119 anos de lutas

119 anos de lutas

Barcelona comemora a própria história

Esta semana, precisamente no dia 29 de novembro, o FC Barcelona completa 119 anos de existência. Um clube que é oriundo de uma ideia despretensiosa de um suíço apaixonado por futebol, Hans-Max Gamper Haessig, na Catalunha conhecido como Joan Gamper.

 Joan Gamper (Getty Imagens)

Gamper foi considerado um bom atleta, de virtuoso vigor físico e aptidões físico-motoras. Um homem privilegiado. Em meados de 1899, Gamper resolveu reunir alguns homens da região de Barcelona para fazer um time de futebol. Como ele não tinha conhecimento dos onze aventureiros, resolveu fazer um singelo anúncio em um jornal. Convocou homens que gostassem de jogar futebol – na época, poucos eram aqueles que praticavam e se quer conheciam o esporte – para se apresentarem em um determinado local e horário. Para a surpresa do suíço, alguns se habilitaram e foram ao seu encontro. O primeiro objetivo foi cumprido. O próximo passo a ser dado a partir daí seria escolher o traje.

 Construção Camp Nou (Getty Imagens)

Em alusão ao tradicional time suíço FC Basel, Joan Gamper optou pelas cores vermelha e azul. No entanto, ao propor tais tonalidades ao alfaiate responsável pela fabricação dos uniformes, Gamper não pôde homenagear por completo o time suíço. A cor vermelha estava em falta no mercado e não havia previsão para a resolução do impasse. Foi então que o alfaiate ofereceu a cor grená como opção. Como única alternativa e talvez o tom mais próximo ao original, Gamper aceitou. Deu-se assim início ao clube Blaugrana.

 Francisco Franco (Getty Imagens)

O FC Barcelona, desde a sua fundação, em 1899, manteve uma relação intrínseca com a população da cidade. Muitos simpatizantes viraram torcedores, e posteriormente, sócios do clube. E graças a esta aliança entre clube e torcida, a equipe catalã construiu o próprio estádio. Um novo campo, o Camp Nou. Quisera o destino que o estádio, que inicialmente abrigaria apenas os jogos do time, se transformasse na materialização da democracia. Na época, no período entre 1936 até 1939, a Espanha viveu um dos seus capítulos mais sangrentos de sua história: a Guerra Civil Espanhola. Durante estes anos, milhares de espanhóis foram exilados, torturados e mortos. O conflito foi travado entre republicanos, anarquistas, comunistas, nacionalistas e falangistas. E por trás de toda esta iminente violência estavam Primo de Rivera e Francisco Franco. Após o período de Guerra Civil, o poder ficou concentrado ao General Franco. Ele impôs as suas vontades por meio de retaliações, imposições e censuras. Foi contra este governo ditatorial que apareceu o clube de origem estrangeira e marginalizado pela centralização de Madri.

 Camp Nou (William Godoy, Outubro 2017)

Vale ressaltar também que a Espanha possui diversas regiões autônomas. Cada uma delas têm a sua própria cultura e idioma. E uma das vontades do General Franco era a de uniformizar a língua para isto proibiu que as escolas ensinassem o catalão (basco). O povo se opôs a decisão e como protesto decidiu falar e cantar em alto e bom som o próprio idioma. O Camp Nou passou a ser palco para este tipo de manifestação. Claro, o clube sofreu severas punições por causa disso. O FC Barcelona sempre foi símbolo popular de resistência e sempre fez questão de demonstrar que não era intimidado pela ditadura de Franco. E foi assim até a morte do ditador em 1975.

Eis aí uma pequena amostra do que representou e representa o FC Barcelona, um clube que marca muitos golaços dentro e fora das quatro linhas. Uma instituição que nos traz a inteligência de Cruyff, a alegria de Ronaldinho e a genialidade de Messi. Um clube que pode não ser o maior de todos, mas certamente é o melhor. Afinal, é o único que é “ més que um club”.

Por William Godoy