Tite em dia de Dunga

Tite em dia de Dunga

Quando a seleção conhece a síndrome do “Empatite”…

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Muito se falou de Dunga e mal, mas convenhamos a trajetória dele não foi tão ruim como técnico da seleção brasileira, pelo menos em seu primeiro período. Fez uma bela campanha nas eliminatórias de 2010 e cumpria uma boa copa até a partida contra a Holanda onde fez um grande primeiro tempo. No segundo o Brasil tomou a virada, se perdeu em campo e foi a imagem de seu treinador que, não soube o que fazer com o fraco banco de reservas montado e “morreu” na copa sem mexer.

A segunda passagem pela seleção foi um desastre completo, um desastre acentuado pela péssima relação que o treinador tinha com a imprensa que se aproveitou da situação e massacrou o capitão do tetra.

Tite tem uma relação completamente diferente com a imprensa. É simpático, cara de gente boa, sabe soltar frases de efeito e é carismático. A imprensa, ao contrário de com Dunga, gosta dele e isso ajuda no tratamento dado, suaviza na hora das críticas. Claro que Tite é muito mais treinador que Dunga, tem um currículo vencedor e sua passagem na seleção é excelente. Mas tem defeitos como todos os mortais e teve domingo um dia de Dunga.

Corintiano sabe muito bem que time do Tite não dá show, busca resultados e é tênue a linha entre o sucesso e o fracasso porque uma bola é capaz de transformar um resultado conquistado na estratégia genial em jogo burocrático e sem sal. Tite através do Corinthians virou um grande técnico como também foi ironizado e chamado de “Empatite” quando as coisas davam erradas.

Domingo deu errado, o país inteiro conheceu a versão “Empatite” e Tite viveu seu dia de Dunga. Uma seleção sem criatividade, que se desorganizou ao tomar o gol, com Neymar achando que poderia decidir tudo sozinho e o técnico olhando o banco sem saber o que fazer. Exatamente como na era Dunga.

Mas Tite não é Dunga, é um cara legal, preferem procurar vários subterfúgios como erros de arbitragem que assumir que o treinador foi mal, foi mal nas mexidas e se mostrou tenso durante o jogo. Tite sentiu a pressão de jogar uma copa do mundo. Como Dunga sentiu em 2010 quando até brigou com a imprensa.

Tite teve um dia de Dunga, mas não é Dunga. O resultado foi ruim, mas já passou, é hora de olhar para a frente, esquecer o Var, analisar onde errou e finalmente estrear na copa. Mais importante que isso, voltar a vencer em uma copa do mundo, coisa que não acontece desde as quartas de final da copa de 2014.

Que Tite repita Dunga, mas o de 1994 e volte para o Brasil com a taça.

Não é hora para pânico..

..ainda

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Voe garoto!

Voe garoto!

Voe driblando as dificuldades

Bote a bola na frente e ganhe na corrida da miséria

Dê uma finta em um futuro pré determinado

Para garotos negros e pobres

Que nascem nessa pátria nem sempre mãe gentil

Voe garoto

Faça um golaço por sua família

Mude a história de sua comunidade

Dê um lençol no preconceito

Entre com bola e tudo nos campos do mundo

Voe garoto

Dê um olé naqueles que te menosprezam

Tire sarro da cara de quem te chama de Neguebinha

Bote entre as pernas dos que torcem contra você

Um menino humilde e lutador

Apenas porque odeiam o time que lhe deu chance

Voe garoto

Encha de orgulho uma nação que te ama

Que sente saudades do que não viveu com você

Voe, fique rico, ganhe prêmios, seja um vencedor

E volte

Porque melhor que voar

É voltar ao ninho com a missão cumprida

Voe garoto

Que nós voaremos com você

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O estagiário do mês

O estagiário do mês

E parece que o Flamengo engrenou…

Que o clube tem um bom elenco, um dos melhores do Brasil hoje poucos contestam, mas não engrenava, não dava liga e não era de agora. Ano passado o Flamengo viveu de altos e baixos, mais baixos que altos. Fez três finais de competições sendo uma Internacional e uma nacional, mas ao mesmo tempo saiu na primeira fase na Libertadores e ficou muito distante do título brasileiro.

Ver o Flamengo chegar na copa do mundo classificado na Libertadores, Copa do Brasil e no mínimo brigando pela liderança do brasileiro surpreende. Surpreende ainda mais quando pensamos que o ano de 2018 não corria diferente de 2017. Fracassou no campeonato carioca e vinha fazendo apresentações pífias. O que mudou?

Na verdade o que mudou foi que as atuações começaram a acompanhar os resultados porque esses estavam melhores que o futebol jogado. Na frieza dos números o Flamengo foi mal apenas no campeonato carioca onde mesmo assim fez a melhor campanha.

Está invicto na Libertadores, desde 2007 não acabava a fase de grupos invicto e até o momento que essa coluna é publicada o time titular só perdeu um jogo no ano. Semifinal do carioca para o Botafogo.

É um time que perde pouco e perde pouco porque é um time que leva poucos gols. Isso ocorrer durante o campeonato carioca é até normal, a questão é que nesse meio tem três campeonatos pesados também sendo jogados.

Mérito do “estagiário”, forma pejorativa que a chata torcida do Flamengo apelidou o treinador Maurício Barbieri. Barbieri não nasceu no Flamengo, não tem vivência de Flamengo, chegou apenas em janeiro, e teve que aprender e entender o clube de forma rápida.

Não inventou fórmula mágica nem reinventou o futebol. Barbieri usa em suas táticas o futebol reativo tão em moda fora de casa, o jogo em que se busca uma bola e deu errado contra o River e certo contra o Atlético. Em casa faz o que é histórico no Flamengo. Parte para cima do adversário embalado pela torcida.

Barbieri fez o simples e muitas vezes o simples faz toda a diferença. Estudou o time e estuda os adversários no meio da maratona de jogos, mexeu no posicionamento dos jogadores de criatividade conseguindo tirar mais deles e fez da defesa uma muralha (muralha no bom sentido).

Ainda está longe do ideal e o teste de fogo vem após a copa com a maratona de agosto. Mas as coisas estão indo bem. O “deixou chegar” chegou logo no começo e o cheirinho segue o líder.

Barbieri é o estagiário do mês.

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