Virando o tabuleiro

08/11/2017

Nas ondas da bola com Alexandre Araujo

Todo menino teve na infância um amigo que gostava de provocar os mais novos ou simplesmente se gabava por cometer pequenos atos de vandalismo na rua, no bairro ou no colégio. Eu adorava jogar aquelas bombinhas de festa junina na molecada, tocar a campainha do vizinho e sair correndo pela escadaria do prédio. Tolice de garotos.

O tempo passa, a gente muda, vira homem e deixa algumas brincadeiras para o passado. Mas tem aquele menino que parou no tempo, sabe? É o amigo que ainda vira o tabuleiro de War quando para ele só restou a Oceania. O que faz uma brincadeira e todos caem na gargalhada, mas depois da segunda, da terceira gozação todos já estão cansados dele.

Felipe Melo é o cara que ainda vira o tabuleiro, briga com o vizinho, taca pedra no telhado das casas. Velhas piadas que repetidas vão perdendo a graça. Dizem que o futebol anda chato. Neymar, para mim, é o maior exemplo disso. Nada mais entediante que as entrevistas do craque do PSG. Ao contrário dele, Felipe Melo é o cara que foge do lugar-comum nas coletivas, instiga os adversários e, como aquele amigo piadista, as vezes perde a mão e se torna cansativo, repetitivo.

No intervalo do jogo contra o Corinthians, o palmeirense teve mais de seus ataques de fúria. Revoltado, ele arremessou a munhequeira no rival. É a criança mimada que fecha a cara, taca a bola no coleguinha e sai do jogo porque não sabe perder. E para vencer, vale tudo. Vale tapa na cara de uruguaio, vale entrada violenta, vale xingar e ofender. Tudo isso é do jogo, mas o jogo não é só isso, seu Felipe. É preciso saber a jogar pique-esconde sem abrir o olho na hora de contar.

Ninguém vai querer andar a vida toda ao lado do amigo valentão, que enfrenta todos meninos do bairro. Você vai mudar de amizades e admirar aquele cara que sabe tocar violão, com talento para atrair as meninas ao seu redor. As falácias do valentão já cansaram, poucos param para admirar. Ninguém quer mais convidar mais pra brincar. Quem sabe um dia esse moleque consiga mudar e aprenda a jogar. Ainda dá tempo. Pique, 1,2,3…Felipe Mello!

Quem quiser trocar uma ideia ou discordar do meu ponto de vista é só tuitar para o @alexaraujo_75