A NBA pode ficar chata

14/05/2019

A NBA pode ficar chata

Desequilíbrio a favor do GSW diminui a graça do basquete

Hoje vou falar da bola laranja, coisa que não faço há algum tempo. A NBA está na fase aguda dos playoffs. E ao que tudo indica esse ano vai ser igual àquele que passou. O Golden State Warriors deve levar o título da temporada. Faltam algumas etapas, ele ainda tem que ganhar a Conferência do Oeste, mas ao que parece, o time mais forte ficou pelo caminho. O GSW despachou o Houston Rockets por 4 x 2. A vitória que selou o destino da série foi conseguida na casa do adversário. O mais impressionante é que o Golden State jogou sem seu principal jogador, Kevin Durant.

No basquete essa história de ter elenco forte conta demais. No caso do GSW chega a ser desequilibrada a diferença. O segundo homem na hierarquia do time californiano é simplesmente Stephen Curry. O que o número 30 fez no último jogo contra o Houston foi um absurdo. Após passar o primeiro tempo zerado, Curry colocou a bola de baixo do braço e comandou a vitória. Fez monstruosos 33 pontos e calou a torcida presente na Toyota Arena.

Meu amigo Alexandre Caroli, que entende muito mais de NBA do que eu, levantou a hipótese de que James Harden, do Houston, seja uma versão século XXI do grande Karl Malone, do Utah Jazz. Malone foi um dos grandes de seu tempo, mas em seu auge esbarrou no auge de Michael Jordan.

Harden é um dos grandes de seu tempo. Nos jogos da temporada regular ocupa um lugar parecido com os de Durant, Curry e Lebron James. No entanto, não consegue fazer com o que o Houston ultrapasse a barreira que se chama Golden State Warriors.

A NBA que sempre tão cuidadosa com o espetáculo proporcionado pela competitividade talvez tenha esbarrado no poderio do GSW. O fato é que o time está liderando a década no melhor basquete do mundo. E isso pode começar a ficar desinteressante. A NBA corre o risco de se transformar num torneio em que os 30 melhores times de basquete do mundo disputam e no final o Golden State Warriors vence.

Talvez no âmbito do futebol brasileiro isso comece a acontecer. O poderio financeiro do Palmeiras é muito superior aos dos outros concorrentes. A vitória no Brasileiro 2018 jogando com o time alternativo é a prova disso. Mais do que a “espanholização” que colocou Real Madrid e Barcelona níveis acima dos concorrentes, o futebol brasileiro pode sofrer uma “NBAzação” no mau sentido. Se esse processo fosse de espetáculos mais rentáveis e confortáveis para o público e os clubes, seria maravilhosa. Mas o perigo é que o Palmeiras vire o GSW e o Brasileirão seja um campeonato em que 20 clubes disputam e no fim o Palmeiras vença. O campeão de 2018 já está entre os lideres da competição deste ano.

Vitórias acachapantes iludem os vencedores. Os perdedores devem aprender e se reestruturar. O exemplo pode vir de um país de língua inglesa também. Quatro clubes ingleses decidem as duas principais competições  continentais europeias. E isso passa muito pelo fato dos clubes terem se unido e organizado uma liga forte, com vários times poderosos. City e Liverpool estão um pouco acima, mas Manchester United, Totteham, Chelsea e Arsenal são extremamente competitivos. Dois séculos depois de perder a supremacia territorial, os ingleses se preparam para dominar o mundo do futebol.

Para não dizer que não falei das flores, em quatro rodadas, o Flamengo teve dois pênaltis ignorados pela arbitragem, com VAR e tudo.

Por Creso Soares