Água de salsicha rubro-negra

11/03/2019

Água de salsicha rubro-negra

Décima partida de Abel Braga mostra um time previsível e sem padrão. 

Torcedor do Flamengo, acostume-se: com Abel Braga o estigma do cheirinho vai continuar. E agora, com um time caríssimo cheio de medalhões. Com 10 jogos oficiais no comando da equipe, o treinador deixou o Flamengo com uma característica marcante: a previsibilidade.

As entradas de dois Brunos foram uma síntese do jogo de sábado entre Vasco e Flamengo. Bruno Cesar, o cruzmaltino, entrou para dar volume de jogo ao Vasco e pressionar o Flamengo. Bruno Henrique, o rubro-negro, entrou para ser a opção de contra-ataque.

O Flamengo fez 1 a 0 no começo do segundo do tempo. Em vez de liquidar o jogo, deu campo ao Vasco. Abel faz em 2019  o que técnicos como Antonio Lopes faziam em 1997. Saía na frente do marcador e recuava para jogar no contragolpe.

Duas décadas de previsibilidade dão nisso, com um adversário mais qualificado as chances de vitória caem drasticamente. E o Vasco é muito mais qualificado que o San Jose, por exemplo.. O Flamengo permitiu que os vascaínos tomassem a iniciativa. E a vida ensina: “água mole em pedra dura”…

“Ah, campeonato estadual não vale nada”, diriam alguns. Pode até ser, mas Flamengo e Vasco vale muita coisa. Um técnico que não entende isso não está preparado para comandar o time. Na décima partida do ano, o treinador achou que poderia escalar um time reserva contra o maior rival na cidade.

Duas coisas a se questionar. A primeira: o Flamengo está no momento da busca de identidade e de padrão tático. Abel Braga teria que aproveitar esse momento para apostar no seu 11 titular, entrosar, se firmar e ganhar rodagem. Em vez disso, mexe desordenadamente na equipe. Então, em vez de entrosamento, gera insegurança na equipe.

Uma grande prova dessa insegurança foi o jogo aéreo na partida de sábado. O Vasco ganhou a maioria absoluta das jogadas pelo alto na área do Flamengo. Todos os escanteios eram perigosos. O sistema defensivo do Flamengo tem uma falha de posicionamento provocada pelas constantes modificações. Nem isso Abel está ajeitando.

Ainda é tempo de mudar de rota. Abel tem que entender o que é o Flamengo. Os 15 anos entre as duas passagens do treinador pela Gávea o deixaram defasado. O Flamengo não tem espírito de “timinho” que joga fechado, por uma bola. As tradições do rubro-Negras pedem um time aguerrido que pressione o adversário o tempo todo.

O Flamengo é irracional, flamejante, apaixonado. O rubro-negro berra, se irrita, tira sarro da cara do rival e anda com a cabeça em pé. Olha o adversário que o intuito de intimidar e dizer: quem manda nessa zona sou eu”.

Abel não é esse tipo de técnico. Então, esse time, mesmo se conseguir ganhar alguma coisa, não será o Flamengo. Será um campeão qualquer. Mas como as coisas estão caminhando, mais um ano sem conquistas relevantes se aproxima. O Flamengo não venceu os dois confrontos mais importantes do ano. Perdeu para o Fluminense e empatou com o Vasco.

Um time que quer se tornar campeão não pode ter alguns jogadores que vestem a camisa do Flamengo atualmente.  Não vou citar nomes. Uma olhada no jogo de sábado pode deixar claro a quem me refiro. Aliás, vou citar um nome sim. Ronaldo pode fazer o papel de segundo volante melhor do que Willian Arão.

O Flamengo é um bando. Uma equipe previsível e sem padrão de jogo. Em resumo, um desperdício de talento e dinheiro. Um futebol paquidérmico, que será vítima de uma equipe minimamente organizada. O rubro-negro joga um futebol “água de salsicha “.