A novidade nem tão nova assim

A novidade nem tão nova assim

França é a maior novidade dessa copa, mas será mesmo?

Acabou a copa e como esperado na reta final a França venceu. França que chega assim ao segundo título mundial, terceira final em vinte anos, fora o título da Eurocopa em 2000 finalista em 2016. É uma nova potência do futebol mundial, uma novidade, mas nem tão nova assim.

Nem tão nova assim porque o futebol na França não surgiu em 1998 com o título mundial. Antes disso teve a geração de Platini que nos anos 80 chegou a duas semifinais de copa e venceu a Eurocopa em 1984, bem antes teve a semifinal em 1958. Pode ter se confirmado como grande potência nos últimos vinte anos, mas futebol competitivo sempre teve, só não era tão constante.

Eu uso esse exemplo da França como a “novidade” para dizer que estamos banalizando o termo. Bélgica e Croácia são chamadas de sensações, novidades e por suas atuações dizem que uma nova ordem no futebol mundial surgiu e não é verdade, pelo menos por enquanto.

Temos uma fantástica geração belga que vem conseguindo resultados interessantes e uma Croácia com alguns excelentes jogadores que conseguiu a façanha do vice campeonato mundial. Mas são uma geração que cada país teve, para poderem se firmar como novidades ou estabelecer uma nova ordem tem que surgir outras. O mesmo serve, inclusive, para a Espanha que conseguiu duas Eurocopas e um mundial entre 2008 e 2012, mas depois disso voltou a resultados de antes da geração de Iniesta.

Bélgica e Croácia conseguiram um feito. Como Hungria em 54, Holanda em 74 e 78, Bulgária e Suécia em 94, a própria Croácia em 98, Turquia e Coreia do Sul em 2002. A Grécia foi campeã da Europa em 2004. Tirando a Croácia todas voltaram ao patamar de antes, convém esperar.

Adoram vaticinar, dar certezas sempre que acaba uma copa. Determinaram que o futebol sul americano é decadente por ter perdido as últimas quatro copas do mundo. Evidente que são resultados ruins, mas dois dos três melhores jogadores do mundo são sul americanos e de 1930 até 1998 a América só venceu um mundial fora do continente sendo em 1958 na Suécia. Outra final só em 1990 na Itália com a Argentina.

O que mudou é que tivemos de 1978 para cá apenas duas copas na América. Uma em 1994 quando o Brasil venceu e outra em 2014 quando a Argentina foi vice. O ritmo das mudanças no futebol não é tão rápido quanto imaginamos.

De certeza só a França, o restante só perguntas.

Vamos esperar se o Qatar responde..

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O país onde é proibido perder

O país onde é proibido perder

Derrota aqui é roubo ou humilhação… 

Não perdeu na loteria dos pênaltis como em 1986, não perdeu com uma seleção mercenária e confusa como 1990, não perdeu com episódio estranho como em 1998, não perdeu por apatia como em 2006, não perdeu por pane e perder a cabeça como em 2010, não foi humilhado como em 2014, não perdeu dando banho de bola como em 1982 nem foi roubado como em 1978. O Brasil simplesmente perdeu.

Perdeu tendo um bom time e fazendo um bom futebol para o bom time da Bélgica que também praticou um bom futebol. Podia ter vencido, mas perdeu. Não foi uma injustiça dos Deuses a seleção não ter ganho assim como não foi uma tragédia, um desastre que levou a tal situação. Foi uma derrota normal e é isso que dificulta tudo porque no futebol não existe derrota normal para o brasileiro.

O Brasil é o maior vencedor de copas do mundo e temos orgulho das nossas cinco conquistas. Mas se analisarmos que foram vinte e uma copas e ganhamos cinco é sinal que perdemos dezesseis, em quatorze nem na final chegamos, em dez nem entre os quatro primeiros!! É muita coisa!! Todo grande jogador da história do futebol brasileiro participou de uma perda de copa do mundo, até Pelé e Garrincha, mas mesmo assim, mesmo tendo perdido mais que o triplo das vezes em que venceu o brasileiro não admite perder uma copa.

Sempre tem alguma coisa para falar. Nessas horas o brasileiro exerce as duas situações que mais gosta na vida que são se fazer de vítima dizendo que foi injustiçado, roubado ou então a caça às bruxas, encontrar culpados e massacrá-los de forma impiedosa. De vez em quando vem a terceira situação que amamos que é a “teoria da conspiração” com coisas como “Se soubessem o que ocorreu na copa de 1998 ficariam enojados”.

Isso é babaca, é cafajeste porque sempre a culpa é nossa  sempre tem um vilão nosso e nunca é mérito do adversário. A França ganhou em 1998 porque jogou mais  não foi devido a convulsão de Ronaldo e provavelmente venceriam também com ele bem. Uruguai em 50 e Itália em 82 tinham grandes times, ao contrário do que tentam vender aqui, A presença de Neymar em 2014 não impediria a eliminação e a Bélgica em 2018 tem todos os méritos em se classificar. Não jogamos mal, não fomos roubados, não teve pênalti perdido, jogador expulso infantilmente, ninguém se omitiu na partida e nem o Neymar, o mais execrado, foi tão mal assim tentando resolver até o último segundo e sem cair.

Repudiam, execram Fernandinho e Neymar lhes tornando os maiores vilões do país da atualidade, cometendo atos racistas contra o Fernandinho quando são apenas jogadores de futebol. Depois da eliminação tivemos acontecimentos mais desprezíveis, personagens mais execráveis atuando e não tiveram o mesmo repúdio que os atletas, vai ver porque roubam o povo, se acham acima de leis, ajudam membros de suas igrejas, mas não perderam copas do mundo.

O ser humano perde mais que vence durante a vida, tem mais fracassos que sucessos, o brasileiro em especial é assim. Apanha, é humilhado, sacaneado todos os dias. Por tudo isso tem baixa auto estima, é um coadjuvante no planeta e por no futebol ser protagonista se coloca e coloca nos outros uma pressão que não existe em outros ramos de seu dia a dia. Joga suas frustrações, suas humilhações diárias em seus clubes, na seleção e não tolera o fracasso desses.

Um exercício de humildade, de reconhecimento do valor alheio nunca fazem mal a ninguém. Precisamos disso, só assim voltaremos a ser dominantes.

E pararemos de tomar 7×1 diários..

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Hora de dar tchau 

Hora de dar tchau 

 As estrelas não brilham na copa..

 

Essa copa está meio louca, zebras passeiam soltas por toda a Rússia levando seleções e grandes astros de volta para casa. Chamam a atenção dois em especial que voltaram no mesmo dia. Messi e Cristiano Ronaldo.

 globoesporte

Os dois competem de forma agressiva há dez anos e são tão competitivos, tentam tanto um superar o outro que um foi eliminado e o outro foi horas depois. Messi e CR7 são gênios, grandes craques, mas parece definitivamente que não nasceram para a copa do mundo.

Ambos já passaram dos trinta anos e até tem idade para jogar mais uma copa, mas nada garante que irão querer participar de mais uma e como estarão em 2022. São gênios, mas são humanos então é natural que em algum momento entrem em decadência.

Não serão os primeiros grandes craques a não ganhar uma copa do mundo, mas pelo tamanho que alcançaram graças ao imenso talento e serem produtos, no bom sentido, dessa era midiática onde a imagem é tudo chama muito a atenção e faz discutir o futebol moderno.

Os dois juntos tem dez bolas de ouro, algo inacreditável, mostram há anos pelos campos da Europa e principalmente na UEFA Champions League toda a força e talento. A citação a UCL mostra bem o futebol de hoje.

Mostra porque antigamente copa do mundo era o ápice do futebol, onde os grandes craques mundiais se encontravam e novas tendências eram mostradas no esporte. Hoje isso tudo ocorre na UCL graças aos super times montados fazendo a copa perder peso de importância para definir um grande jogador.

Messi e Cristiano são grandes, gigantes e continuarão sendo mesmo sem a copa do mundo. Só não posso colocá-Los entre os maiores de todos os tempos porque o maior tem que ser maior em tudo e mesmo não tendo mais o mesmo peso a copa do mundo é ainda muito importante.

Messi e Cristiano não ganharam a copa? Azar da copa.

Mas azar deles também.

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