A acomodação perigosa 

A acomodação perigosa 

É verdade que o Vasco se acomodou?

Não sei se vocês conhecem, mas existe um programa esportivo na Rádio Globo chamado “Popbola”. Nesse bom “Popbola” tem uns caras que não entendem muito de futebol, mas tem o excelente Carlos Eduardo Eboli que fala um pouco do assunto e ainda aproveita para vender uns pastéis.

Em um dos programas, após mais uma eliminação do Vasco, o jornalista falou da acomodação da torcida do Vasco que comemorou derrota no fim de semana porque tirou o Flamengo da liderança e aplaudiu eliminação da Sul Americana em casa para a LDU.

É verdade isso?

De certa forma sim, mas vamos analisar por um ângulo maior. A torcida do Flamengo já fez isso, comemorou derrotas nos anos 90 que rebaixaram o Fluminense para a segunda divisão. Uma em 96 para o Bahia e outra em 97 para o Corinthians. A mesma torcida do Flamengo fundou a primeira torcida criada exclusivamente para secar um rival, a “Fla Madrid” em 1998 na maior passada de recibo da história do futebol.

É normal que isso ocorra, é normal que pelo menos algumas vezes torçamos pro nosso time perder para prejudicar o rival, vide Grêmio em 2009 para tirar o brasileiro do Inter, também aplaudimos algumas eliminações, eu aplaudi no Maracanã a vitória na Libertadores por 2×0 em cima do Defensor que eliminou o Flamengo da competição. O problema é a frequência que vem ocorrendo isso com o Vasco.

O Vasco vem sofrendo algumas eliminações onde a torcida se conforma como na Libertadores quando após tomar várias goleadas conseguiu a vaga na Sul Americana, Copa do Brasil quando venceu o Bahia e agora. A situação em relação ao Flamengo também. Ao contrário das derrotas rubro negras que prejudicaram o Fluminense a derrota do Vasco para o São Paulo não foi na última rodada, foi em um meio de campeonato onde a equipe vascaína patina e se aproxima perigosamente da zona de rebaixamento, de novo, apesar dos dois jogos a menos que não são garantia de pontos conquistados.

Como disse acima são três rebaixamentos em dez anos. Estar próximo da zona, ou mesmo cair, não assusta mais a torcida do Vasco que aplaudiu a equipe no rebaixamento de 2015. Esse tipo de atitude é muito pouco para um clube centenário, um dos maiores clubes esportivos do mundo que há exatos 20 anos imprensou o Real Madrid em um mundial de clubes e não venceu por uma dessas injustiças do futebol.

Usar o Flamengo como régua mostra como as coisas estão erradas. Sempre lembrar, como o bom Calheiros faz, que o Flamengo não vence títulos para minimizar a situação do Vasco não ajuda. Um clube grande depende sim dos seus rivais para sempre crescer e se motivar, mas um clube grande é grande por suas conquistas, não pela falta do mesmo dos rivais.

O Vasco é grande e precisa voltar a pensar grande.

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Os Emergentes 

Os Emergentes 

São Paulo e Inter desafiam os favoritos no brasileiro

O campeonato brasileiro tem um novo líder, é o São Paulo. Seis vezes campeão brasileiro o clube vinha em crise nos últimos anos ficando mais próximo do rebaixamento que da disputa de títulos, mas esse ano a coisa mudou desde a chegada de Diego Aguirre. Criando consistência defensiva e praticando o famoso futebol reativo o clube vem surpreendendo no brasileiro e de tanto comer pelas beiradas acabou pegando a liderança do Flamengo.

O Inter era o “patinho feio” dos 12 grandes nesse campeonato brasileiro. Teve uma primeira década no século maravilhosa com duas conquistas de Libertadores e um mundial, bateu na trave pelos títulos brasileiros em 2005 e 2009 parecendo conseguir a supremacia no Rio Grande do Sul. Mas a coisa mudou de 2016 para cá com o Grêmio conquistando a Copa do Brasil, Libertadores e o Internacional caindo para a segunda divisão em 2016. Pior, subiu apenas como vice campeão. O time começou mal o campeonato, exibia um futebol pobre, mas foi se acertando ao longo do certame e também pelas beiradas está a apenas três pontos da liderança.

Equipes que não estão entre as melhores no papel do futebol brasileiro estando abaixo de Palmeiras, Flamengo, Cruzeiro e Grêmio. Equipes que começaram mal o ano perdendo seus estaduais e sendo eliminadas precocemente da Copa do Brasil.

O que mudou?

São Paulo e Inter tem seus méritos e o fator sorte. Mérito em montar boas equipes, buscar reforços que se não eram tão badalados eram de qualidade preenchendo posições carentes nos times. Também acertaram na escolha dos treinadores tendo paciência para esperar os resultados chegarem. Souberam aproveitar a parada para a copa.

E tem a sorte sim, de ver os melhores elencos em várias competições simultâneas enquanto o foco dos dois é o brasileiro. Palmeiras, Cruzeiro e Grêmio parecem ter largado o brasileiro de mão preferindo as copas. O Flamengo tenta se manter nas três, estratégia perigosa vide o último jogo.

Premia a incompetência? Premia aqueles que tiveram temporadas ruins e prejudica aqueles que se esforçaram para construir elencos e alcançaram resultados? Pode ser, mas Inter e São Paulo tem nada com isso, outras equipes também tem essa oportunidade e vácuo dos melhores elencos e não sabem aproveitar. É injusto? Não, nada combinado é injusto e todos sabiam como seria.

Poucos sobreviverão a agosto. É preciso ter fôlego.

E isso São Paulo e Inter tem de sobra.

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A Supremacia rubro-negra 

A Supremacia rubro-negra 

Cada vez mais há uma disparidade no Rio de Janeiro…

O Flamengo é líder do campeonato brasileiro e caminha para disputar firmemente o título nacional desse ano. Além disso está entre os oito da Copa do Brasil e os dezesseis da Copa Libertadores da América. O único do Rio de Janeiro em tal situação.

Fluminense, Vasco e Botafogo estão no meio da tabela do brasileiro, já foram eliminados da Copa do Brasil e estão na Copa Sul Americana. Fluminense e Botafogo já se classificaram direto ao torneio, Vasco parou lá após ser eliminado da Libertadores. Flamengo está em outro patamar em relação aos rivais nos torneios continentais e treze pontos na frente do segundo carioca mais bem colocado no brasileiro sendo o único do estado na Copa do Brasil.

Não é pouca coisa, denota uma supremacia.

Sim, o Flamengo não é o atual campeão carioca e ano passado fez o mesmo número de pontos que o Vasco no brasileiro, fora que o Botafogo foi melhor que o rubro-negro na Libertadores então em números essa supremacia não existe. Não existe em partes. Excetuando o brasileiro do ano passado todas essas competições citadas eram de mata-mata e não tinham jogos de todos contra todos o que acaba nivelando os times e dando possibilidades de um mais fraco superar o mais forte. O Flamengo não será tetra, pentacampeão carioca nem ficará anos sem perder para os adversários lhes impondo goleadas humilhantes. Não ocorrerá porque a tradição conta muito, peso da camisa decide jogos e pelo estilo das competições regionais.

Mas já podemos assegurar que pelo quarto ano seguido o Flamengo será o melhor carioca do campeonato brasileiro, no torneio que todos enfrentam todos em pontos corridos e isso mostra o peso da supremacia, o peso da disparidade do poder aquisitivo que fica cada vez mais latente.

Vasco, Fluminense e Botafogo perdem os jogadores que fazer algum brilho. Flamengo também perde, mas consegue contratar, consegue trazer jogadores de talento do exterior pagando fortunas. O clube de 2013 para cá começou a equacionar seu drama financeiro e passa a colher seus frutos. De 2015 para cá contratou nomes como Guerrero, Diego, Everton Ribeiro, Diego Alves e Vitinho. O Flamengo tomou noção da sua força, principalmente popular e midiática e começa a conseguir monetizar isso quando o trio de rivais passa por grave crise financeira. Da eliminação do carioca de 2016 para cá o Flamengo perdeu cinco partidas para times do Rio de Janeiro e dessas apenas duas com times titulares, Fluminense primeiro turno do brasileiro de 2016 e Botafogo semifinal do carioca de 2018.

Não é pouco, mas ainda é pouco do que poderá ser quando a direção do Flamengo ou a próxima direção conseguir levar para o campo seu sucesso financeiro. Isso não é bom para a nossa paixão que é criada a partir da rivalidade. Um Flamengo forte precisa de seus rivais fortes. A impressão que dá é que o achatamento dos estaduais junto a disparidade financeira cada vez maior que vem desde a incompetência de cartolas até a pouca justa distribuição de cotas de TV acabarão com a história de 12 clubes grandes no Brasil.

Os clubes precisam se reinventar para sobreviver

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