Draft Day

Draft Day

Futebol brasileiro ‘on the clock’

  

(Foto: Adam Hunger, USA TODAY Sports)

Sempre que me aprouver, vou contrariar o bom senso. Vou insistir num perigoso e utópico paralelo, onde só os corajosos, burros e inconsequentes se habilitam. Confesso que comparar o incomparável, apesar de parecer justamente o contrário, é uma tarefa muito simples, já que trabalhar com imaginação é mais confortável do que o compromisso com os fatos e dados.

Dia 26/04 acontece em Dallas o Draft da NFL. Abrindo os trabalhos de comparações irresponsáveis, imagine, caro leitor, se no começo do ano, todos os times da série A do brasileirão se reunissem para selecionar, em uma ordem inversa da classificação do ano anterior, os melhores jovens jogadores da base. Provavelmente veríamos o Vinícius Júnior reforçando o Atlético-GO, o Paulinho no ataque da Ponte e por aí vai. Por mais esdrúxulo que pareça, é o que acontece, guardadas as devidas proporções, todo ano na NFL. As franquias disputam pick por pick os melhores atletas universitários, que a essa altura, já têm status de estrelas nacionais.

Nossa! Que sistema absurdo! Tem tudo para dar errado…

Sim, dá muito errado, os números desse “erro” são assustadores. A NFL fica ativa de setembro a fevereiro, apenas 5 meses no ano em média, e arrecada inexpressivos US$13 bilhões por ano. Além de ser a liga mais rentável do mundo, tem todas as suas 32 franquias (com seus sufocantes tetos salariais estritamente respeitados) na lista das equipes esportivas mais ricas do mundo. A título de comparação, depois da MLB, liga americana de baseball que segue a mesma metodologia, aparece a primeira liga de futebol da bola redonda. A premier league fatura US$5,3 milhões e o nosso brasileirão, em 11º na lista, fatura US$1 milhão por ano. (Dados: Howmuch.com em 2016)

Então a solução é selecionar os jovens, gênio?

Não necessariamente, mas é preciso aprender o básico da mentalidade empregada no case de sucesso. O sistema utilizado não impede pequenas dinastias, como assistimos recentemente com o New England Patriots, contudo, é nítido o esforço dos organizadores em manter a liga equilibrada. O fator dinheiro tem uma interferência muito menor do que observamos pelo mundo do futebol, e é nesse cenário que reside minha maior crítica ao futebol, fato que não me afasta da paixão, e minha grande admiração pelo futebol americano. Os americanos cultuam o esporte acima de seus próprios times. Eles não querem ser simplesmente os melhores, querem ver suas franquias triunfarem na liga mais disputada possível. Enquanto isso, nossa doença clubista, além de prejudicar o espetáculo é também a percursora de algumas cenas lamentáveis que assistimos em estádios e seus inevitáveis esvaziamentos.

Fico na torcida para que as novas gerações de gestores do nosso esporte número 1, tenham competência pra copiar o que deve ser copiado. Ou você nunca se perguntou como seria um brasileirão com divisão de cotas de igualitárias e teto salarial, ao invés do chatíssimo pontos corridos europeu (tema pra uma próxima)?

Espaço FABr

(Foto: Fábio Nuno)

Sim, existe Futebol Americano Brasileiro. E, com estaduais por todo país já consolidados, pela primeira vez a Federação Carioca de Futebol Americano – FeFARJ organizou um campeonato estadual com a participação dos grandes times cariocas do cenário nacional. Vasco e Flamengo estreiam nesse sábado 22/04 contra Blaze FA (às 10:00) e contra RFA (às 14:00), respectivamente. Os jogos serão realizados no Atlético Clube Santa Cruz com entrada franca e será uma ótima oportunidade para ambos se prepararem pra Superliga no segundo semestre e pros torcedores apreciarem um pouco do esporte que mais cresce no Brasil em número de espectadores, torcedores, praticantes e tecnicamente. O Botafogo optou por não participar desse 1º campeonato. Consulte e siga as redes sociais das equipes nacionais de Futebol Americano para mais informações.

Por Fábio Nuno