Maracanazo ou Mineirazo?

Maracanazo ou Mineirazo?

“As Copas perdidas em casa”

Com a proximidade da Copa do Mundo da Rússia, torna-se impossível não relembrar a última edição do torneio mundial de Seleções. Vencida pela Alemanha, que derrotou por 1×0 a Argentina em pleno Maracanã, a Copa do Mundo de 2014 ficou marcada pela goleada histórica e humilhante de 7×1 que os campeões, contando com Müller, Özil, Kross e Neuer, aplicaram em nós anfitriões (de Fred, David Luiz, Felipão e Bernard, “o menino da alegria nas pernas”), na semifinal disputada no Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte-MG (o “Mineirazo”). Aquela era a segunda vez que o Brasil sediava a Copa e tal como na primeira, não levantou o caneco.

Em 1950, em uma Maracanã (construído especialmente para o torneio) completamente lotado por 173.850 torcedores, a Seleção Brasileira, de Ademir Menezes, Friaça e Barbosa, saiu derrotada para os uruguaios, de Ghiggia, Schiaffino e Varela, por 2×1, quando todos, inclusive imprensa e dirigentes já davam como certa a vitória canarinha desde a véspera da final.

Uruguay player Ghiggia scores during the World Cup Final, against Brazil, in the Maracana Stadium in Rio de Janeiro, Brazil, July 16, 1950 . Uruguay defeated Brazil 2-1 to win the Rimet Cup. (Ap Photo)

Mas afinal, qual das duas derrotas em casa foi mais dolorosa: o Maracanazo ou Mineirazo?

Tentando responder e entender as duas realidades, Ahmad Samir Nobrega lançou em 2015 o livro “As Copas perdidas em casa” pela Editora Multifoco, uma leitura obrigatória para todos os brasileiros a menos de um mês da edição de 2018 da Copa:

Passados 64 anos desde o gol de Ghiggia na final de 1950, no famoso Maracanaço, o Brasil atravessou mudanças e evoluções sociais significativas e a seleção nacional conquistou cinco títulos mundiais de futebol. Em 2014, o clima foi de apreensão, por conta das manifestações e das contrariedades da nova Copa do Mundo brasileira. Com o propósito de refletir o atual estado da sociedade e do futebol do país, ‘’As Copas Perdidas em Casa’’, apresenta e narra a história, dentro e fora das quatro linhas, de dois mundiais realizados no país da bola, discutindo a importância da derrota do selecionado brasileiro de 1950 e ainda buscando os porquês e as consequências do chocante Mineiraço, a maior derrota da seleção em sua história. Gol da Alemanha”.

Contendo 236 páginas, “As Copas perdidas em casa” pode ser encontrado no site da Editora Multifoco.

Igor Serrano

Os primeiros anos do futebol carioca

Os primeiros anos do futebol carioca

“Futebol Brasil Memória”

Um dos melhores livros sobre o futebol brasileiro foi lançado em 2006 pelo jornalista Claudio Nogueira. Na obra “Futebol Brasil Memória: de Oscar Cox a Leônidas da Silva (1897-1937)” (Editora SENAC-RJ), o autor narra os primeiros passos do esporte bretão em solo carioca, com a importação por intermédio de Oscar Cox e outros membros da elite local, passando por momentos marcantes como a escalação de Francisco Carregal pelo Bangu (considerado o primeiro jogador negro a ser escalado em época de racismo latente no esporte) e a vitória dos Camisas Negras do Vasco em 1923, formados por jogadores negros e de profissões humildes e que viriam a ser perseguidos no ano seguinte:

 “Quando e como se originou a paixão do brasileiro pelo esporte que veio importado da Inglaterra? Essa indagação deve ter passado pela cabeça de todos os brasileiros que amam o futebol. Indagação que envolve um quê de mistério: ao falar do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro, que completou cem anos este ano (2006), a intenção é tentar desvendar esse enigma.

Mas o livro não se limitará a isso. A obra nasceu de uma vontade e de uma constatação. Da vontade de trazer à tona um dos capítulos mais curiosos e saborosos da história social do país, que é o desenvolvimento do futebol no Brasil e especificamente no Rio de Janeiro. E da constatação de que os cariocas amam demais o futebol, mas sabem pouco sobre o surgimento, no Rio, do enorme fenômeno social em que esse esporte se converteu.

O começo não foi fácil, nem linear. Foi abrupto, polêmico e expressou conflitos e divisões existentes nas sociedades brasileira e carioca da época. Zona Sul e subúrbio; brancos e negros; elites e classes operárias; ricos e trabalhadores; amadores e profissionais. Todos, de alguma forma, foram atores nesse teatro de formação do futebol carioca. Será que alguns desses conflitos não duram até hoje?

O futebol chegou ao Brasil e ao Rio, especificamente, nas malas de jovens estudantes da elite, que haviam estudado na Europa, como um presente que se traz para pessoas amigas. Mas o povo se apropriou dele, e ao mesmo tempo em que os analfabetos e os pobres invadiram os campos e as arquibancadas dos clubes elegantes, foi tomando gosto e se apaixonando por esse esporte até então estranho, no qual os homens traçavam planos e estratégias para fazer com que uma bola impulsionada pelos pés invadisse as redes adversárias. Mais ou menos como o povo pobre, trabalhador e negro invadiu – como penetra – as festas da elite, dos ricos e dos brancos que jogavam futebol no final do século XIX e começo do século XX.

O objetivo deste livro não é o de contar campeonato por campeonato, mas o de narrar como ocorreu o processo de chegada, da aceitação, do desenvolvimento e de popularização do futebol no Rio” – diz o autor na apresentação da obra.

Contendo 284 páginas, “Futebol Brasil Memória” pode ser encontrado em sites e livrarias por um preço médio de R$ 40,00.

Igor Serrano

Més que un Club

Més que un Club

“Barça: a construção e a trajetória do maior FC Barcelona de todos os tempos”

Na prancheta

A dica de hoje da coluna é o novo lançamento da Editora Grande Área. Escrito pelo escocês Graham Hunter, o livro “Barça: a construção e a trajetória do maior FC Barcelona de todos os tempos” (tradução Rafael Reis e Gabriel R. Gobeth) narra a trajetória de sucesso do clube após a chegada de Pep Guardiola ao comando técnico. Com o futebol de toque de bola da tiki-taka, os lances geniais de Messi, Iniesta e Xavi, Guardiola conquistou nada mais que duas ligas dos campeões, dois mundiais de clubes, duas supercopas da UEFA, três campeonatos espanhóis, três supercopas da Espanha e duas copas do Rei:

O livro ‘Barça: A construção e a trajetória do melhor FC Barcelona de todos os tempos’ já se transformou em um clássico da literatura esportiva moderna. A obra conta a história da espetacular era Pep Guardiola no clube catalão – que entre 2008 e 2012 levou à conquista de inúmeros títulos e redefiniu o conceito de beleza no futebol –, partindo do inesquecível triunfo sobre o Manchester United, em Wembley, na final da Champions League de 2011. Desse ponto em diante, cada capítulo foca uma das grandes personalidades que construíram a equipe, numa narrativa que se desenvolve desde as origens mais remotas desse time inigualável, no final dos anos 1980, até a grande consagração em Londres. Pep Guardiola e seu mentor, Johan Cruyff, assim como Xavi, Iniesta e Lionel Messi, talvez o melhor jogador de futebol da história, tornam-se os protagonistas do relato e nos ajudam a compreender por que, naquele jogo de maio de 2011 em Wembley, o Barça encerrou de vez o debate sobre qual seria a melhor equipe do mundo na época, iniciando então outra discussão: seria aquele o melhor time de futebol de todos os tempos?”.

Contendo 320 páginas, “Barça” está em pré-venda em diversos sites como o da Editora Grande Área e da Livraria da Travessa.

Igor Serrano