Adeus Jesus Morlán

Adeus Jesus Morlán

Morre técnico que revolucionou a canoagem brasileira

O esporte brasileiro está de luto. Jesús Morlán, Técnico espanhol que comandava a equipe masculina de canoagem velocidade, faleceu depois de lutar contra um câncer no cérebro desde o fim de 2016. Apesar de desconhecido do grande público, Morlán pode ser considerado um dos grandes técnicos que passaram no esporte brasileiro.

Contratado em 2013 pelo COB para fazer da canoagem brasileira uma potência, Morlán fez história ao treinar o também espanhol, David Cal, e transformá-lo no maior medalhista olímpico da modalidade. Na época, os canoístas brasileiros iam às competições apenas para fazer número.  Isaquias Queiroz e Erlon Souza já eram os principais expoentes da canoagem no Brasil, mas a grande expectativa era a de que Morlán repetisse o que fez na Espanha. Isaquias, talentoso, apesar da grande força física e velocidade, pecava na disciplina. Imaturo, o brasileiro era figurinha fácil nas baladas e passava longe de uma vida regrada. Jesus trabalhou muito com ele. Vieram as medalhas nos mundiais e em apenas três anos, Jesús fez de Isaquias e Erlon grandes candidatos a medalha olímpica no Rio de Janeiro. E eles não decepcionaram. Isaquias ganhou três e Erlon uma medalha. O ouro não veio por que do outro lado tinha o alemão Sebastian Brendel, um fenômeno da canoagem.

Jesús passou a almejar o topo logo após os jogos do Rio. Aguardava Tóquio para conquistar o ouro. Nem mesmo a descoberta de um câncer o fez desistir. Morlán se recusou a voltar para a Colômbia – onde morava com a esposa e filha antes de fixar residência no Brasil – Ele permaneceu no Brasil para ajudar os canoístas brasileiros. O relacionamento do técnico com os atletas era considerado de pai e filhos.

Isaquias e Erlon, que fizeram ótimo mundial nesse ano, agora buscam forças para superar a perda. Certamente a dor será o combustível necessário em busca do ouro. Jesús será sempre lembrado por ser o homem que fez da canoagem brasileira uma das mais importantes do mundo.

Por Surto Olímpico

Saldo positivo até Tóquio

Saldo positivo até Tóquio

Ginástica brasileira mostra evolução para 2020

O mundial de ginástica terminou no último dia 3 e o Brasil saiu de Doha com uma medalha de prata conquistada por Arthur Zanetti nas argolas. Considerando-se apenas o resultado dá para dizer que a posição ficou abaixo do esperado. Por outro lado, se considerarmos o número de finais – oito – uma a mais do que em 2006, é possível dizer que o saldo é positivo. Vale dizer ainda que batemos na trave pelo pódio em duas oportunidades. Sem dúvida, 2019 promete ser um grande ano para a ginástica brasileira.

Gigante, Arthur Zanetti continua soberano entre os homens. O ginasta brasileiro, além de ser referência mundial nas argolas, tem contribuído em outros aparelhos na competição por equipes. Isto pode garantir mais vagas. Nas argolas, Zanetti deverá dominar a prova novamente no próximo ano, já que o grego Petrounias, mesmo desde 2015 levando vantagem nas principais competições da modalidade, terá de ser submetido a uma cirurgia no ombro. Zanetti, que está em franca ascensão, poderá aproveitar a oportunidade e melhorar ainda mais o seu desempenho. Sem problemas de contusão, o brasileiro passa a ser um dos favoritos a medalha em Tóquio

A seleção masculina está bem representada. O sétimo lugar conquistado no último mundial foi um bom resultado, mesmo sem Arthur Nory 100%. O brasileiro é um generalista e mantendo-se saudável será um grande nome para comandar o time brasileiro por equipes. Sérgio Sasaki é outro que pode contribuir demais para a equipe. Além deles, Diego Hypólito é outro que vai buscar a vaga em Tóquio.

Além deles, a seleção masculina ainda conta com Lucas Bittencourt, Caio Souza e Francisco Barretto. Sabe-se que para voos mais altos a evolução no cavalo com alça é fundamental. Este exercício ainda é a pedra no sapato dos ginastas brasileiros.

Saindo da seleção masculina, entre as mulheres, a lacuna técnica na disputa é menor (com exceção dos Estados Unidos que está anos luz à frente das adversárias). Talvez este ciclo seja o ciclo delas. O time feminino ficou na terceira posição na final por equipes até a prova das barras assimétricas, ponto fraco da seleção. Até então a competição foi acirrada. O Brasil caiu para a sétima posição, entretanto, exceto pelas barras e pela trave, dá para brigar por uma medalha por equipes. Claro, desde que Rússia e China não estejam em seus melhores dias.

Nas provas individuais, Flavia Saraiva é o melhor nome para sonhar com medalhas, em especial no solo e na trave – embora ela não tenha ido muito bem no mundial. Já Rebeca Andrade e Jade Barbosa superaram contusões e podem surpreender nos saltos. Ainda é possível contar com Thaís Fidelis e Daniele Hypólito. Não dá para descartar a possibilidade da vaga de especialista. Experiência e talento, ela tem de sobra.

Dá para afirmar que as três medalhas na Olimpíada Rio 2016 elevaram a ginástica brasileira a um patamar mais alto. O que foi confirmado neste mundial em que os brasileiros estiveram entre os melhores do mundo. No entanto, ginástica se vence no detalhe. São dois anos para trabalhar tudo isto – a ajuda do técnico gringo Valeri Liukin como consultor será fundamental – Quem sabe se não dá para trazer mais, ou pelo menos igualar, o número de medalhas conquistadas em 2016? É esperar para ver. Tóquio, te esperamos.

Por Surto Olímpico

Saldo positivo com os jovens

Saldo positivo com os jovens

Brasil volta dos jogos com 15 medalhas

Terminaram os Jogos Olímpicos da Juventude disputados em Buenos Aires. O Brasil saiu da terra dos hermanos com quinze medalhas sendo duas de ouro, quatro de prata e nove de bronze. Será que o desempenho do Brasil foi bom ou apenas mediano?

Neste caso em que apenas jovens de 14 a 18 participaram dos Jogos, o fator medalha não é tão importante assim. Para se ter uma ideia do grau de importância, mesmo no site oficial dos Jogos, não existiram o quadro de medalhas. O Brasil ficou na vigésima quinta posição.

O mais importante, como citei na coluna de duas semanas atrás, é dar vivência olímpica ao jovem competidor independentemente da conquista ou não de uma medalha. Os grandes destaques da delegação brasileira ficaram com o pessoal da natação, que viu todos os nadadores, o ginasta Diogo Soares, que ganhou duas medalhas (prata nas barras e bronze no geral) e mostrou que em breve vai estar na seleção principal. Outra atividade importante, o boxe, continua revelando talentos como Luiz de Oliveira (neto de Servílio de Oliveira, bronze em 68) e Keno Machado, dono de um dos dois ouros do Brasil. A seleção de futsal também fez bonito. Ela atropelou todos os adversários e faturou o ouro.

Por fim, ainda é difícil precisar quais são os atletas que vão estourar e em quanto tempo isto vai acontecer. A previsão do comitê olímpico brasileiro é de que os atletas que brilharam em Buenos Aires estarão em Paris 2024, mas nada impede de alguém faturar a vaga para Tóquio. O que importa é que mesmo com uma delegação mais enxuta, o Brasil fez um bom papel em Buenos Aires.

Por Surto Olímpico