Colunistas Fixos

E os estaduais?

19/01/2018

E os estaduais?

Uma das maiores reclamações atuais no futebol brasileiro é a dificuldade de organização do calendário. Em ano de Copa do Mundo esta situação fica ainda mais complicada e os maiores clubes têm que fazer mágica para que o desempenho seja razoável na maior parte da temporada. A grande polêmica gira em torno dos campeonatos estaduais. Qual é a motivação para a permanência dos regionais no inchado calendário nacional? Existe alguma fórmula para que os estaduais sejam mantidos sem que os clubes sejam prejudicados?

Um dos argumentos utilizados para que os estaduais não acabem é o apelo para que os jogadores dos clubes pequenos não fiquem desempregados. Acontece que isto é um problema estrutural do futebol brasileiro. Muitos atletas disputam apenas o campeonato estadual e ficam sem emprego logo depois. Alguns não recebem salário enquanto estão em atividade. Jogam por projeção. Outros dizem que estes campeonatos são importantes para a vida dos clubes pequenos. Mas é interessante viver para não pagar ou pagar pouco aos funcionários?

Além dos fatos concretos, o campeonato estadual também é importante pela rivalidade local e laço afetivo de muitos torcedores. Não há como negar que o saudosismo faz parte do futebol. O esporte é importante para a as pessoas, para as torcidas. Os clássicos são empolgantes. Entretanto, nota-se que o público do Campeonato Carioca, por exemplo, vem diminuindo historicamente.

Estádio Nilton SantosPor Phill ad – Obra do próprio, CC BY-SA 4.0, Foto

Não é muito difícil: há como manter os campeonatos estaduais, desde que sejam feitas modificações simples. Uma ideia é montar uma competição robusta com os clubes médios e pequenos. Os grandes entrariam numa fase avançada com menos jogos e mais clássicos. O apelo seria maior, o calendário menos maçante e até o bolso do torcedor agradeceria. Infelizmente há outros quesitos a serem analisados e interesses estranhos para que o atual modelo continue. Mas para que não haja leviandade, a coluna fica por aqui.

Um abraço!

Por Fabiano Bandeira

Era tão cheia de charme

18/01/2018

Era tão cheia de charme

Você compraria um álbum de figurinhas do Campeonato Carioca de 2018? Dizem que é o mais charmoso do país. Será que ao abrir os pacotinhos vou me deparar com aqueles cromos dourados? É….O torneio já foi mais badalado. Ganhar o Cariocão foi tão importante quanto ganhar um Brasileiro.

Todo início de ano um suspense no ar. Quais seriam as grandes contratações para o início do torneio? A molecada se escondia atrás da capa rosa do Jornal dos Sports em busca de novidades. As orelhas ficavam em estado de atenção quando os repórteres de rádio traziam as últimas dos clubes.

Os debates acalorados, as provocações entre jogadores, o Maraca lotado. Tinha até bate-papo na mesa do boteco para falar sobre o campeonato. Saúde!  Saudades dos jogos transmitidos pela Band, do “Tá lá um corpo estendido no chão”, das finais memoráveis, dos “Zicos” e “Cocadas”, da caravela de papelão e da barriga artilheira. Quem será o rei do Rio? Tínhamos rei, príncipe e bobo da corte.

Havia alma carioca no ar, o espírito gozador em campo. Por onde andará esse charme que tanto encantou os torcedores? Se perdeu numa esquina escura, envelheceu sem dignidade e foi trocado por um gringo qualquer. Meu camarada, quem é o culpado? Todo mundo tem sua parcela.

Sabe aquela mulher que tinha um corpão, mas que com o tempo foi maltratada, não se cuidava, ficou toda enrugada e o marido largou? Essa mulher cobiçada era uma taça que todo homem queria colocar na estante. Mas ela foi sendo castigada, humilhada até que perdeu o interesse. O amadorismo e o romantismo foram substituídos pelo profissionalismo. Não estávamos preparados para tanta mudança. O mundo da bola girou.

Ficamos presos na ampulheta do tempo. Os cartolas não cederam as mudanças e, quando finalmente as fizeram, deram um nó na cabeça do pobre torcedor. Regulamentos estapafúrdios, tentaram agradar muita gente para se perpetuarem no poder. Inchaço, calendário apertado, preços salgados, enxurrada de jogos, Maraca fechado, campos vazios, azar do torcedor.

Hoje, os clubes tratam a competição como uma mulher qualquer. Tá encostada num canto do bar. Não recebe mais elogios, vive sendo maltratada, nunca mais ouviu um fiu-fiu. Já tentaram acabar com ela, mas há quem ainda respeite a sua memória, as doces lembranças que nos proporcionou.

Vou vadiar por um campo qualquer. Sem aplausos nem galanteios, apenas sobrevivo, esperando um príncipe encantado que me acorde desse sono profundo. Assinado: um saudoso torcedor.   Vamos trocar uma ideia no twitter? @alexaraujo_75

Crowdfunding pelo futebol

Crowdfunding pelo futebol

Um dos clássicos de maior rivalidade do país, Atlético-MG x Cruzeiro tem em andamento um bacana projeto de livro através de financiamento coletivo (Crowdfunding), elaborado pelos pesquisadores Alexandre Simões e Wallace Graciano. Segundo eles a intenção da obra é “mostrar um outro lado da polêmica através de um denominador comum e contar uma das maiores rivalidades do país, que ainda não foi retratada em nenhuma obra, apesar de merecê-la“. A rivalidade entre os times é tanta, que o Galo considera 501 clássicos disputados até o momento, enquanto a Raposa contabiliza 484:

 

O grande entrave da obra é que não houve uniformidade de critérios adotados pelas entidades que regem o futebol durante a história do confronto. Para se ter uma ideia, o futebol chegou a ser disputado no Brasil com 80 minutos de jogo (dois tempos de 40 minutos) até meados da década de 1940, ao contrário dos 90 minutos já exigidos pela Fifa. Conforme passaram-se os anos, essas regras tornaram-se universais.

 

Por isso, foi preciso estabelecer algumas diretrizes antes de se iniciar a pesquisa. Assim, foram consultadas a Fifa e a CBF para se observar quais os critérios vigentes e aplicados para que um jogo fosse considerado oficial e pesquisadores da história do futebol, que explicaram os contextos históricos de cada período.

 

A partir desse momento, houve um cruzamento de dados com a lista de cada um dos clubes, além de pesquisas da RSSSF Brasil, Revista Placar, especiais dos principais jornais do Estado, Canto do Galo, Almanaque do Cruzeiro e Enciclopédia do Atlético.

 

Com a lista de jogos ‘controversos’, iniciou-se, posteriormente, uma pesquisa na Hemeroteca do Estado de Minas Gerais para conferir as regras aplicadas no período. Assim, chegou-se a um número final de jogos.

 

O próximo encontro entre as equipes está marcado para 4 de março de 2018, pela 9ª rodada do Campeonato Mineiro.

 

A última pesquisa feita no Brasil, a Lance/Ibope, de 2014, aponta que, juntos, Atlético e Cruzeiro possuem quase 12,54 milhões de torcedores em todo o Brasil (ou 6,6% da população). Porém, bem além dos números absolutos, a rivalidade entre os dois lados está no imaginário daqueles que são apaixonados pelo futebol. Segundo a mesma pesquisa, em Minas Gerais, os dois clubes possuem, juntos, 84% dos torcedores“.

Quem se interessar, basta acessar https://www.catarse.me/atleticoxcruzeiro. Existem diversos valores para contribuir, cada um com uma recompensa diferente.

Por Igor Serrano