Os Ismailys da seleção

Sorria, você está na Rússia! Ele provavelmente não disputará a Copa do Mundo, mas ganhou as manchetes dos cadernos esportivos ao ser convocado para os amistosos do Brasil contra a Rússia e Alemanha. Ismaily, lateral-esquerdo do Shakhtar da Ucrânia, foi chamado às pressas após o corte de Aleksandro, que já havia sido convocado por conta da lesão de Felipe Luís.

Desconhecido fora do Brasil, Ismaily entra para a lista de jogadores “inusitados” que vestiram a amarelinha. Alguns foram chamados porque estavam brilhando longe dos principais holofotes, outros eram cismas de alguns treinadores e tantos outros, provavelmente, tiveram a ajuda de empresários. Não sei se é o caso de Ismaily.

Parece que foi providencial e mais lógico sua presença nesses jogos. Como ele joga na Ucrânia e o Brasil está na Rússia, que fica logo ao lado, bastou ele atravessar a rua para ficar no banco do Marcelo, titular absoluto. A carência de jogadores reservas nesse setor específico também contribuiu.

Nas Copas do Mundo algumas convocações sempre chamaram atenção e foram contestadas, como as de Tita e Bismarck, no Mundial da Itália, em 90. Oito anos depois, na França, Zagallo resolveu apostar no desconhecido Zé Carlos, o Zé do Galo. Como Cafu estava suspenso e não poderia enfrentar a Holanda, o tremulo lateral encarou os holandeses na semifinal.

Podemos lembrar de outros jogadores que caíram de paraquedas nos Mundiais, como o volante Doriva, em 98, e Grafite, em 2010. Se deixarmos as Copas de lado, lembraremos de Sonny Anderson, Affonso Alves e do volante Leomar, chamado para a disputa da Copa das Confederações de 2001 pelo técnico Emerson Leão.

Mas a grande lembrança que eu tenho foi num jogo festivo, em 1990, no estádio San Siro, em Milão, na comemoração de 50 anos do Pelé. Acho que foi a única vez que tive a chance de ver o rei em campo. Já tinha visto outros craques das “antigas” na época da seleção master do Luciano do Valle.

No entanto, o maior de todos os tempos foi um coadjuvante em sua própria festa. Quem roubou a cena foi o atacante Rinaldo, jogador do Fluminense, debutando com a camisa do Brasil. Nosso trio ofensivo era formado por Pelé, Rinaldo e Charles Baiano, campeão brasileiro pelo Bahia, em 1988. Mesmo em jogo festivo todo mundo quer marcar, imagina o Pelé!

Mas em campo havia o Rinaldo que fazia sua estreia com a amarelinha. Era o momento de brilhar e aparecer para o mundo, arrumar um contrato bacana e ignorar o rei. Foi o que ele fez. Numa arrancada pela esquerda contra apenas um zagueiro do time das estrelas do futebol mundial, Pelé estava ao lado desmarcado, pronto para meter a bola na rede.

O que ele fez, amigo leitor? Rinaldo arriscou um chute, bola no mato e azeitona na empada na festa do Pelé. Rinaldo não marcou, tomou uma vaia colossal e nunca mais entrou em campo com o Brasil. O jogo terminou 2 a 1 para os times do resto do mundo, mas quem entrou para a história foi o Rinaldo.

Por Alexandre Araújo

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