O Abismo 

O Abismo 

Flamengo consegue seu 35° carioca e aumenta o abismo no Rio.

Em dezembro de 2012 o Flamengo vivia uma grande crise. Sem dinheiro, dívidas milionárias, jogadores sem receber salários, flertando quase todos os anos com o rebaixamento, motivo de chacota nacional como nos casos da prisão de Bruno ou perda do R10. Nada parecia que poderia salvar o Flamengo que via naquele ano o Vasco chegar nas quartas de final da Libertadores, Fluminense campeão brasileiro com a Unimed e o Botafogo contratando Seedorf.

Um pouco mais de seis anos depois tudo mudou.

O Fluminense perdeu a Unimed, o Botafogo é o novo detentor da maior dívida do Brasil e uma situação me chama muito atenção. Dois anos depois do Flamengo mudar radicalmente sua gestão o Vasco também teve uma eleição, também teve sua chance e trouxe de volta Eurico Miranda. Naquele momento havia uma ruptura esportiva entre dois grandes rivais, ruptura que foi sentida nas finais do carioca.

Não lembro de um estadual conquistado com tanta facilidade como o Flamengo conquistou nesse último final de semana. O Flamengo não jogou nenhuma partida do nível que seu milionário elenco pode. O máximo que chegou perto disso foi no primeiro jogo das finais contra o Vasco. O Flamengo jogou a 60% do seu potencial. Em alguns momentos foi mal, negligente, indolente e traumatizado como na derrota para o Fluminense logo após a tragédia do Ninho. Na hora que decidiu ser campeão foi e com muita facilidade.

Quem conseguiu bater de frente em alguns momentos foi o Fluminense, mas o Flamengo sempre passou a impressão que conseguiria contra o adversário o resultado que necessitasse. Jogou melhor na partida da Taça Rio com um a menos todo o segundo tempo, jogou melhor na semi do estadual, momento em que foi mais ameaçado. Foi com os reservas superior ao Vasco em duas partidas e sobrou quando jogou com os titulares.

Nos jogos finais Flamengo 4 x 0 Vasco com dois gols anulados, um bem anulado, outro não. O primeiro jogo foi um massacre, no segundo o Vasco jogou sua grande partida do ano, o Flamengo claramente jogando pelo resultado e se poupando para quarta e novamente foi 2×0. São três anos, doze jogos que o Flamengo não perde para o Vasco, recorde histórico.

O abismo hoje é grande por competência administrativa e incompetência dos adversários que preferem brigar pro coisas como lado para sentar no Maracanã ou dar indireta em rede social na questão do “Festa na favela”. Administração do Flamengo não é um primor. Desde o Bandeira de Mello o clube fraqueja nas decisões maiores, virou chacota em situações como “cheirinho” e “segue o líder”, mas até isso mostra mudança de patamar. Antes a chacota era por rebaixamentos, agora por brigar por títulos nacionais e internacionais e não conseguir. As torcidas adversárias do Flamengo agora tem como maiores alegrias as derrotas do Flamengo.

O futebol é maravilhoso e por ser assim permite que essa fase passe, que mesmo milionário os adversários vençam o Flamengo, mas a tendência é que piore. Desde 2015 o Flamengo é o melhor carioca nos campeonatos brasileiros e no do ano passado o segundo melhor, Botafogo, ficou 19 pontos atrás. Esse ano a tendência é que ocorra de novo. Coloque dez, vinte pontos de frente, mas se o Flamengo perder o brasileiro vão comemorar sem se tocarem dessa situação.

Enquanto brigam por lado de campo, culpam divisão de dinheiro, “mamãe Globo” a distância vai aumentando e quando acordarem pode ser tarde demais.

Com o abismo ficando insuperável.

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Quase lá!

Quase lá!!

Flamengo esmaga o Vasco e fica próximo do 35° título estadual

Todo mundo sabia que o Flamengo era o favorito, os próprios vascaínos no fundo sabiam que o Flamengo era o favorito e a única chance nessa primeira partida era superar o adversário na disposição. Mas mesmo com todos sabendo a diferença técnica entre os dois elencos o que ocorreu domingo foi chocante.

O Vasco praticamente não conseguiu passar do meio-campo. Não que tenha feito de propósito, praticado um futebol reativo dando a posse de bola e esperando o adversário para dar uma emboscada. Nada disso, simplesmente o Vasco não conseguiu jogar. Sinceramente não lembro de um desnível tão grande em uma final no Rio de Janeiro quanto a de domingo passado. Isso quer dizer alguma coisa? Não e muito ao mesmo tempo.

Podemos dizer que não porque cada partida tem sua história, o Vasco tem uma camisa pesada e o ocorrido pode mexer com seus brios ao ponto de se superar e partir para uma conquista histórica. Mas vamos ser francos, não é isso o esperado. O que ocorreu quer dizer muito sim porque parece que começa a ir para o campo a disparidade econômica entre os dois clubes. Não digo que a disparidade seja a de domingo passado, mas os três jogos de 2019, esse e os dois em que o Flamengo jogou com os reservas de igual para igual com o Vasco completo mostra que existe sim uma grande diferença.

O Flamengo provavelmente será campeão carioca domingo, mas nem por isso é uma maravilha também. O primeiro tempo contra o San José foi ruim, conseguiu tomar um gol e passar sustos contra um adversário fraquíssimo. Contra o Peñarol, o melhorzinho dos times que enfrentou esse ano, foi pavoroso e perdeu em casa. Complicou-se em todos os jogos contra o Fluminense mesmo no final levando vantagem em quase todos.

O torcedor do Flamengo não pode levar o campeonato carioca como parâmetro, ok que é uma conquista e vencer sempre é gostoso, mas mesmo nos anos em que quase caiu como 2001 e 2004 foi campeão estadual. Cada vez menos o carioca é referência, ainda mais com a crise econômica pela qual passam seus três rivais. O campeonato passa a ser ainda mais enganoso.

Para o Vasco fica a preocupação de uma semana decisiva que começa desfavorável. Quarta tem Santos fora em um jogo que pode ser drama, um jogo em que a equipe vai em frangalhos para a Vila Belmiro, frangalhos que dependendo do que ocorrer no meio de semana podem aumentar domingo. O que será do Vasco no brasileiro? Não sabemos, mas uma perda do carioca pode fazer com que o clube abra o olho para não passar mais um brasileiro dramático. O mal que vem para o bem.

O campeonato chega na última partida com um claro favorito. No futebol tudo pode acontecer até mesmo o óbvio e se ele ocorrer a torcida rubro-negra deve comemorar domingo, está quase lá.

Mas ficam os exemplos de 2008 e 2017, títulos com decepções na Libertadores logo depois. O fantasma de Cabañas vive e assombra o rubro-negro. O fantasma do vice assombra mais uma vez o Vasco.

 

Por Aloisio Villar

Afinal, A Final.

AFINAL, A FINAL

Flamengo e Vasco começam final que se iniciou em 1988

Chegou o final do carioca e, por mais sorte que qualquer outra coisa, chegaram os dois times de melhor campanha, os vencedores de turno Vasco e Flamengo.

É um dos maiores clássicos do futebol brasileiro, jogo com rivalidade acirrada e grandes momentos em nossas lembranças, mas seria hipocrisia não admitir que chegam em momentos diferentes de sua história. O Flamengo hoje tem muito mais dinheiro e um elenco bem mais poderoso se tornando assim favorito ao título. Mas no futebol nem sempre o favorito sobressai, ainda mais em um jogo em que o time inferior tecnicamente tem uma camisa tão pesada quanto o Vasco.

A história recente mostra o quanto a camisa nesse momento vale mais que qualquer coisa. No fim dos anos 90 era uma situação contrária o Vasco era mais poderoso economicamente e tinha um elenco bem superior tanto que em um espaço de cinco anos, entre 1996 e 2001, venceu duas vezes o Flamengo por 4×1 e duas por 5×1. Mas mesmo essas surras não impediram que o clube duas vezes vice campeão do mundo no período perdesse três campeonatos estaduais consecutivos para um Flamengo inferior. O último, em 2001, com requintes de crueldade no gol de Petkovic.

O Vasco venceu quase tudo entre 1997 e 2001, mas não conseguiu vencer finais contra o Flamengo e assim vem sendo desde 1988 quando Cocada entrou para a história do clássico saindo da reserva aos 43, fazendo gol do título aos 44 e sendo expulso aos 45 depois de xingar o treinador rubro negro Carlinhos e provocando uma briga generalizada. Vascaínos e rubro-negros de mais de 40 anos se lembram bem dessa final e todas as piadas feitas com o doce cocada.

Várias finais ou jogos decisivos de estaduais vieram depois disso. De estadual 1996, 1999, 2000, 2001, 2004, 2011 e 2014, Copa do Brasil 2006, oito finais e todas com vitórias do Flamengo sendo a de 2014 com requintes de crueldade onde um gol claramente impedido de Marcio Araújo foi validado. Ao longo dos 31 anos supremacia rubro-negra, nos últimos quatro disputa acirrada com o Vasco impondo eliminações ao Flamengo nas semifinais de 2015, 2016 e Copa do Brasil de 2015 justamente nos anos em que o Vasco era inferior tecnicamente e até sofreu rebaixamento.

Todos esses detalhes dão esperanças as duas torcidas. Para a do Flamengo a freguesia imposta ao rival em finais desde que o presidente era José Sarney, ao Vasco por ser um dos clubes que mais vem se aproveitando da frieza e muitas vezes indolência do Flamengo pós reestruturação financeira. Tudo fica mais imprevisível quando lembramos que ninguém tem vantagem do empate e são apenas duas partidas com as equipes tendo Copa do Brasil e Libertadores no meio.

Cabe ao Flamengo se impor como clube mais estruturado e com um elenco muito melhor. Cabe ao Vasco recorrer a mística da camisa e tentar impor ao rival o veneno com o qual foi atacado em 2001 quando o adversário rachado e com salários atrasados conseguiu superar as adversidades e vencer com o ponto positivo que o Flamengo de hoje nem de perto lembra o Vasco de 2001.

Que os dirigentes não atrapalhem fora de campo aqueles que prometem ser os primeiros clássicos dos milhões de verdade em 2019.

E assim o Rio conhecer seu novo campeão.

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