A ficção futebolística na música

07/11/2018

A ficção futebolística na música

Compositores criam personagens da bola que vivem dramas e glórias

Se nos livros de futebol a ficção não tem estado tão presente – e tento preencher alguma lacuna com meu ebook “Contos da Bola”, recém-lançado pela Biblioteca Digital do Futebol Brasileiro, selo eletrônico da LivrosdeFutebol – na música não faltam exemplos de craques imaginários, jogadas inventadas, gols de fantasia e dramas que lembram alguns ídolos, famosos ou anônimos das peladas de fim de semana, porém, nenhum especificamente e todos ao mesmo tempo.

Não há pretensão alguma aqui de se dar o assunto por encerrado. Até porque o jogo só terminará quando o Grande Juiz apitar e apontar para o meio do campo. Então vamos começar por aquele que há mais tempo está nas paradas, tentou ser jogador do seu Flamengo, e volta e meia aparece nesta Jogada: Jorge Benjor. Ele que homenageou ídolos de carne e osso, como Fio e Zico, e também compôs sobre zagueiro, goleiro e até pediu pênalti ao juiz no primeiro tempo de uma partida que na cabeça dele existiu e depois passou a estar na memória de todos os torcedores que se sentiram “roubados”: “Cadê o penalty?”, música que esteve aqui no episódio sobre o árbitro.

Juiz de futebol, o eterno maldito

 

Entretanto, aqui vamos falar do tal “Ponta de lança africano (Umababaraúma)”, sem delongas. A história musical desse homem-gol criado pelo então chamado Jorge Ben foi gravada a primeira vez em 1976, no LP “África Brasil”. Aqui, porém, vamos de tabelinha de Benjor com os Racionais.

Outro que já apareceu aqui, no episódio sobre o Palmeiras,

O sempre inspirador Palmeiras

Douglas Germano também retorna ao nosso gramado. Até porque, se naquela vez criou um jogo fictício, na divertidíssima e criativa “Seu Ferrera e o Parmêra”, agora ele apresenta Jesus, camisa 33, ídolo e capitão do “Cruzeiro da Vila do Calvário” que acaba “falhando no corta-luz” e sendo crucificado pela torcida em “Zeirô, Zeirô”, do álbum “Golpe de vista”, de 2016. “E como culparam Jesus, e como xingaram Jesus, e como bateram em Jesus. Vila do Calvário, campo do Cruzeiro, foi tanta gente lá matar Jesus”. Vou negar, não: uma obra-prima essa aí.

Para finalizar, o “Brazuca”, de Gabriel, o Pensador. Se um dia entrevistá-lo vou perguntar se esta composição o levou a se tornar empresário de jogador para tirar talentos do mau caminho. Se alguém já souber a resposta, caso ele já tenha respondido, publicamente ou não, ponha nos comentários, por favor. Essa música foi gravada originalmente no CD “Nádegas a declarar”, de 1999. Fique agora com Brazuca “que não tinha nem comida na panela, mas fazia embaixadinha na canela e deixava a galera maluca”.

Tem muitas outras músicas com personagens fictícios do futebol, uma até que levantou grande polêmica nos anos 60, mas contaremos, cantaremos e tocaremos de primeira em outra ocasião. Voltem sempre, obrigado pelo prestígio a esta Jogada, que em breve estará penetrando em outras áreas para fazer outros golaços, com a ajuda desta torcida que só cresce. Até semana que vem.

 

Por Eduardo Lamas