Charles Miller – O pai do futebol brasileiro

Na prancheta

No final do século XIX e início do século XX era muito comum no Brasil que as famílias de alto poder aquisitivo enviassem seus filhos para estudar na Europa. Já naquela época o sistema educacional nacional era precário e o analfabetismo atingia grande parte da população. Um desses enviados foi o paulista Charles William Miller, ou apenas Charles Miller, filho de um inglês e uma brasileira, que é considerado o pai do futebol brasileiro. Após período de estudos na Europa, Miller retornou ao Brasil com bolas, uniformes e um livro de regras e passou a organizar partidas e foi fundamental para a propagação do esporte no país, recebendo desta forma a famosa alcunha “o pai do futebol brasileiro”.

Em 2005 a Editora Panda Books lançou a biografia do paulista nascido próximo à estação de trem do Brás. De autoria de John Mills e intitulada “Charles Miller – O pai do futebol brasileiro“, conta todos os detalhes da vida daquele que é considerado o pioneiro no esporte de pontapés com bola tupiniquim:

Charles William Miller é o ‘pai do futebol brasileiro’. Filho de um inglês e de uma brasileira, nasceu perto da estação de trem do Brás, na época um bairro nobre de São Paulo. Aos 9 anos, foi estudar na Europa. Desembarcou em Southampton, no extremo sul das ilhas britânicas, e aprendeu a jogar futebol na Bannister Court School. Tinha um estilo de jogo alegre e malandro, características que marcariam o futebol brasileiro para sempre. Depois de 10 anos na Inglaterra, Charles Miller retornou ao Brasil, em 1894, trazendo na bagagem duas bolas da marca Shoot, fabricadas em Liverpool e que ele ganhou de presente de um companheiro no time de Southampton, que mais tarde se tornaria presidente da Liga Inglesa, a primeira associação de futebol do planeta. Também vieram com Miller uma bomba de ar, dois uniformes e um grosso livro de regras.  A história completa de Charles Miller é contada nesta  biografia escrita pelo historiador John Mills. O livro traz detalhes inéditos da carreira, do casamento, do time de coração, dos negócios, da família de Miller. Tem também documentos e fotografias nunca antes publicados, num verdadeiro resgate da memória do futebol brasileiro. O leitor irá conhecer até os bastidores da primeira partida de futebol do Brasil, que aconteceu no dia 14 de abril de 1895, na Várzea do Carmo. As equipes eram formadas por ingleses radicados na capital paulista. O São Paulo Railway, time de Charles Miller, venceu a Companhia de Gás por 4 x 2. Entre 1902 e 1904, jogando pela equipe do SPAC, Miller se tornou tricampeão paulista. Foi artilheiro do campeonato por duas vezes. Jogou no clube até 1910, quando encerrou a carreira. Depois disso, acredite, o pai do futebol brasileiro atuaria como árbitro

 

Contendo 236 páginas, o livro pode ser encontrado em alguns poucos sites e livrarias por um preço médio de R$ 30,00. A opção mais fácil é o Estante Virtual.

 

Por Igor Serrano

Chapecoense – 2006 – 2016 – O Triunfo da Ética

Na prancheta

Atualmente quando se fala da Associação Chapecoense de Futebol, infelizmente, o primeiro assunto que vem à tona é a terrível tragédia área que vitimou time, comissão técnica, dirigentes e staff no voo de ida para Colômbia, onde enfrentaria o Atlético Nacional pela final da Copa Sul-Americana de 2016. Mas mais do que toda a comoção envolvendo o delicado episódio, o clube tem também um bonito percurso desportivo recente.

Fundado na década de 70, o Verdão passou muitos anos sem destaque no cenário regional e nacional, quase fechou as portas após grave financeira nos anos 2000, mas a partir de 2009 começou a caminhada para entrar para história. Naquele ano, disputando a quarta divisão nacional garantiu o acesso para a divisão seguinte, onde permaneceu por três anos. Em 2013 conseguiu o acesso para a Segundona e em seguida a divisão principal do futebol brasileiro com o vice-campeonato da Série B de 2013. Em apenas 5 anos, a Chape foi da quarta à primeira divisão e mais do que isso, nunca voltou para as divisões que passou.

Em 2016, Marco Aurélio Nedel, funcionário aposentado da Receita Federal, se dedicava a escrever e mergulhar na história sobre a Chapecoense. Com mais de trinta entrevistas com diversos personagens importantes nos últimos dez anos da equipe (desde a cozinheira do clube, passando pelo técnico Caio Júnior, até a diretoria), o escritor pretendia lançar o livro em homenagem aos 44 anos de fundação da entidade esportiva. Mas a tragédia aconteceu e o livro que estava praticamente pronto, ganhou um capítulo extra (“28 e 29 de novembro – A Tragédia”), que Marco alega ter sido muito dolorido de escrever. O autor chegou a pôr em xeque a continuidade da obra, lançar ou não, mas optou por seguir e até mesmo fazer como uma homenagem àqueles que partiram. Assim surgiu “Chapecoense 2006-2016: O triunfo da ética” lançado em 2017 pela Editora Leitura Dinâmica:

O resultado dos jogos a gente acompanha na mídia. O que eu queria mostrar eram as entranhas do time, os bastidores”.

Será que esse exemplo, quando as pessoas se unem em prol de um objetivo nobre, de interesse de todo o povo, sem pensar em interesses pessoais, será que não conseguimos construir algo maior a nível de país?” – sobre a ética que observou nas diretorias da equipe dos últimos anos.

É um livro de conquistas, de alegrias. A Chape não causou isto, foi provocada por um ato irresponsável” – sobre o acidente aéreo, declarou o autor.

Contendo 194 páginas, “Chapecoense 2006-2016: O triunfo da ética” pode ser encontrado em diversos sites e livrarias por um preço médio de R$ 60,00.

Por Igor Serrano

 

Na prancheta

Por: igor Serrano

Na prancheta

Pontos corridos ou mata-mata?! Seja qual for a sua preferência, goste ou não dele, o fato é que Campeonato Brasileiro é o maior torneio de futebol do nosso país. Criado como substituto de outras competições, que hoje receberam status de Brasileiro pela CBF, como a Taça Brasil, o Roberto Gomes Pedroza (“Robertão”) e a Taça de Prata, o Brasileirão teve a sua primeira edição em 1971 no auge da ditadura militar. E como não poderia ser diferente, foi utilizado como instrumento político pelo regime.

arena

Idealizado inicialmente com 20 clubes, o Campeonato Brasileiro chegou a ter incríveis 94 equipes em sua nona edição, em 1979. Essa situação começou a se formar com a saída de João Havelange da antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e a chegada do Almirante Heleno Nunes. Nunes era ex-dirigente do partido governista (Arena) e utilizava a sua veia partidária para indicar os times que seriam inseridos no Campeonato Brasileiro, justamente de regiões em que o partido estivesse perdendo força política. Assim o governo ganhava o apoio da população local dando o circo (faltava o pão), além de reforçar o nacionalismo ao criar uma identidade de abrangência à competição com a participação de times de todas as regiões.

Essa é a temática da obra “Onde a Arena vai mal, um time no Nacional” de Daniel Araújo dos Santos, lançado em 2015 pela Editora Multifoco, que aborda não somente o caso do Brasileirão e sua utilização política pela ditadura militar, mas a promíscua relação entre futebol e política, que ajuda até mesmo a melhor compreender o nosso país:

O Campeonato Brasileiro chegou ao absurdo número de noventa e seis times em 1979, primeiro ano do governo Figueiredo. São Paulo e Santos recusaram-se a participar do campeonato. Os doze principais times de São Paulo e Rio de Janeiro somente entraram na segunda fase do torneio, o primeiro administrado pela Confederação Brasileira de Futebol (criada uma semana depois do início do Nacional). O Internacional de Porto Alegre seria o campeão (o primeiro clube a ser três vezes campeão nacional) realizando apenas vinte e três partidas. Na busca desesperada por receitas, os times do Rio de Janeiro realizaram uma edição especial do Campeonato Carioca

Contendo 216 páginas o livro pode ser encontrado em algumas livrarias e no site da Editora Multifoco.