Os primeiros anos do futebol carioca

Os primeiros anos do futebol carioca

“Futebol Brasil Memória”

Um dos melhores livros sobre o futebol brasileiro foi lançado em 2006 pelo jornalista Claudio Nogueira. Na obra “Futebol Brasil Memória: de Oscar Cox a Leônidas da Silva (1897-1937)” (Editora SENAC-RJ), o autor narra os primeiros passos do esporte bretão em solo carioca, com a importação por intermédio de Oscar Cox e outros membros da elite local, passando por momentos marcantes como a escalação de Francisco Carregal pelo Bangu (considerado o primeiro jogador negro a ser escalado em época de racismo latente no esporte) e a vitória dos Camisas Negras do Vasco em 1923, formados por jogadores negros e de profissões humildes e que viriam a ser perseguidos no ano seguinte:

 “Quando e como se originou a paixão do brasileiro pelo esporte que veio importado da Inglaterra? Essa indagação deve ter passado pela cabeça de todos os brasileiros que amam o futebol. Indagação que envolve um quê de mistério: ao falar do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro, que completou cem anos este ano (2006), a intenção é tentar desvendar esse enigma.

Mas o livro não se limitará a isso. A obra nasceu de uma vontade e de uma constatação. Da vontade de trazer à tona um dos capítulos mais curiosos e saborosos da história social do país, que é o desenvolvimento do futebol no Brasil e especificamente no Rio de Janeiro. E da constatação de que os cariocas amam demais o futebol, mas sabem pouco sobre o surgimento, no Rio, do enorme fenômeno social em que esse esporte se converteu.

O começo não foi fácil, nem linear. Foi abrupto, polêmico e expressou conflitos e divisões existentes nas sociedades brasileira e carioca da época. Zona Sul e subúrbio; brancos e negros; elites e classes operárias; ricos e trabalhadores; amadores e profissionais. Todos, de alguma forma, foram atores nesse teatro de formação do futebol carioca. Será que alguns desses conflitos não duram até hoje?

O futebol chegou ao Brasil e ao Rio, especificamente, nas malas de jovens estudantes da elite, que haviam estudado na Europa, como um presente que se traz para pessoas amigas. Mas o povo se apropriou dele, e ao mesmo tempo em que os analfabetos e os pobres invadiram os campos e as arquibancadas dos clubes elegantes, foi tomando gosto e se apaixonando por esse esporte até então estranho, no qual os homens traçavam planos e estratégias para fazer com que uma bola impulsionada pelos pés invadisse as redes adversárias. Mais ou menos como o povo pobre, trabalhador e negro invadiu – como penetra – as festas da elite, dos ricos e dos brancos que jogavam futebol no final do século XIX e começo do século XX.

O objetivo deste livro não é o de contar campeonato por campeonato, mas o de narrar como ocorreu o processo de chegada, da aceitação, do desenvolvimento e de popularização do futebol no Rio” – diz o autor na apresentação da obra.

Contendo 284 páginas, “Futebol Brasil Memória” pode ser encontrado em sites e livrarias por um preço médio de R$ 40,00.

Igor Serrano

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