Chapecoense – 2006 – 2016 – O Triunfo da Ética

Na prancheta

Atualmente quando se fala da Associação Chapecoense de Futebol, infelizmente, o primeiro assunto que vem à tona é a terrível tragédia área que vitimou time, comissão técnica, dirigentes e staff no voo de ida para Colômbia, onde enfrentaria o Atlético Nacional pela final da Copa Sul-Americana de 2016. Mas mais do que toda a comoção envolvendo o delicado episódio, o clube tem também um bonito percurso desportivo recente.

Fundado na década de 70, o Verdão passou muitos anos sem destaque no cenário regional e nacional, quase fechou as portas após grave financeira nos anos 2000, mas a partir de 2009 começou a caminhada para entrar para história. Naquele ano, disputando a quarta divisão nacional garantiu o acesso para a divisão seguinte, onde permaneceu por três anos. Em 2013 conseguiu o acesso para a Segundona e em seguida a divisão principal do futebol brasileiro com o vice-campeonato da Série B de 2013. Em apenas 5 anos, a Chape foi da quarta à primeira divisão e mais do que isso, nunca voltou para as divisões que passou.

Em 2016, Marco Aurélio Nedel, funcionário aposentado da Receita Federal, se dedicava a escrever e mergulhar na história sobre a Chapecoense. Com mais de trinta entrevistas com diversos personagens importantes nos últimos dez anos da equipe (desde a cozinheira do clube, passando pelo técnico Caio Júnior, até a diretoria), o escritor pretendia lançar o livro em homenagem aos 44 anos de fundação da entidade esportiva. Mas a tragédia aconteceu e o livro que estava praticamente pronto, ganhou um capítulo extra (“28 e 29 de novembro – A Tragédia”), que Marco alega ter sido muito dolorido de escrever. O autor chegou a pôr em xeque a continuidade da obra, lançar ou não, mas optou por seguir e até mesmo fazer como uma homenagem àqueles que partiram. Assim surgiu “Chapecoense 2006-2016: O triunfo da ética” lançado em 2017 pela Editora Leitura Dinâmica:

O resultado dos jogos a gente acompanha na mídia. O que eu queria mostrar eram as entranhas do time, os bastidores”.

Será que esse exemplo, quando as pessoas se unem em prol de um objetivo nobre, de interesse de todo o povo, sem pensar em interesses pessoais, será que não conseguimos construir algo maior a nível de país?” – sobre a ética que observou nas diretorias da equipe dos últimos anos.

É um livro de conquistas, de alegrias. A Chape não causou isto, foi provocada por um ato irresponsável” – sobre o acidente aéreo, declarou o autor.

Contendo 194 páginas, “Chapecoense 2006-2016: O triunfo da ética” pode ser encontrado em diversos sites e livrarias por um preço médio de R$ 60,00.

Por Igor Serrano

 

Na prancheta

Por: igor Serrano

Na prancheta

Pontos corridos ou mata-mata?! Seja qual for a sua preferência, goste ou não dele, o fato é que Campeonato Brasileiro é o maior torneio de futebol do nosso país. Criado como substituto de outras competições, que hoje receberam status de Brasileiro pela CBF, como a Taça Brasil, o Roberto Gomes Pedroza (“Robertão”) e a Taça de Prata, o Brasileirão teve a sua primeira edição em 1971 no auge da ditadura militar. E como não poderia ser diferente, foi utilizado como instrumento político pelo regime.

arena

Idealizado inicialmente com 20 clubes, o Campeonato Brasileiro chegou a ter incríveis 94 equipes em sua nona edição, em 1979. Essa situação começou a se formar com a saída de João Havelange da antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e a chegada do Almirante Heleno Nunes. Nunes era ex-dirigente do partido governista (Arena) e utilizava a sua veia partidária para indicar os times que seriam inseridos no Campeonato Brasileiro, justamente de regiões em que o partido estivesse perdendo força política. Assim o governo ganhava o apoio da população local dando o circo (faltava o pão), além de reforçar o nacionalismo ao criar uma identidade de abrangência à competição com a participação de times de todas as regiões.

Essa é a temática da obra “Onde a Arena vai mal, um time no Nacional” de Daniel Araújo dos Santos, lançado em 2015 pela Editora Multifoco, que aborda não somente o caso do Brasileirão e sua utilização política pela ditadura militar, mas a promíscua relação entre futebol e política, que ajuda até mesmo a melhor compreender o nosso país:

O Campeonato Brasileiro chegou ao absurdo número de noventa e seis times em 1979, primeiro ano do governo Figueiredo. São Paulo e Santos recusaram-se a participar do campeonato. Os doze principais times de São Paulo e Rio de Janeiro somente entraram na segunda fase do torneio, o primeiro administrado pela Confederação Brasileira de Futebol (criada uma semana depois do início do Nacional). O Internacional de Porto Alegre seria o campeão (o primeiro clube a ser três vezes campeão nacional) realizando apenas vinte e três partidas. Na busca desesperada por receitas, os times do Rio de Janeiro realizaram uma edição especial do Campeonato Carioca

Contendo 216 páginas o livro pode ser encontrado em algumas livrarias e no site da Editora Multifoco.