O Maior Espetáculo da Terra

 O Maior Espetáculo da Terra

Chegou a hora do futebol dar passagem para a outra paixão nacional

É, chegou o carnaval…

Quem me conhece sabe que tenho história com a folia. São mais de 20 anos dividindo meu tempo como compositor de sambas de enredo, analista de carnaval e nos últimos dois anos me dedicando ao meu livro de ficção de carnaval chamado “Na passarela do teu coração”. O nome dessa coluna, onde escrevo há quase um ano, também é uma homenagem a folia. O nome “O mundo é uma bola” é o nome do enredo da Beija-Flor para o carnaval de 1986 quando conquistou o vice campeonato debaixo de uma chuva torrencial.

Não foram poucas às vezes que carnaval e futebol se misturaram. Depois de 1986 tivemos enredos famosos como da Estácio para o Flamengo em 1995, Tijuca com o Vasco em 1998 e da Imperatriz sobre Zico em 2014. Jogadores, treinadores e dirigentes sempre costumam desfilar em escolas de samba e várias foram as tentativas de torcidas de futebol montarem escolas no Rio. Experiência bem sucedida em São Paulo.

Tudo isso é natural porque o futebol e o desfile de escolas de samba são duas das maiores paixões nacionais. Fora do “campo” se assemelham em desorganização e falta de transparência, não há diferenças entre a CBF, FERJ e a LIESA, LIERJ E LIESB, entidades que comandam o carnaval carioca. Os “cartolas” do futebol ainda tem uma vantagem, pelo menos no futebol “vale o que está escrito”, time que é rebaixado desce mesmo, no samba escola grande sempre dá um jeito de ficar e há dois anos não temos rebaixamentos.

Mas sem dúvidas se tivermos que fazer uma comparação o carnaval tem muito mais a ensinar ao futebol que o contrário. Uma diferença fundamental vem nas torcidas. Um torcedor da Mangueira, da Portela ou do Salgueiro pode ser tanto ou até mais apaixonado que um torcedor do Flamengo ou do Vasco, mas essa paixão não deixa o torcedor cego. Você nunca ouviu falar que um grupo de torcedores da Mocidade se juntou e espancou até a morte um torcedor da Imperatriz.

Torcedor de futebol muitas vezes se transforma em bicho irracional quando anda em grupo e vê um torcedor de outro time. No samba não é assim, é normal que um torcedor de uma escola não só frequente outras escolas de samba como cante sambas dessas escolas e até passe na butique e compre uma camisa da mesma. Isso não lhe faz menos apaixonado por sua agremiação, lhe faz mais apaixonado pelo carnaval.

Valores são muito mais respeitados no carnaval que no futebol. O respeito ao valor dos mais velhos é um dos que mais me chama atenção. No futebol muitas vezes o velho craque é esquecido, no samba o craque nunca deixa de ser, mesmo velho.

Nunca me esqueço do impacto que era sair do túnel do Maracanã que dava acesso as arquibancadas e dar de cara com o campo e a torcida gritando. Mesma sensação só foi se repetir desfilando quando cruzava a Presidente Vargas e dava de cara com o Setor 1 da Marquês de Sapucaí e encontrando o público. Aquela curva tem magia como o túnel de acesso no estádio. A Sapucaí é um templo sagrado como o Maracanã. Ali tem vida, tem ancestralidade, tem sonhos que viram pesadelo ou se transformam em realidade. Tem história.

Que novas histórias sejam criadas nesse carnaval. Novos craques sejam consagrados e novos gols marcados pelos sambistas. A bola vai rolar na Passarela do samba.

Haja coração!!

Ps. A coluna dá uma parada e volta em duas semanas, afinal, também tenho direito a curtir carnaval.

Boa folia a todos!!

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