A botafoguense madrinha do samba

09/08/2018

A botafoguense madrinha do samba

Cantada muitas vezes no Maracanã, no futebol Beth Carvalho só foi festejar mesmo em 89

“Chora, não vou ligar, não vou ligar, chegou a hora, vais me pagar, pode chorar, pode chorar…”. Como o histórico LP “De pé no chão”, que está completando 40 anos, iniciamos esta coluna com os primeiros versos de “Vou festejar, música de Jorge Aragão, Dida e Neoci. E o motivo é muito simples: entre o fim dos anos 70 e os 80, ela foi cantada diversas vezes a plenos pulmões por uma grande torcida carioca (e também de outros estados brasileiros) após uma vitória sobre um rival. Em dias de festa do futebol no velho Maracanã abarrotado de gente, a composição daqueles moços do Cacique de Ramos transformada em grande sucesso por Beth Carvalho no auge da disco music, ecoava para além dos limites do gigantesco estádio.

Chamada de madrinha, justamente por reunir a garotada ainda amadora do tradicional bloco carnavalesco da Zona da Leopoldina carioca, a cantora botafoguense, porém, poucas vezes pôde ver e ouvir a torcida do seu clube entoar “Vou festejar” naquela época de vacas magérrimas. Afinal, o Botafogo já ia pela metade de um jejum que duraria a eternidade de 21 anos sem títulos expressivos (tendo apenas um Torneio Início em 77 para chamar de seu).

No entanto, na euforia da conquista do campeonato carioca de 1989, com aquele gol de Mauricio sobre o Flamengo na final, Beth pôs sua alma alvinegra pelos poros, e da privilegiada garganta soltou finalmente o grito de “Botafogo campeão (esse é o Botafogo que eu gosto)”- ouça no áudio abaixo. A música foi composta por Elias da Silva, Pedro Russo e Mauricio Izidoro e, na voz da madrinha do samba e dos milhões de torcedores alvinegros, foi cantada inúmeras vezes após aquele título.

Anos depois ela gravou seu amor ao Botafogo novamente. Entretanto, esta e outras composições em homenagem ao clube do coração da mangueirense Beth Carvalho vamos deixar para um outro episódio, quando o tema for apenas o Glorioso de General Severiano. Até a próxima semana, com mais uma tabelinha sensacional entre música e futebol.

Por Eduardo Lamas