Afinal, A Final

10/04/2019

AFINAL, A FINAL

Flamengo e Vasco começam final que se iniciou em 1988

Chegou o final do carioca e, por mais sorte que qualquer outra coisa, chegaram os dois times de melhor campanha, os vencedores de turno Vasco e Flamengo.

É um dos maiores clássicos do futebol brasileiro, jogo com rivalidade acirrada e grandes momentos em nossas lembranças, mas seria hipocrisia não admitir que chegam em momentos diferentes de sua história. O Flamengo hoje tem muito mais dinheiro e um elenco bem mais poderoso se tornando assim favorito ao título. Mas no futebol nem sempre o favorito sobressai, ainda mais em um jogo em que o time inferior tecnicamente tem uma camisa tão pesada quanto o Vasco.

A história recente mostra o quanto a camisa nesse momento vale mais que qualquer coisa. No fim dos anos 90 era uma situação contrária o Vasco era mais poderoso economicamente e tinha um elenco bem superior tanto que em um espaço de cinco anos, entre 1996 e 2001, venceu duas vezes o Flamengo por 4×1 e duas por 5×1. Mas mesmo essas surras não impediram que o clube duas vezes vice campeão do mundo no período perdesse três campeonatos estaduais consecutivos para um Flamengo inferior. O último, em 2001, com requintes de crueldade no gol de Petkovic.

O Vasco venceu quase tudo entre 1997 e 2001, mas não conseguiu vencer finais contra o Flamengo e assim vem sendo desde 1988 quando Cocada entrou para a história do clássico saindo da reserva aos 43, fazendo gol do título aos 44 e sendo expulso aos 45 depois de xingar o treinador rubro negro Carlinhos e provocando uma briga generalizada. Vascaínos e rubro-negros de mais de 40 anos se lembram bem dessa final e todas as piadas feitas com o doce cocada.

Várias finais ou jogos decisivos de estaduais vieram depois disso. De estadual 1996, 1999, 2000, 2001, 2004, 2011 e 2014, Copa do Brasil 2006, oito finais e todas com vitórias do Flamengo sendo a de 2014 com requintes de crueldade onde um gol claramente impedido de Marcio Araújo foi validado. Ao longo dos 31 anos supremacia rubro-negra, nos últimos quatro disputa acirrada com o Vasco impondo eliminações ao Flamengo nas semifinais de 2015, 2016 e Copa do Brasil de 2015 justamente nos anos em que o Vasco era inferior tecnicamente e até sofreu rebaixamento.

Todos esses detalhes dão esperanças as duas torcidas. Para a do Flamengo a freguesia imposta ao rival em finais desde que o presidente era José Sarney, ao Vasco por ser um dos clubes que mais vem se aproveitando da frieza e muitas vezes indolência do Flamengo pós reestruturação financeira. Tudo fica mais imprevisível quando lembramos que ninguém tem vantagem do empate e são apenas duas partidas com as equipes tendo Copa do Brasil e Libertadores no meio.

Cabe ao Flamengo se impor como clube mais estruturado e com um elenco muito melhor. Cabe ao Vasco recorrer a mística da camisa e tentar impor ao rival o veneno com o qual foi atacado em 2001 quando o adversário rachado e com salários atrasados conseguiu superar as adversidades e vencer com o ponto positivo que o Flamengo de hoje nem de perto lembra o Vasco de 2001.

Que os dirigentes não atrapalhem fora de campo aqueles que prometem ser os primeiros clássicos dos milhões de verdade em 2019.

E assim o Rio conhecer seu novo campeão.

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