Adeus Maria Esther Bueno

12/06/2018

Adeus Maria Esther Bueno

Uma grande atleta sem seu devido valor

 Don Morley/ Reuters

Na última sexta-feira, todos recebemos com muita tristeza a notícia do falecimento da ex-tenista, Maria Esther Bueno. Ela perdeu a batalha contra o câncer aos 78 anos.  Uma das maiores atletas brasileiras da história, Esther pode, sem dúvidas, ser equiparada a nomes como os de Pelé, Adhemar Ferreira da Silva, Eder Jofre e Ayrton Senna. Os seus feitos são tão (ou até mais) memoráveis quanto os dos monstros sagrados citados anteriormente. Mas por que ela morreu sem o reconhecimento do grande público?

Maria Esther Bueno não foi para a Europa com um plano de carreira, ou com contatos na imprensa para mandar notícias de seus feitos. Ela simplesmente foi tentar a sorte na Europa. Isto porque a jogadora brasileira, na época, não tinha adversárias na América latina. Maria Esther foi, ainda na era amadora, disputar o circuito de tênis. Os títulos de Grand Slam vieram primeiro e posteriormente a fama no Brasil também. Antes, no exterior, Maria Esther passou a ser respeitada e admirada por todos os admiradores de Tênis. Oriunda de um país sem qualquer tradição na modalidade, Esther conquistou 19 Grands Slams em oito anos – sete no torneio de simples e doze no torneio de duplas.  Para se ter uma ideia do tamanho do feito da brasileira, Maria Esther ganhou passe livre no camarote da Realeza em Wimbledon e seu nome foi um dos mais falados pelas terras da Rainha nos anos 60.

Mas foi em 1999 que Maria Esther Bueno em uma entrevista ao jornal ‘O Globo’ revelou o seu quase anonimato no Brasil: “O problema é que no Brasil tudo é mais imediatista. Em um dia um jogador de futebol está lá em cima e no outro está acabado. Na Inglaterra não tem isto. Lá não existe outra coisa a não ser a tradição. Nós não passamos a história para as novas gerações. É gozado, eles me chamam de ex-tenista. Então, o que sou agora?”

Considerando-se que o tênis fosse um esporte totalmente desconhecido ou associado a elite, Maria Esther, por conta das competições no circuito de tênis, raramente pintava no Brasil. Ela brilhou no esporte enquanto ele ainda era amador. Não houve possibilidade de ela brilhar na era aberta. Nos últimos anos de vida da maior tenista brasileira de todos os tempos, ela recebeu grandes homenagens, entre elas, o nome da quadra central de tênis usada nos jogos Rio 2016. Mas tudo ainda foi pouco. Esqueçamos, por ora, este imediatismo bob e passemos a exaltar ainda mais os grandes atletas que puseram e ainda colocam o Brasil no alto do pódio.

OBS: Maria Esther Bueno nunca pode disputar uma Olimpíada. O Tênis saiu do programa olímpico em 1924 e voltou apenas em 1988. Azar dela? Não, azar dos jogos olímpicos.

Por Surto Olímpico