Adeus Maria Esther Bueno

Adeus Maria Esther Bueno

Uma grande atleta sem seu devido valor

 Don Morley/ Reuters

Na última sexta-feira, todos recebemos com muita tristeza a notícia do falecimento da ex-tenista, Maria Esther Bueno. Ela perdeu a batalha contra o câncer aos 78 anos.  Uma das maiores atletas brasileiras da história, Esther pode, sem dúvidas, ser equiparada a nomes como os de Pelé, Adhemar Ferreira da Silva, Eder Jofre e Ayrton Senna. Os seus feitos são tão (ou até mais) memoráveis quanto os dos monstros sagrados citados anteriormente. Mas por que ela morreu sem o reconhecimento do grande público?

Maria Esther Bueno não foi para a Europa com um plano de carreira, ou com contatos na imprensa para mandar notícias de seus feitos. Ela simplesmente foi tentar a sorte na Europa. Isto porque a jogadora brasileira, na época, não tinha adversárias na América latina. Maria Esther foi, ainda na era amadora, disputar o circuito de tênis. Os títulos de Grand Slam vieram primeiro e posteriormente a fama no Brasil também. Antes, no exterior, Maria Esther passou a ser respeitada e admirada por todos os admiradores de Tênis. Oriunda de um país sem qualquer tradição na modalidade, Esther conquistou 19 Grands Slams em oito anos – sete no torneio de simples e doze no torneio de duplas.  Para se ter uma ideia do tamanho do feito da brasileira, Maria Esther ganhou passe livre no camarote da Realeza em Wimbledon e seu nome foi um dos mais falados pelas terras da Rainha nos anos 60.

Mas foi em 1999 que Maria Esther Bueno em uma entrevista ao jornal ‘O Globo’ revelou o seu quase anonimato no Brasil: “O problema é que no Brasil tudo é mais imediatista. Em um dia um jogador de futebol está lá em cima e no outro está acabado. Na Inglaterra não tem isto. Lá não existe outra coisa a não ser a tradição. Nós não passamos a história para as novas gerações. É gozado, eles me chamam de ex-tenista. Então, o que sou agora?”

Considerando-se que o tênis fosse um esporte totalmente desconhecido ou associado a elite, Maria Esther, por conta das competições no circuito de tênis, raramente pintava no Brasil. Ela brilhou no esporte enquanto ele ainda era amador. Não houve possibilidade de ela brilhar na era aberta. Nos últimos anos de vida da maior tenista brasileira de todos os tempos, ela recebeu grandes homenagens, entre elas, o nome da quadra central de tênis usada nos jogos Rio 2016. Mas tudo ainda foi pouco. Esqueçamos, por ora, este imediatismo bob e passemos a exaltar ainda mais os grandes atletas que puseram e ainda colocam o Brasil no alto do pódio.

OBS: Maria Esther Bueno nunca pode disputar uma Olimpíada. O Tênis saiu do programa olímpico em 1924 e voltou apenas em 1988. Azar dela? Não, azar dos jogos olímpicos.

Por Surto Olímpico

Jovens Sul Americanos

Jovens Sul Americanos

Brasil brilha em Cochabamba

 COCHABAMBA / BOLÍVIA (26.05.2018) Xl Jogos Sul Americanos 2018. Cerimônia de Abertura dos jogos no Estádio Feliz Capriles em Cochabamba, Bolívia..© Washington Alves/Exemplus/COB

Estão sendo disputados na cidade boliviana de Cochabamba (BOL) os jogos Sul-americanos. Competição esportiva que distribui muitas vagas para os Jogos Pan-americanos, que serão realizados em Lima em 2019. Como nossos vizinhos, com exceção de Colômbia e Argentina, não tem força nos esportes olímpicos, o Brasil sempre opta por levar jovens atletas na maioria das modalidades. A ginástica, que levou Flavinha Saraiva e Jade Barbosa, e o handebol, que levou muitos jogadores que atuam na Europa, são exceções.

Desta vez, a delegação brasileira foi bem enxuta para Cochabamba. É a sétima maior da competição. Tudo isto para evitar gastos. A redução implica na lógica de não levar atletas que não possam ter bons resultados. Parece que a tentativa sem vendo bem-sucedida. Com menos atletas a atuação do Brasil vem sendo muito boa até o momento. Até o último domingo são 48 medalhas de ouro e 111 no total contra 50 e 135 dos colombianos respectivamente.

É importante observar que os colombianos, fortes nos esportes não olímpicos (Raquetebol, Patinação inline em velocidade, squash, pelota basca, esqui aquático, entre outros) deveriam dominar os jogos desde o começo, mas não conseguiram. Tudo graças ao bom desempenho dos atletas brasileiros.

Os jogos Sul-americanos serão disputados até o dia 10 de junho e é muito provável que a Colômbia se garanta no primeiro lugar do quadro de medalhas. Ainda assim o Brasil deve sair de Cochabamba com um saldo extremamente positivo. Além do bom desempenho, os jovens atletas tupiniquins ganham experiência para as próximas competições. A expectativa do COB é que muitos deles brilhem no próximo ciclo olímpico. Quem sabe se se algum deles chegue ‘voando’ em Tóquio, não é?

Dança das cadeiras no vôlei de praia

Dança das cadeiras no vôlei de praia

Alison e Bruno Schmidt formam novas duplas

Alison e Bruno Schmidt causaram grande comoção em seus fãs ao anunciarem na última semana a separação da dupla campeã olímpica dos jogos Rio 2016. A mudança provocou tristeza, mas é algo que acontece frequentemente no vôlei de praia brasileiro a partir do momento que as duplas passam a não render o esperado. Bruno e Alison já não repetiam o mesmo desempenho da Olimpíada. A troca tem como objetivo “reencontrar” com outros jogadores o jogo perdido com o parceiro anterior. O que não se esperava era que os dois campeões olímpicos fizessem uma verdadeira dança das cadeiras entre as principais duplas brasileiras.

 FIVB/Divulgação

Nesta empreitada a grande surpresa foi o fim da dupla Evandro e André, campeões mundiais em 2017. Eles, inclusive, por pouco não venceram o prêmio de atletas do ano do Comitê Olímpico Brasileiro. A dupla liderava o circuito mundial e venceram a última etapa do circuito mundial em Itapema, Santa Catarina, há poucas semanas. André agora faz dupla com Alison. Ambos capixabas treinarão no Espírito Santo.

Já Evandro fechou com outro grande talento: Vitor Felipe. É mais um recomeço do zero para quem sabe obter o mesmo sucesso que teve anteriormente com André. Por sua vez, Bruno Schmidt vai reeditar a dupla com Pedro Solberg. Por fim, Guto, que sobrou nesta história, convidou o lendário Ricardo de 43 anos, craque que fez história no vôlei de praia ao lado de Emanuel com o título olímpico em Atenas 2004, para ser seu parceiro.

Fica difícil saber se as novas formações farão sucesso, mas ao menos é possível dizer que ficou pelo caminho uma dupla promissora com Evandro e André. Ambos encaixaram muito bem um com o jogo do outro. Venceram um mundial em que não eram nem considerados favoritos e vinham crescendo muito tecnicamente. Aposta certa para a Olimpíada de Tóquio em 2020 como a principal dupla brasileira. Por outro lado, para se ter uma dupla entrosada e de alto nível o tempo certo para mudanças era este. Boa sorte para Bruno, Alison e para as novas parcerias formadas.

Por Surto Olímpico