Clássico dos Milhões

08/03/2018

Por: Eduardo Lamas

O musical Clássico dos Milhões

A sadia rivalidade entre Flamengo e Vasco começou na música quando Murilo Caldas e Linda Marival gravaram em 1955 “Vasco x Flamengo”, do próprio Murilo e de Francisco Malfitano. A letra traça um duelo bem-humorado entre um casal, bem ao estilo Caju e Castanha, só que com o linguajar da época. A letra narra os dois gols de um empate em 1 a 1, com gol de bicicleta de Ademir Menezes para os vascaínos, e de Índio, “de patinete!”, para os flamenguistas. Outros jogadores que atuavam no ano em que o time da Gávea conquistou o seu segundo tricampeonato carioca são citados: Vavá, Sabará e Pinga, no lado cruzmaltino, e Pavão, Dequinha, Benítez, Zagallo, Joel e Rubens, no rubro-negro.

Ouça aqui “Vasco x Flamengo”: 

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Bem menos politicamente correta foi, já nos anos 70, uma dupla que tabela na música como Pelé e Coutinho faziam em campo: João Bosco, torcedor rubro-negro, e Aldir Blanc, cruzmaltino. De João e Aldir há uma música que certamente ainda levanta todos os pelos e cabelos das feministas, “Gol anulado”, que teve apenas seu trecho inicial tocado no episódio sobre Zico, lembrada na coluna passada. A composição, um folhetim musical bem rodrigueano, foi gravada pelo próprio João e pela tricolor Elis Regina, com a seguinte letra:

“Quando você gritou Mengo,
no segundo gol do Zico,
tirei sem pensar o cinto
e bati até cansar

Três anos vivendo juntos
e eu sempre disse contente:
Minha preta é uma rainha
porque não teme o batente,
se garante na cozinha
e ainda é Vasco doente

Daquele gol até hoje
o meu rádio está desligado
como se irradiasse
o silêncio do amor terminado

Eu aprendi que a alegria
de quem está apaixonado
é como a falsa euforia
de um gol anulado”.

Ouça aqui “Gol anulado”, na interpretação de Elis Regina: 

Falar de gigantes do futebol e da música brasileira logo me traz à lembrança um antigo vídeo que assisti há uns anos com o flamenguista João Nogueira e o vascaíno Sergio Cabral, o pai (é sempre muito bom frisar!). Busquei no YouTube para publicar aqui e – agora sei – trata-se de um curta-metragem sobre o pai de Diogo Nogueira chamado “Carioca, suburbano, mulato e malandro”, do fim dos anos 70. O filme começa com João e Sérgio, ambos trajados com seus mantos, numa loja de discos. No auge da disco music, eles se retiram indignados do estabelecimento comercial ao ouvirem “Born to be alive”, cantada por Patrick Hernandez, um grande sucesso nas rádios em 1979. Veja abaixo o curta de 13 minutos, com futebol e música tabelando no subúrbio carioca, com os dois craques que transitaram muito bem nas duas áreas coadjuvados pelo pessoal do Clube do Samba. De quebra, duas interpretações da belíssima “Súplica”, do próprio João e de Paulo César Pinheiro.

No programa Zona Mista da última terça outra dupla de gênios musicais entrou em campo. Um de cada lado. No campo cruzmaltino, Jacob do Bandolim, cujo centenário foi celebrado no último dia 14 de fevereiro, e no rubro-negro, Pepeu Gomes. “Vascaíno” e “Flamenguista”, instrumentais de primeira linha, dois choros de chorar de emoção nas arquibancadas da vida, tiveram trechos apresentados na Rádio Globo. Aqui, sem choro, nem vela, você pode curtir as duas nos vídeos abaixo.

Ouça abaixo o quadro da última terça (6/3/2018). É só adiantar o áudio para 1h11min:

Por Eduardo Lamas