Brasileiros na NFL

Brasileiros na NFL

Quem foram os pioneiros e quem serão os próximos?

  (Foto 1 – Cairo Santos – Streeter Lecka)

Já nos acostumamos a assistir brasileiros como Nenê, Splitter, Baby e Varejão atuando nas quadras de basquete americanas contra os melhores jogadores do mundo na NBA. No caso da NFL esse fenômeno ainda é raro, apesar de não ser, exatamente, recente, como vou mostrar ainda nesse texto. A verdade é que não chegam a 10 os casos de ligações Brasil-NFL. Brasileiro nato e que tenha entrado afetivamente em campo, apena um, Cairo Santos.

O primeiro registro de brasilidade na maior liga de futebol americano do planeta remonta a 1976, quando Antonio Hélio DiRienzo foi draftado na 212ª posição pelo San Diego Chargers, após sagrar-se duas vezes campeão da 1ª divisão do futebol americano universitário pelo Oklahoma Sooners, tendo inclusive anotado o chute do título e da campanha indefectível de 1974 (11-0). Seu nome foi por muito esquecido por um mal-entendido. Conhecido como Tony DiRienzo, no país que mais recebeu imigrantes italianos, a confusão sobre sua nacionalidade estava formada.

Bruno Giacomini, apesar de nascer em Massachusetts, foi o 2º caso mais emblemático de sangue brasileiro na NFL. Filho de casal brasileiro, Giacomini foi OL do Green Bay Packers em 2008 e de 2010 à 2013, atuou pelo Seattle Seahawks onde ajudou na conquista do Superbowl XLVIII. Desde 2014 atua no New York Jets.

Próxima tentativa? Maikon Bonani. Contratado em 2013 pelo Tenessee Titans, o kicker não conseguiu atuar. Os Titans preferiram o kicker dispensado pelo Kansas City Chiefs. Quem preencheu a vaga nos Chiefs? Cairo Santos, o maior case de sucesso tupiniquim nas terras do tio Sam. Cairão da massa, além de Kansas, defendeu o Chicago Bears e se prepara para atuar pelo New York Jets nessa temporada.

Vem por aí…

A exploração de novos mercados, a facilidade de intercâmbio, o aumento exponencial de popularidade do esporte por aqui, além do aumento expressivo de praticantes e melhora substancial no nível das ligas regionais e nacionais já fazem com que uma fila de brasileiros bata à porta da NFL. Destacam-se nessa sala de espera, Rafael Gaglione, kicker de Wiscosin, o mais cotado para a próxima vaga do Brasil na Liga e Henrique Ribeiro, também kicker, atuando na 2ª divisão do College com ótimo aproveitamento pelo Chattanooga. O irmão de Maikon Bonani, Marcelo Bonani é mais um que tem chances de dar seus chutes pelos campos americanos. Por último, Douglas Santos, atuando na 3ª divisão do College, com scouts expressivos, é um dos ainda mais raros compatriotas que tentam fugir da “maldição” do soccer. É um Running Back, nossa esperança com as mãos.

(Foto 2 – Douglas Santos – David Lee)

Espaço FABr

O tão esperado clássico aconteceu. Passando por cima de greve dos caminhoneiros e da inspirada defesa do Vasco Patriotas, o Flamengo Imperadores venceu o tease da final na 2ª prorrogação pelo placar de 12 a 6.

O jogo aconteceu nesse domingo (27) no Estádio Caio Martins e contou com boa presença de público para a modalidade e para as circunstâncias no país. Apesar da, sempre importante, vitória no clássico, o jogo não aponta o Fla como favorito para a final, já que ambas as equipes tiveram problemas para compor o elenco por conta da falta de combustíveis.

No dia 10/06, às 14 horas, promessa de grande espetáculo para definição do 1º campeão carioca de Futebol Americano Fullpad no gramado do Estádio Nilton Santos. Compre seus ingressos, compareça e ajude no fortalecimento da modalidade no Brasil!

(Foto3 – Fábio Nuno)

 

Por Fábio Nuno

​Produto importação

Produto importação

O que podemos copiar do futebol americano?

 (Foto: AFP)

Em campo

Já inicio meu texto firmando um compromisso de, em breve, olhar para a parte cheia do copo. Apontar um pouco do que teríamos e temos a oferecer ao futebol americano ou até mesmo do que não devemos copiar sob nenhum pretexto. Deixando de lado o spoiler das próximas colunas, o objetivo hoje é enumerar algumas das características que, antes de tudo, definem o esporte americano e, como citei em texto anterior, se copiadas competentemente, poderiam resgatar apreciadores do esporte bretão.

Começando pelo âmbito esportivo, propriamente dito, o primeiro e mais importante produto a ser importado é a filosofia dos treinamentos. Inegável o avanço da preparação física dos atletas de futebol, mas a diferença frente ao primo americano segue abissal, ao ponto de ser constrangedor chamar de atleta um jogador de futebol. Crescemos admirando jogadores que fizeram mais por menos. Um culto ao Deus “Migué”. Na terra do Tio Sam, talvez pela íntima ligação do esporte com a formação acadêmica, a crença é no binômio plantio/colheita. Um fenômeno curioso é que os poucos exemplos de atletas legítimos do futebol são extremamente longevos, quase objetos de estudos. Já imaginaram um time com onze Zé Robertos e Seedorfs?

Ainda sobre preparação, é comum enaltecermos espantados quando um goleiro acaba com uma disputa de pênaltis com base em estudos prévios sobre as preferências dos jogadores adversários na hora da cobrança. No futebol americano é difícil dizer o que tem mais importância no pré-jogo. Se é o físico, tático, técnico ou o estudo minucioso do adversário. São raros os técnicos, esses tidos com gênios, Mourinhos, Guardiolas, que são capazes de ler um padrão do adversário e preparar a sua equipe pra esses cenários específicos. Jogadores então, tendentes a zero.

(Foto: Elise Amendola)

A dinâmica do jogo é totalmente diferente, mas não é possível ignorar a relação de tempo que existe entre pré-temporada e temporada. Em duas semanas, como comumente praticado por aqui, é impossível tornar um time apto ao alto nível de competição. Em um mês também não, talvez nem em três meses. Como na fábula do lenhador, é preciso gastar mais tempo afiando o machado do que derrubando a árvore. O resultado são jogos tenebrosos, principalmente no início da temporada, além do progressivo processo de extinção das jogadas ensaiadas. Não há tempo. Como cada jogada disponível no playbook para um time de futebol americano é repassada minuciosamente, a offseason dura aproximadamente quatro meses, para cinco meses de jogos em alto nível técnico, do 1º kickoff ao erguer do Vince Lombardi Trophy.

Tecnologia, no pré, pós e durante o jogo ainda nos soa como bicho de sete cabeças. Quem assiste futebol americano já se acostumou à dupla comemoração de um touchdown, primeiro quando o jogador efetivamente ultrapassa a end zone e depois, quando o árbitro confirma após a análise de vídeo. A pergunta que não quer calar é: de onde surgiu a teoria de que o VAR acaba com a emoção do futebol? Em tese ele dobra a emoção! Sem contar com o substancial aumento da sensação de justiça quanto ao resultado real do jogo.

(Foto: Y.Lavat e Getty Images)

Bastidores

Saindo das quatro linhas, como o futebol é global, vou comparar o quesito organização com a média praticada pelo mundo. E é notória a diferença que a liga NFL especificamente, imprime frente à média das ligas de futebol espalhadas pelo mundo no tocante à estrutura e espetáculo. Quando você não está no Camp Nou, Santiago Bernabeu, Old Trafford e demais exemplos dessa magnitude, dificilmente seu dinheiro estará valendo o importância real do produto. Ainda é embrionária no nosso futebol a ideia de Game Experience (lembrando que o cachorro-quente Geneal, com todo respeito a marca, é um desserviço nesse sentido!). Não importa quantos SuperBowls você assista, o evento, que inclui um show de nível internacional, sempre vai ser surpreendente.

Voltando a falar em justiça, ela com certeza, não se dispõe a determinar de antemão os rumos de um campeonato. O que vende no esporte é a sensação de que existe a possibilidade, mesmo que remota de superação. Não por acaso, qualquer grande liga americana e esportes olímpicos culminam em playoffs. Mais uma pergunta que fica: quem foi o idiota que achou legal copiar e replicar o sistema de pontos corridos? Esse idiota se deu conta de que estaria sacramentando a mitologia por trás do futebol? Busque na memória jogos inesquecíveis, é quase certo, você vai escolher um jogo de playoff.

Por último, também já abordado em texto anterior, a organização financeira é sabidamente motivo de piada e indignação no futebol, favorece a poucos, quase sempre invisíveis, deterioram a disputa esportiva e quando somada à escolha do idiota supracitado, destrói impiedosamente o futuro do esporte.

Espaço FABr

(Foto: Fábio Nuno)

Como o primeiro Campeonato Carioca permanece aguardando o esperado clássico Vasco x Flamengo, vou me permitir dar um breve histórico da modalidade no Brasil.

Nasceu nas praias cariocas no início dos anos 2000, de onde até hoje, saíram a maioria dos times e uma grande quantidade de jogadores da elite do esporte nacional. Em 2007/08 ganhou contornos de coisa séria com a primeira partida fullpad no Paraná (Brown Spiders 33 – 10 Barigui Crocodiles) e a primeira partida da seleção brasileira em Montevidéu (Uruguai 20 – 14 Brasil).

Após um brasileiro de seleções realizado em 2009 com a vitória dos Paulistas, foi dada a largada para as ligas que dividiram o Brasil de 2009 a 2015 entre torneio Touchdown e Liga Brasileira de Futebol Americano. Em 2016, ocorre a tão esperada unificação das ligas pela CBFA e o reconhecimento como campeões nacionais, dos campeões anteriores de ambas as ligas.

O formato do nacional hoje é dividido em duas divisões, sendo a elite, Superliga Nacional de Futebol Americano, composta por conferências regionais que se enfrentam até a disputa do Brasil Bowl, tradicionalmente no final do ano.

 Relação de campeões nacionais:

2009 – Rio de Janeiro Imperadores

2010 – Vila Velha Tritões (TT)

2010 – Cuiabá Arsenal (LBFA)

2011 – Corinthians Steamrollers (TT)

2011 – Fluminense Imperadores (LBFA)

2012 – Corinthians Steamrollers (TT)

2012 – Cuiabá Arsenal (LBFA)

2013 – Jaraguá Breakers (TT)

2013 – Coritiba Crocodiles (LBFA)

2014 – Vasco da Gama Patriotas (TT)

2014 – Coritiba Crocodiles (LBFA)

2015 – Timbó Rex (TT)

2015 – João Pessoa Espectros (LBFA)

2016 – Timbó Rex

2017 – Sada Cruzeiro

Lembrando que o estadual retorna no dia 27/05/2018 às 14hs no Estádio Caio Martins. Grande expectativa pra mais uma página da história da modalidade no país e da rivalidade do clássico dos milhões sendo escrita.

Por Fábio Nuno

Faça a escolha certa

Faça a escolha certa

Quem ganhou e quem perdeu no Draft 2018

Existe uma frase de Brian Billick, ex-head coach do Baltimore Ravens, que diz muito sobre o Draft do dia 26 em Arlington: “necessidade é uma péssima avaliadora”. A verdade é que se você precisa muito de alguma coisa, você provavelmente irá cometer erros de avaliação no momento de negociar. Foi o que aconteceu em 2012 na última vez em que quatro quarterbacks foram draftados na 1ª rodada. O Seattle Seahawks e o Miami Dolphins precisavam de QB’s. Enquanto um precipitou-se na pick 8 ao escolher Tannehill, o outro, pacientemente, escolheu o jovem Russel Wilson na 3ª rodada. Deu no que deu.

(Foto: Elsa, Getty Images)

Aconteceu em 2004 na 22ª escolha com J. P. Losma indo para o Buffalo Bills, ainda Eli Manning, Philip Rivers e Big Bem no menu. Escolhas como estas dão origem a situações constrangedoras. Alguém concorda com Blaine Gabbert, hoje nos Tennessee Titans, a frente de J. J. Watt no Draft 2011?

Obviamente, os resultados das escolhas de quinta (26) ainda se encontram no campo místico do amanhã, mas frequentemente os quarterbacks são superestimados em Drafts. Apontado por muitos como primeira escolha geral certa deste ano, o QB de USC, Sam Darnold, foi preterido pelo Cleveland Browns, que optou pelo polêmico Baker Mayfield, QB bad boy de Oklahoma e vencedor do prêmio Heisman. Talvez a decisão de Cleveland tenha sido motivada pela tentativa de fuga das análises exacerbadas. Difícil saber!

PASADENA, CA – JANUARY 01: Baker Mayfield #6 of the Oklahoma Sooners throws a pass during the 2018 College Football Playoff Semifinal Game against the Georgia Bulldogs at the Rose Bowl Game presented by Northwestern Mutual at the Rose Bowl on January 1, 2018 in Pasadena, California. (Photo by Sean M. Haffey/Getty Images)

Vencedores do Draft 2018

New York Jets: caindo em contradição, os Jets herdaram o queridinho do Draft, Sam Darnold. Vale lembrar que a 3ª escolha geral foi fruto de uma “bem-sucedida” troca com o Indianapolis Colts. Darnold é o 3º QB mais jovem já draftado no 1º round desde 1970.

Baltimore Ravens: além do 1º tightend do board na 25ª escolha geral, os caras selecionaram ainda no 1º round o QB de Louisville, Lamon Jackson. Joe Flacco ganhou, em uma só noite, um brinquedinho, o TE Hayden Hurst e uma sombra.

Eli Manning: mostrar confiança no QB titular é a tarefa mais árdua e repetitiva do New York Giants nesta offseason. Ainda assim, a escolha da franquia na 2ª posição geral foi o running back Saquon Barkley de Penn State, mesmo com Darnold e Josh Rosen ainda à mesa.

(Foto: David J. Philip)

New Orleans Saints: em uma troca polêmica, os Saints entregaram ao Green Bay Packers uma escolha no 5º round de 2018 e uma pick de 1º round em 2019 só para subir da 27ª para 14ª posição neste ano. Apesar de talentoso, o edge rusher de UTSA, Marcus Davenport, não parece valer o capital de draft empregado.

Miami Dolphins: a história contada nos primeiros parágrafos continua sendo um problema em Miami. Na 11ª escolha, os Dolphins se contentaram com o safety Minkah Fitzpatrick. Tudo porque um dos QBs favoritos do Draft 2018, Josh Rosen de UCLA, foi para o Arizona Cardinals na escolha imediatamente anterior.

(Foto: Casey Sapio – USA Today)

Espaço FABr

Desde a última coluna, já rolaram 2 rodadas do 1º campeonato estadual do Rio de Janeiro com a participação dos grandes times cariocas. Vasco e Flamengo venceram em ambas as rodadas e já abriram caminho para o clássico decisivo.

O Flamengo Imperadores venceu a Rio Football Academy na 1ª partida por 20 a 13. O jogo mostrou-se complicado para o rubro-negro, que só conseguiu a vitória na prorrogação. Já no segundo jogo, apesar da dificuldade no início, os Imperadores venceram com facilidade o Volta Redonda Falcons por 16 a 3.

Por sua vez, o Vasco da Gama Patriotas não encontrou dificuldades nos seus confrontos. O Gigante da Colina venceu o Bangu Blaze por expressivos 73 a 7 e o Dark Olws por 19 a 0. A derrota veio, porém, depois do último jogo: quatro jogadores do Vasco Patriotas foram assaltados na Av. Brasil e tiveram os celulares, as mochilas e os equipamentos de futebol americano roubados, além de ficarem a pé.. O carro e parte dos pertences já foram recuperados.

Diante do lamentável episódio, a diretoria e os jogadores do Flamengo Imperadores ofereceram equipamentos para que o Vasco pudesse disputar a próxima partida, caso fosse necessário. Exemplo de grandeza, amor ao esporte e respeito ao adversário. Mais uma demonstração de união da comunidade do FABr e em especial a do Rio de Janeiro. Rivalidade sim, respeito sempre.

E por falar em Flamengo e Vasco, Vasco e Flamengo, o clássico acontece no próximo dia 27 no estádio Caio Martins em Niterói. O jogo vai ser um termômetro e servirá como prévia da disputa que valerá o título estadual 2018. Será que os dois irão com força máxima ou irão esconder o jogo? Vale conferir!

(Foto: Reprodução Instagram – Vasco Patriotas FA)

Por Fábio Nuno