando, e má administração nessa gestão tricolor. Abad herdou contratos absurdos da outra gestão e teve que cortar o mal pela raiz, enxugando o elenco e colocando parte do time na prateleira.

O goleiro Cavalieri, que recebeu o comunicado que não jogaria mais pelo Flu por telefone, sequer cumprimentou o presidente na apresentação, e ameaça entrar na justiça para receber centavo por centavo. O Fluminense tenta pôr as contas em dia, corta daqui, enxuga de lá, mas corre riscos por outro lado. O torcedor, faminto por uma boa compra no mercado, sabe que a carteira está vazia e que os produtos ao alcance são de qualidade duvidosa.

É preciso mais que uma revolução no tricolor para colocar a casa em ordem. Enquanto o caos permanece nas Laranjeiras, muitos tentam atravessar as fronteiras do clube em busca de dias melhores. Vamos trocar uma ideia no twitter: @alexaraujo_75