A indignação rubro negra 

A indignação rubro negra 

O Flamengo é uma das maiores vítimas da tragédia, mas o rubro negro ainda não entendeu

Como diz a música do Skank “Quem não sonhou em seu um jogador de futebol?”. Eu nunca joguei nada, sempre fui perna de pau, mas também sonhei com esse momento. Aquele gol de placa aos quarenta e oito do segundo tempo no Maracanã decidindo um campeonato e enlouquecido indo para os braços da geral. Todo mundo sonhou com isso.

Os dez meninos que morreram sonhavam com isso. Viram no Flamengo a oportunidade de alcançar seus destinos e, mais que isso, mudar de vida, mudar o destino selado para eles e suas famílias.

Deviam ser rubro negros apaixonados. O Flamengo é um dos maiores clubes do mundo, um dos que, diziam, melhor tratar suas bases. Uma chance de ouro vide o recente sucesso de estrelas do Ninho como Paquetá e Vinicius Jr. Mas os sonhos desses meninos viraram cinzas, acabaram sob chamas. Uma tristeza sem fim.

Antes de mais nada quero dizer que sou rubro-negro. Flamengo do tipo que não vê alguns jogos de tão tenso que fico e já chorei até com conquista de Taça Guanabara.

Sou tão rubro negro, tão apaixonado pelo Flamengo que estou revoltado com o que fizeram com o clube. A imprensa? O poder público? Não. Então quem fez mal ao Flamengo? Seus dirigentes. Seus dirigentes que não tiraram todos os alvarás necessários, seus dirigentes que não fizeram trabalho de prevenção de incêndio, seus dirigentes que negligenciaram a segurança de seus meninos. Seus dirigentes que não foram capazes de colocar disjuntores para desligar tudo em caso de curto em picos de luz o que permitiram extintores com força de “xixi de neném” conforme relatos. Seus dirigentes que só fazem pronunciamentos e não tem colhões pra fazer coletiva, responder perguntas. Não, não é para a imprensa que devem satisfações, é para nós!!

A torcida do Flamengo (boa parte) vem tentando “passar pano”. Tentando utilizar várias teorias para tirar a culpa do Flamengo e culpando a tudo e a todos sem perceber que ele é o que tem que estar mais indignado com tudo. Perdão pela má palavra, mas eu to puto!! To puto com as mortes de jovens sonhadores que depositaram no meu clube de coração seus sonhos, to puto com dirigentes soberbos que acham que nada irá acontecer dentro do clube deixarem que sua imagem seja manchada dessa forma.

Evidente que o Flamengo tem culpa no que ocorreu, não dá para tapar o Sol com a peneira, a única diferença da tragédia do Ninho do Urubu das de Santa Maria e quedas de barragens é que a boate Kiss e a Vale não têm torcidas apaixonadas. A do Flamengo é apaixonada, nós somos apaixonados, nós somos a mãe que passa a mão na cabeça do menino dizendo que ele é bom, só está andando com más companhias sem perceber que se passar a mão apenas, se não abrir os olhos e tentar fazer algo o por acontece.

Nesse caso o pior aconteceu.

Os dirigentes do Flamengo tem culpa. Tem culpa na morte dos jovens, tem culpa de um pouco do Flamengo que morreu na sexta. O clube que salvou tantos jovens da miséria agora tem essa mancha em sua história.

Eu odeio o goleiro Bruno, aquele que nos deu tantas alegrias e um título nacional. Odeio porque ele matou um ser humano e por consequência manchou a imagem do Flamengo de tal forma que até hoje ele não se recuperou. Minha escalação do time campeão brasileiro de 2009 começa pelo Léo Moura. Um título brasileiro é menor que a marca do capitão daquele time ser um assassino.

E execro os responsáveis por essa tragédia que igualaram o Flamengo a boate Kiss e a Vale. O Flamengo é vítima e seus algozes deviam lhe proteger, cuidar dele. O rubro negro tem que ser o mais indignado por permitirem essa maldade com o clube. Sua torcida que deu show homenageando os meninos não merecia isso.

Meninos sonhavam ser craques, seus pais entregaram seus filhos ao Flamengo e agora o Flamengo lhes devolve em caixões, Não há passada de pano que seque isso.

Descansem em paz meninos rubro-negros.

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O tal “Giselo”

O tal “Giselo”

Mais um Superbowl e o Giselo vai deixando de ser Giselo

No último domingo ocorreu o Superbowl. Para quem não sabe o SuperBowl é a “final” da Liga de futebol americano, um futebol que quase nunca se usa as mãos. A tal liga, a NFL, é a menina dos olhos da ESPN sendo para a emissora o equivalente ao Chaves no SBT. O Superbowl é como se fosse o episódio do Chaves em Acapulco para os “fãs do esporte”.

Se você quer irritar o fã da NFL tem dois bons caminhos. Um é chamar o Superbowl de “Final do Superbowl”, o Superbowl já é a final, então não tem porque chamar de final da final. Outra coisa é chamar o marido da Gisele Bundchen de marido da Gisele Bundchen, eles ficam loucos com isso. Agora existe uma expressão que ajuda ainda mais a provocar essas pessoas que é chama-lo de “Giselo”.

Estamos falando de Tom Brady. Para o mundo inteiro um dos maiores esportistas de todos os tempos, para o brasileiro gozador o marido da Gisele Bundchen ou Giselo. Evidente que a supermodelo, orgulho brasileiro, é mais famosa aqui que ele, mas Tom Brady vem alcançando importância no Brasil fazendo com que essas expressões virem mais provocações mesmo do que modo de identifica-lo.

O esquisito esporte onde o jogo fica mais tempo parado que em movimento e se chama futebol usando quase que totalmente a mão é cada vez mais popular no Brasil. Não tanto quanto seus fanáticos querem passar, ainda perde fácil em audiência para uma escolha de paredão do BBB, mas vem ganhando importância sim. Domingo voltava da praia e reparei que alguns restaurantes mostravam a partida e um pub oferecia rodada gratuita de chopps a cada touchdown, que vem a ser o gol do esporte.

É fácil perceber o porquê desse aumento. Passar na tv ajuda a popularizar. A NBA tornou-se um fenômeno no Brasil quando a Band começou a mostrar os jogos. A Manchete mostrava o Superbowl e ali me tornei fã dos 49ers e de Joe Montana, mas na ESPN que o esporte ganhou dimensão com a temporada toda sendo mostrada e mostrada com agilidade, com pessoas que entendem do assunto com transmissões leves, engraçadas e carismáticas de gente como Everaldo Marques, Paulo Antunes e o incrível Rômulo Mendonça.

Tudo isso também se deve ao fato de termos cada vez mais transmissões internacionais em nossa tv. Hoje é fácil torcer para o New England Patriots do “Giselo”, o Barcelona do Messi ou o Golden States Warriors do Stephen Curry não precisando mais que o torcedor fique preso a mediocridade do futebol brasileiro, existem opções até porque graças a violência e preço dos ingressos hoje a frequência a estádios é muito menor então a chance da maioria de ver o Tom Brady em ação ao vivo é a mesma que ver um jogo no Maracanã.  Não tem nada de certo ou errado nisso, em se deixar de ver um jogo do medíocre campeonato carioca para ver o superbowl. A informação hoje é mais fácil e isso projeta esportes onde existam ídolos porque é isso, esporte em alta tem ídolos.

Foi assim o auge da F1 com Piquet e Senna, basquete brasileiro com Oscar e o UFC com Anderson Silva e José Aldo. Foi assim que a NBA se popularizou com Magic, Byrd e Jordan, foi assim que os 100 metros no atletismo popularizaram nos últimos tempos com Bolt e natação Phelps. É assim que a NFL se populariza por aqui, porque tem um astro e mais que isso, um astro casado com uma brasileira o que faz muitos torcerem por ele por ter “um pouco de Brasil”,

O “Giselo”, ou melhor, Tom Brady é isso. É rico, famoso, bonito, corpo atlético, veterano para seu esporte, mas jovem de vida, casado cum uma mulher desejada e famosa, cérebro de seu time, o quaterback que vem a ser a inteligência em um jogo de brucutus e corredores e, principalmente, um vencedor, o jogador que mais títulos conquistou em um esporte que antes de tudo é um show com grandes atrações em seus intervalos e a propaganda mais cara da tv mundial.        

Tom Brady é do tamanho de Ali e Jordan com a vantagem que pega um esporte popular em seu auge mundial e no auge da era da informação, do marketing rápido e do consumo de celebridades. Ele é mais que marido de uma celebridade, é a própria celebridade, o maior esportista da atualidade. É, o Giselo é sinistro.

E a NFL começa a desfilar no Brasil.

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Um bom começo

Um bom começo

Santos, Vasco e Fluminense espantam a crise e largam bem

Os nomes da moda são Palmeiras e Flamengo. Os times mais badalados do futebol brasileiro, mais decantados, considerados os esquadrões para 2019, mas nem só de Palmeiras e Flamengo vive o futebol brasileiro e pelo menos nessas primeiras semanas da temporada três times largam bem, justamente times que estavam em crise.

Santos, Vasco e Fluminense apanharam bastante nessa virada de ano. Santos é um caso inexplicável, o clube que mais produziu e vendeu bons jogadores nas últimas décadas, entre eles Neymar, e está sem dinheiro. Perdeu algumas de suas maiores estrelas como Gabigol e Bruno Henrique para o Flamengo, vive crise política interna e com o time mais enfraquecido preocupa seus torcedores.

Mas teve uma grande sacada em contratar o treinador Jorge Sampaoli. O técnico veio em baixa da copa, mas sem dúvidas é um dos grandes do futebol mundial. Polêmico como no caso de exigir um goleiro que saiba jogar com os pés Sampaoli sobreviveu, pelo menos até agora, ao caos santista. Disse se sentir traído no caso da saída de Bruno Henrique, muitos apostam até quando ele vai aguentar os problemas do time da Vila, mas o técnico argentino vai levando e muito bem. O time começou forte o campeonato paulista e deu um banho no São Paulo vencendo por 2×0 em um placar que foi barato. Sampaoli e Santos ressurgem juntos.

Crise política. Essa também é a marca dos cariocas Vasco e Fluminense. O Vasco até agora tem briga devido a última eleição para presidente do clube e o Fluminense passa por um processo de mudança de comando que ele não tem a mínima ideia de como será enquanto o presidente Abad cai em desgraça. Assim como o Santos os dois passam por crise financeira sendo a deles ainda mais grave. O Vasco, pelo menos nesse começo de ano, parece não perder tanto com essa crise, apesar do problema com a CEDAE. O do Fluminense parece pior, o clube perdeu quase todo o time titular e teve que se remontar no meio do caos.

E os dois, desacreditados, começam muito bem no campeonato carioca. Fluminense começou tropeçando, mas vem de duas boas vitórias contra Americano e Portuguesa. Fernando Diniz vai conseguindo implantar seu sistema de jogo dando prioridade ao toque de bola. O Vasco é o único 100% do campeonato com três vitórias e mostrando bons valores. O time manteve a espinha dorsal do ano passado e reforçou como pôde parecendo ter um elenco melhor que o de 2018.   

Santos, Vasco e Fluminense manterão o bom momento? Estão indo bem por méritos próprios ou fragilidade dos adversários? Não sabemos nenhuma resposta, mas sem dúvidas o começo dos três é um alento.

Sem dúvidas um bom começo.

Ps. Não posso deixar de dar meus parabéns aqui ao Popbola por seus 17 anos. O programa que revolucionou a forma de fazer programa esportivo no Brasil merece todos os aplausos por sua história e um grande “vai pro inferno” a todos os seus integrantes. Parabéns galera!!

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