O caso Sidão

O caso Sidão

 Quando a arrogância leva à humilhação.

 

Qual o limite do humor? Hoje em dia isso é muito debatido, mas nessa semana especificamente o debate se abrange. Qual o limite do humor esportivo? Qual o limite da interatividade?

Sim, porque tudo nessa vida tem que ter limite e não é simplesmente questão de censura e sim bom senso, empatia, respeito ao próximo. Seu limite chegou quando começa a invadir o do outro, portanto o limite do humor é quando alguém não ri, tem seu limite ultrapassado pela piada. Quando isso ocorre vire humilhação, ofensa e geralmente acontece quando é exercido o tipo mais pobre de humor, o mais rasteiro. Aquele que ri do oprimido em vez do opressor.

Isso que fez o “amigo internauta” catapultado por sites de humor na internet domingo passado. Tem culpa a internet e seu humor? Exatamente não, apesar de, como eu disse, achar que humor tem limite, a internet ainda é considerado um terreno onde “a zoeira não tem limites”, a culpa está em quem dá voz excessiva ao “amigo internauta”, dessa forma vem sendo eleitos campeões de reallity shows, craques da rodada e até presidentes da República.

Evidente que teríamos engraçadinhos avacalhando esse tipo de eleições, a Globo teve a amostra no jogo da seleção contra a República Tcheca quando elegeram o Kudela para constranger o Galvão. Ali ficou muito engraçado, mas foi dado o alerta para algo ser mudado. A emissora não ouviu o alerta, não só não ouviu como piorou a situação começando a oferecer um troféu para o melhor.

O que ocorreu domingo foi uma tragédia anunciada. Desde o começo do jogo, desde a primeira falha Sidão disparou como o craque do jogo. Era o momento da emissora voltar atrás, de reconhecer que estavam avacalhando a premiação, dar uma bronca pública no internauta e dizer que não compactuaria com aquilo passando ali mesmo a votação para os comentaristas. Mas algum diretor arrogante e que nunca jogou bola na vida determinou que seria daquela forma, que não poderia prejudicar acordos comerciais e deu no que deu.

Burro acima de tudo. Quer problema maior pra acordo comercial que exposição negativa? As emissoras de tv e rádio hoje são comandadas por gente de business, não por quem entenda, isso explica, por exemplo, emissoras tradicionais de rádio afundando e se perdendo porque mudou programação e perdeu identidade, isso dá no que ocorreu domingo. A exposição a humilhação mundial de um pai de família. Como reparar isso agora? Pedindo desculpas? Meio tarde, não? A imagem do Sidão está arranhada para sempre.

Vai adiantar de alguma coisa? Ficar alguma lição? Não sei, mudaram a escolha do craque, mas a turma mais mimizenta que existe, aquela que vê tudo como mimimi e ama a expressão “O mundo está chato” está de mimimi dizendo que vários jogadores já foram vaiados e nunca deu essa repercussão. Até porque ser vaiado é uma coisa, exposto na maior emissora de tv do país é outra. Fato que esse povo que reclama de mimimi e que o mundo está chato sempre esteve do lado da zoeira e não aguenta trinta segundos de zoação sem pedir arrego ou perder a esportiva. O mundo está muito chato mesmo, não podem nem mais zoar ou humilhar alguém mais fraco em paz.

A bola murcha essa semana foi a Globo. O craque da rodada nessa rodada não foi o craque da rodada.

Sem mimimi.

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O Jogão 

O Jogão 

Fluminense e Grêmio fazem um dos grandes jogos da história do Brasileirão

 Yahoo Esportes

Fale a verdade. O que você pensou quando o Grêmio abriu 3×0 no Fluminense? O torcedor do Fluminense deve ter pensado os piores impropérios sobre Fernando Diniz, os “anti” esperavam no mínimo um 7×1 como em Alemanha x Brasil duvidando que o Flu pudesse marcar um gol como o Brasil fez. Eu já estava com a coluna toda na cabeça para falar da péssima fase de Fluminense e Vasco e como o campeonato carioca engana. Desculpe Vasco, só sobrou você.

Pois é, como todos sabemos nada disso ocorreu e por isso o futebol é maravilhoso. Por isso que um episódio final de Vingadores ou temporada final de série badalada nunca poderão competir com um jogo de futebol normal, porque o futebol sim, é capaz dessas coisas. Apenas ele.

Não foi um jogão, mas foi um jogão. Esquisito isso né? Mas explicável. Não tinham dois esquadrões em campo como o super Vasco x Palmeiras de Felipão em 2000 nem era o Flamengo de R10 x Santos de Neymar como 2011, eram simplesmente o Fluminense de Luciano x Grêmio de André Balada. Não eram dois times de grande qualidade técnica, por isso não foi um jogo de alto nível técnico. Mas foi um jogão em emoção, em luta, garra e ousadia.

Ousadia do Grêmio que nos primeiros 23 minutos meteu 3×0 e parecia que meteria 10, ousadia de Fernando Diniz que não meteu mais um cabeça de área com 0x3 para garantir danos leves. Aliás, Diniz é um capítulo à parte.

Fernando Diniz é um louco. Um louco que junto com Jorge Sampaolli deve administrar um grupo de whatsaap chamado “Treinadores kamikazes”. Tipo de técnico que pode golear e tomar goleada, que a imprensa que torce por time nenhum adora e dá calafrios nas torcidas das equipes que dirige. Seus torcedores podem lhes considerar bestiais e bestas em fração de segundos, não é Alexandre Araújo?

Fernando Diniz saiu da Arena Grêmio exaltado como o mais novo gênio do futebol, a reencarnação de Telê Santana pela imprensa. Mas nunca é demais lembrar que ele que causou todo o problema. Do nada ele decidiu começar a escalar o Fluminense com três cabeças de área e com isso a equipe perdeu três jogos. O Fluminense era o lanterna do campeonato quando entrou em campo domingo, depois de quase ser eliminado pelo Santa Cruz pela Copa do Brasil, e a partida ia construindo um dos piores vexames da história do tricolor.

Mas o destino ajudou. O Grêmio se deu por satisfeito, o goleiro errou e assim o Fluminense voltou para o jogo. No intervalo Diniz fez a mudança que nem devia ter feito porque devia ter começado o jogo daquela forma e aí o Fluminense jogou pra cacete conseguindo a merecida e histórica virada.

Resumindo: Só ocorreu a virada histórica porque ocorreu a lambança inicial. Não teria 5×4 porque se fizesse o certo não teria 3×0.

Resumindo mais ainda: A diferença entre Grêmio 4 x 5 Fluminense e Brasil 1 x 7 Alemanha foi o gol em que estava Júlio Cesar (Maldade essa)

Mas enfim, fica o grande jogo para a história. O segundo grande jogo produzido pelo brasileiro de pontos corridos em 16 anos!! Mas isso é normal, a galera curte mais justiça que emoção, ela goza com o coito interrompido chamado VAR.

Fica a lembrança de um jogo histórico e de que nem todo dia terá viradas, então que se escale certo.

O coração do torcedor agradece.

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E se Ayrton Senna estivesse vivo?

E se Ayrton Senna estivesse vivo?

Como teria sido o futuro de Ayrton Senna e do Brasil na F1?

A coluna hoje é um pouco extensa, mas penso que o assunto é interessante.

Escrevo essa coluna no dia 29 de abril, data que marca os vinte e cinco anos do gravíssimo acidente que quase matou Rubens Barrichello em Ímola. Vinte e cinco anos que começava o circo dos horrores em Ímola que culminou na morte de Ayrton Senna. 

Acredito que serão muitas as homenagens a Ayrton dia primeiro. Muito tempo se passou, quem tem menos de trinta anos não lembra de Senna vivo, mas o “mito” resistiu ao tempo e deixa saudades até em quem não viveu aquela época. Mas o dia primeiro acabará, virá o dia 2 de maio e assim a vida continuará.

E a vida continuará… Vamos seguir de encontro ao nosso destino. Mas esse destino já está traçado ou somos nós que fazemos? Tem como mudá-lo?

Será que o destino de Ayrton Senna poderia ter sido diferente? Em 2014 fiz uma análise para o Blog “Ouro de Tolo” em forma de coluna e nessa data, nesse 1 de maio, reproduzo aqui.

E se o dia 1 de maio fosse lembrado apenas como 25 anos de um grande susto?

Uma revista fez anos atrás uma análise de como teria sido o futuro de Ayrton Senna caso ele saísse vivo daquele acidente em Ímola e achei bem interessante. Comentei com algumas pessoas, até dei pitacos de como teria sido na minha opinião e lembrei novamente desse assunto na semana dos vinte anos fazendo essa coluna que reproduzo hoje.

Decidi assim brincar. Fazer um exercício de futurologia de como teria sido o futuro de Ayrton Senna na F1 e como pessoa.

Mas começo a brincadeira imaginando se outro acidente não tivesse ocorrido. Mas não o de Ayrton Senna, o de Nelson Piquet na Indy em 1992. Piquet tinha acabado de sair da F1. Tinha 38 anos de idade, sido terceiro colocado na categoria em 1990 e vencido corrida em 91, portanto ainda tinha o que dar. No GP Brasil de 92 ele deu entrevista e quando perguntado se negociava com a Ferrari deu um sorriso maroto.

Na certa estava e na certa voltaria a F1 – se não fosse naquele ano no ano seguinte. Se não fosse na Ferrari em outra equipe. Se não fosse em 93 depois do acidente do Senna, mas voltaria. Voltaria em 94 porque o Brasil era muito importante para a F1. Vinha de uma dinastia de campeões, dava lucro comercialmente e não poderia ficar sem um piloto de ponta.

Rubens Barrichello ainda não estava pronto, como a história mostrou, e o único piloto de ponta, com bagagem para viver aquela situação era Nelson Piquet. Não sei se iria para uma equipe de ponta ou média. Mas cairia em cima dele e não em Rubens a responsabilidade, podendo mudar o destino do jovem piloto.

Caso Senna saísse vivo daquele grande prêmio ficaria trinta pontos atrás de Schumacher no campeonato e sinceramente não acredito que pudesse reagir. A Williams não tinha mais o super carro dos anos anteriores, Schumacher estava voando e mesmo Damon Hill dez pontos na frente do brasileiro no campeonato e com as punições sofridas por Schumi durante a competição não lhe alcançou.

Aquele ano, para mim, era de Schumacher de uma forma ou outra.

A partir do ano seguinte tudo é puro chute. Mas acho que o Senna não teria deixado barato perder 1994 com aquele carro ruim. Fatalmente a Williams quebraria a cabeça para lhe dar em 1995 um carro a altura de 92  e 93. Penso também que Senna entraria nesse campeonato com a faca entre os dentes e finalmente o tetra viria.

Com o tetra garantido partiria para seu maior desafio e maior sonho revelado algumas vezes em entrevistas. Pilotar uma Ferrari.

Seria campeão na Ferrari? Não sei, mas isso talvez atrapalhasse a carreira de Michael Schumacher porque caberia a ele o trabalho feito pelo piloto alemão de reconstrução da escuderia. Vamos supor que Senna fosse mesmo, acho que o começo seria difícil, como foi para Schumacher, mas atingiria sua meta.

Talvez levasse um ano? Pouco.  Dois? Mais plausível. Nessa brincadeira Senna levaria 96 e 97 brigando com o carro, melhorando a equipe aos poucos como fez Schumi e finalmente seria campeão. Schumacher foi em 2000, para Senna cravo 1998.

Ayrton Senna teria 38 anos, conquistado tudo na carreira. Pentacampeão do mundo – igualando Fangio, recordista de vitórias, poles. O que restaria a ele?

Restaria parar.

Sim. Acho que ele pararia e abriria brecha para aí sim um experiente Rubens Barrichello se tornar o brasileiro de ponta. Quem sabe até para o lugar de Senna na Ferrari em 99, indicado por ele. Chegaria assim um ano antes na escuderia, com mais bagagem e com belo pistolão. Principal: sem Schumacher.

Poderia assim ser campeão mundial e realizar seu sonho frustrado.

E assim naturalmente seria a sucessão de brasileiros na F1. Sem traumas, com tranquilidade, sem procurar novos Sennas até porque ele estaria ali vivo, ao lado orientando.

Acabaria presidente da FIA, fortalecendo mais ainda o automobilismo brasileiro. Fazendo chegar à F1 nossos novos talentos e, imitando a revista que li, criando o GP das Américas em um circuito de rua do Rio de Janeiro. Praia de Copacabana. Seria fantástico. Teria 59 anos hoje, seria grisalho, quem sabe gordo, rico, poderoso e dia 1 de maio seria apenas o dia do trabalho.

E principalmente. Seria um grande ex piloto de F1. Apenas isso.

Senna não conheceu a velhice nem a decadência. Isso faz da sua imagem jovem, musculosa, com cabelos revoltos e vitorioso com a bandeira do Brasil imortal. Isso lhe faz imortal. Para a marca Senna, para a lenda Senna não poderia ocorrer nada melhor do que a morte prematura. Não passa pelo que passa hoje o Pelé, que acham um “velho caduco” que só fala besteiras.

Imagine Senna votando e elogiando políticos controversos hoje em dia como fazia nos anos 90 sem ter as manhãs de domingo para lhe absolver? Infelizmente toda essa futurologia foi brincadeira. Senna morreu e nada do que disse aconteceu e nunca saberemos se um dia iria.

A única coisa que podemos dizer sobre Ayrton Senna é que mesmo morto ele viverá por muito tempo.

Esse destino já está traçado como uma pista de corrida.

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