Tragédia anunciada

Tragédia anunciada

Brasil é eliminado no mundial de vôlei feminino

Se a seleção de vôlei masculino surpreendeu ao chegar à final, a seleção feminina deu vexame e caiu na segunda fase do Mundial. O time ficou em sétimo lugar, a pior posição em mundiais desde 2002. Na ocasião, a equipe ficou em nono lugar, graças a um boicote ao técnico Marco Aurélio Motta.

Por outro lado, Zé Roberto Guimarães merece todo respeito por ser tricampeão olímpico. Infelizmente, todas as apostas feitas por ele em jogadoras com problemas físicos sentiram a responsabilidade. Logo, dá para colocar na conta dele a eliminação. A verdade é que todas as jogadoras fizeram um Mundial bem abaixo do esperado. A derrota para uma seleção mediana (Alemanha 3 sets a 2) foi de tirar o fôlego.

O time sentiu muito. Para se ter uma ideia a Recepção brasileira foi sofrível. O saque também. O bloqueio então… Nem se fala. Lento demais. O jogo mostrou o péssimo desempenho da jogadora Roberta e Dani Lins, que nitidamente está sem ritmo de jogo, o que mostra mais uma bola fora de Zé Roberto. Jogadoras experientes não foram bem. Natália e Thaisa, assim como Fê Garay e Tandara, já conhecidas válvulas de escape do ataque, não renderam. Um mundial para se esquecer da memória.

A nossa seleção, na teoria, ainda é muito forte, mas teve um ano de 2018 muito complicado. Várias foram as atletas contundidas. Ainda assim, o trabalho de Zé Roberto Guimarães precisa ser mantido. Em 2019, o técnico vai ter de achar uma nova equipe titular para entrosar até 2020. Este parece ser o primeiro ciclo olímpico que Zé Roberto ainda não conseguiu achar jogadoras de confiança para o quinteto titular. O tempo está acabando – Itália, China, Sérvia e Holanda já saíram na frente para conquistar uma medalha. Bora Brasil!

 

Por Surto Olímpico

Jogos Olímpicos da juventude

Jogos Olímpicos da juventude

A Olimpíada das “categorias de base”

Jogos Olimpicos da Juventude Buenos Aires 2018 ? 06/10/2018 – Jogos Olimpicos da Juventude 2018 – Na foto cenas da abertura dos jogos realizada no centro de Buenos Aires. Foto: Jonne Roriz/Exemplus/COB

Começou no último sábado (6) a terceira edição dos jogos olímpicos da juventude em Buenos Aires. São 4000 atletas de 206 países experimentando pela primeira vez o gosto de uma competição olímpica A disputa é uma espécie de Olimpíada da categoria de base com atletas de 14 a 18 anos das mais várias modalidades esportivas. O COI usa os jogos para testar algumas até bem inusitadas. O Breakdance (sim, existe competição de Breakdance, por incrível que pareça) e o kart são algumas delas.

O Brasil foi para os jogos com uma delegação bem enxuta. São apenas 81 atletas. De acordo com a avaliação do COB, eles têm potencial para os jogos de 2024. Quem sabe até 2020, quem sabe? O fato é que os jogos são ótimas oportunidades para revelar novos valores. Nomes como: Thiago Braz, Isaquias Queiróz, Flávia Saraiva, Duda do vôlei de praia, Hugo Calderano, Ygor Coelho apareceram para o mundo assim e já viraram realidade.

Medalhas são importantes e a conquista delas é um indicativo promissor, entretanto o objetivo principal é dar vivência olímpica ao jovem atleta. Além disso, o COI usa os também para dar oportunidades aos países com menos estrutura (e grana) para sediar os jogos olímpicos. A cidade argentina, por exemplo, foi eleita para esta edição de 2018 e Dakar, do Senegal, em 2022. Será a primeira vez que o continente africano sediará um evento olímpico.

Vale lembrar ainda que a melhor participação brasileira em Jogos da Juventude aconteceu em 2014 na cidade de Nanjing (CHN). Foram seis medalhas de ouro, seis de prata e uma de bronze para o Brasil. Para este ano, o COB não estipulou metas, mas a expectativa é a de que o time brasileiro supere ou pelo menos mantenha o mesmo desempenho de 2014. Até o dia 18, fim dos Jogos, o Brasil segue na luta por medalhas. Vale a torcida.

Por Surto Olímpico

 O tetra não veio

 O tetra não veio

O que o vice-campeonato mundial de vôlei apresentou

A Seleção masculina de vôlei comandada por Renan Dal Zotto foi além do que era esperado e chegou a final do mundial pela quinta vez seguida – Só a antiga Tchecoslováquia tem mais participações consecutivas (6) em finais do que o Brasil – mas caiu, mais uma vez, diante da Polônia. A outra derrota aconteceu em 2014. Apesar dos pesares, o saldo pode ser considerado positivo, embora algumas falhas graves tenham chamado a atenção.

De positivo, talvez o que de melhor aconteceu, a presença do jovem Douglas Souza. O atleta de apenas 23 anos, que acabou virando titular por conta das contusões de Lucarelli e Maurício Borges, chamou a responsabilidade para si e se mostrou pronto para grandes jogos. Douglas virou ótimas bolas e foi fundamental na campanha, principalmente na partida contra a Rússia. Dois detalhes interessantes sobre o jogador: primeiro, ele foi aos jogos Rio 2016, mas praticamente não foi utilizado. A ideia era que ele adquirisse ‘experiência’. Segundo, Douglas se assumiu gay e se tornou o primeiro campeão olímpico brasileiro assumidamente homossexual.

Outro ponto positivo foi a manutenção do alto nível do time. Renan Dal Zotto merece méritos por manter a seleção no mesmo patamar deixado por Bernardinho. Mesmo diante de tantas críticas e do prognóstico “otimista” de que a seleção chegaria no máximo a semifinal, o time mostrou contrário e por pouco não trouxeram mais um título. A equipe fez um jogo espetacular contra os russos e seguiram irretocáveis contra a forte seleção sérvia nas semifinais. No entanto o jogo brasileiro não deu certo na grande final. Além do próprio comando de Renan, da revelação de Douglas Souza, Thales e Maique também se destacaram.

Mas nem tudo são flores e tanto o bloqueio quanto o saque brasileiro ficaram muito abaixo do que a seleção costuma apresentar. O bloqueio foi o mais decepcionante. Talvez por, historicamente, sempre apresentarmos ótimos centrais. Desta vez apenas Lucão se sobressaiu. Maurício Souza e Isaac renderam bem abaixo do esperado.  O saque forçado, outra arma poderosa da seleção, também deixou muito a desejar.

Ainda com as decepções, Wallace e Lipe renderam pouco. Muito marcados pelos adversários, eles não conseguiram ter um bom desempenho durante a competição. Lipe se ressentiu da contusão que o afastou por um tempo das quadras e fez o que pode. Este foi o seu último torneio pelo Brasil. O mesmo para o levantador William Arjona, de 39 anos.

A seleção sai do mundial frustrada com o vice-campeonato, mas ao mesmo tempo confiante com o bom trabalho realizado. Em 2019, os ponteiros Leal, cubano que se naturalizou brasileiro, e Lucarelli já deverão fazer parte do grupo, o que deixa a seleção muito mais forte. Fica, entretanto, a dura missão de encontrar um novo levantador para o lugar de Bruninho. Renan que se vire! Que venha o tão sonhado tetracampeonato olímpico.

Por Surto Olímpico