Cruzeiro, a raposa de Belo Horizonte

Cruzeiro, a raposa de Belo Horizonte

Campeão da Copa do Brasil pela sexta vez exibe seu repertório musical

Retratado há algumas colunas com o Atlético-MG no clássico de maior rivalidade de Minas Gerais, o Cruzeiro volta em carreira solo para prosseguir, com muita música em sua homenagem, as comemorações pelo sexto título da Copa do Brasil. Como todos sabem, a Raposa foi mais esperta que o Gavião e levantou na semana passada o segundo título consecutivo da competição, na casa do Corinthians, para a alegria da massa cruzeirense, da qual fazem parte Milton Nascimento, Lô Borges, Samuel Rosa e muitos outros artistas.

Compositor ainda adolescente de “Trem Azul”, Lô Borges já desmentiu que a música tenha sido criada para o seu time do coração. E explica que a letra, de Ronaldo Bastos, foi escrita em um trem de Amsterdã para Paris que tinha esta cor. No entanto, o próprio Lô admite que com o passar do tempo, ela acabou fazendo parte do repertório azul do futebol de Minas Gerais. E afirmou em entrevista que, quando chegava em casa do Mineirão, depois de mais uma vitória espetacular do Cruzeiro, pegava o violão para compor, inspirado pelas grandes jogadas de Tostão, Dirceu Lopes, Piazza, Zé Carlos, Natal, craques que fizeram parte do grande time campeão da Taça Brasil de 66, em final histórica contra o Santos de Pelé.

Aquele time azul jogava por música, e com vitórias incontestáveis de 6 a 2, no Mineirão, e 3 a 2, numa virada espetacular, no Pacaembu, o Cruzeiro resplandeceu para o cenário nacional em cima do maior time da época. A grande conquista foi a fonte da criação de “Academia”, composição de João, Mauro e Plínio Saraiva.

Com o título deste ano, o Cruzeiro se tornou o maior vencedor da Copa do Brasil, deixando o Grêmio, com cinco conquistas, para trás. Assim, ganhou o direito de disputar novamente a Libertadores de 2019, quando tentará levantar o seu terceiro troféu e aí lutar para chegar ao título inédito do Mundial Interclubes. Porém, conquistas internacionais não faltam para a Raposa, que possui duas supercopas da Libertadores, uma Recopa Sul-Americana, uma Copa Ouro e uma Copa Master. Além disso, é o clube é detentor de 38 títulos mineiros e mais 3 brasileiros pós-71 e duas Copas Sul-Minas. Fora o orgulho da Tríplice coroa de 2003, quando arrebatou na mesma temporada o Campeonato Mineiro, a Copa do Brasil e o Brasileiro.

Embora o Cruzeiro tenha sido fundado em 1921, seu Hino oficial só foi criado em 1965, ano da fundação do Mineirão e da explosão nacional do futebol mineiro. Foi composto por Jadir Ambrósio, falecido aos 91 anos, em setembro de 2014. Ele é o descobridor de Clara Nunes, de quem era vizinho em Belo Horizonte. Sua música “Buraco do Tatu”, em parceria com Jair Silva, foi gravado com sucesso por Luiz Gonzaga. Ele também teve composições suas gravadas por Blecaute e Agnaldo Timóteo, entre outros. O Hino do Cruzeiro surgiu em concurso promovido pela rádio Inconfidência, da capital mineira, e foi adotado pelo clube.

Então, para encerrar a Jogada de Música desta semana, fiquem abaixo com o Hino celeste cantado por Milton Nascimento, Lô Borges, Samuel Rosa e Marina Machado, todos uniformizados, no programa Altas Horas, da TV Globo, em setembro de 2009.

SÃO PAULO / BRASIL (17.10.2018) Corinthians x Cruzeiro, segundo jogo da final da Copa do Brasil 2018, no Itaquerão, em São Paulo/SP. Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro IMPORTANTE: Imagem destinada a uso institucional e divulgação, seu uso comercial está vetado incondicionalmente por seu autor e o Cruzeiro Esporte Clube. IMPORTANT: image intended for institutional use and distribution. Commercial use is prohibited unconditionally by its author and Cruzeiro Esporte Clube.

 

Por Eduardo Lamas

Zico também canta de galo na música

Zico também canta de galo na música

Galinho de Quintino é um dos craques com mais homenagens na MPB

Ídolos do futebol brasileiro sempre foram fonte de grande inspiração para compositores apaixonados pelo jogo de bola. E neste quesito, Zico rivaliza com Pelé e Garrincha, pois sem dúvida são os que mais homenagens receberam na Música Popular Brasileira. E como os dois gênios, ele também se arriscou a gravar, no caso em dupla com seu amigo Fagner, torcedor do Fluminense, como citamos numa das colunas em que o tema foi a seleção de 82

A Seleção que jogava com música

No entanto, hoje, a Jogada é mostrar o Galinho sendo reverenciado por artistas da MPB.

Maior artilheiro da História do Flamengo, com 508 gols, e do Maracanã, com 333, Zico é o terceiro maior goleador da seleção brasileira, com 66 gols. Tudo isso, seu imenso talento e o fato de ser o maior ídolo da História do time mais popular do Brasil obviamente renderam muitos sucessos a artistas da música.

As jogadas magistrais, os muitos gols bonitos e decisivos e os títulos que Zico conquistou ganharam versos, melodias, ritmo, harmonia, com a arte musical reverenciando a arte do futebol. O craque tinha apenas 23 anos quando em 1976, Jorge Ben, atual Benjor, gravou “Camisa 10 da Gávea”, que explodiu. A versão com Maria Alcina, que já havia levantado o Maracanãzinho lotado em 1972 com “Fio Maravilha” durante o Festival Internacional da Canção, também fez imenso sucesso. Com um andamento mais rápido, a música ganhou inclusive um clipe no Fantástico, da Rede Globo. No vídeo, entre bonecos desenhados por Juarez Machado, Zico dribla Maria Alcina e faz gol de pênalti na “goleira” no velho Maracanã.

http://redeglobo.globo.com/videos/t/variedades/v/relembre-zico-com-maria-alcina-no-fantastico-gravando-camisa-10-da-gavea/2877598/

 

Outro grande flamenguista e fã de Zico, Moraes Moreira compôs “Saudades do Galinho”, quando o ídolo foi vendido para a Udinese, da Itália. “Agora como é que eu fico nas tardes de domingo, sem Zico no Maracanã?” indagava o músico baiano e toda imensa Nação Rubro-Negra, em 1983.

Se Pelé e Garrincha tiveram suas gingas destacadas em títulos de músicas (“Ginga do Pelé”, de Palmeira, gravada por João do Pife em 1966, e “A ginga do Mané”, de Jacob do Bandolim, originalmente gravada em 1966), Zico também. Alcyr Pires Vermelho e Berto Filho criaram “A ginga de Zico” e a cantora Consuelo gravou em 85. Foi naquele ano que o ídolo retornou ao Flamengo para a imensa alegria dos rubro-negros. Pena que poucos meses depois levou uma entrada violentíssima do lateral Márcio Nunes, do Bangu, e passou a ter problemas frequentes no joelho direito.

Mesmo assim, retornou aos campos para desfilar a sua categoria e se consagrar de vez o rei da torcida do Flamengo. Alexandre Pires que o diga, já que sonhou ser Adílio para compor e cantar o samba “Zico é o nosso rei”.

Além de ter músicas só para ele, o ídolo rubro-negro e da Udinese e de todo o futebol do Japão, onde encerrou sua carreira, também é citado em muitas outras. Um exemplo é “Gol Anulado”, do também flamenguista João Bosco, com letra do vascaíno Aldir Blanc e gravada pela tricolor Elis Regina.

Outra composição em que é mencionado: “Pega na Mentira”, do vascaíno Erasmo Carlos.

Porém, embora menos conhecida que quase todas as citadas anteriormente, “Zico”, do tricolor Carlinhos Vergueiro, é certamente uma das mais belas em homenagem ao craque. Com ela, sonhando também com o surgimento de novos Zicos, seja em Quintino ou em qualquer canto do Brasil, encerramos a coluna desta semana.

Gostaria de aproveitar o espaço para divulgar o meu terceiro livro, “Contos da Bola”. É o primeiro em que abordo o futebol, com 19 histórias envolvendo drama, humor e mistura de ficção com realidade. Está à venda na Amazon, aqui: https://goo.gl/Gc2EWr . Espero que gostem.

 

Por Eduardo Lamas

O sempre inspirador Palmeiras

O sempre inspirador Palmeiras

Verdão sofre com jejuns e enfileira títulos e homenagens musicais

Atual líder do Campeonato Brasileiro e na semifinal da Copa Libertadores, o Palmeiras, que  conquistou a Copa do Brasil de 2012 e 2015 e o título nacional de 2016 após jejum de 22 anos, volta portanto a viver uma ótima fase após um hiato. Em outras oportunidades, o Verdão sofreu em outros momentos complicados que foram encerrados por tempos de glória. Mas estas eras de grandes vitórias, por sua vez, também foram interrompidos por períodos de crise.

Depois de viver duas fases espetaculares com a Academia de Futebol, que teve em Ademir da Guia o seu maior nome, o Verdão amargou entre 1977 e 92 o seu maior período de seca de títulos. Retratando este período terrível para o torcedor palmeirense, do início dos anos 80, Douglas Germano compôs “Seu Ferrera e o Parmera” e gravou esta música cheia de bom humor em 2011, no álbum “Orí”. O jogo narrado na letra é fictício, mas o sofrimento dos palmeirenses na época, nem tanto.

Quando obteve um patrocínio milionário de uma marca italiana de laticínios, o Palmeiras mudou seu uniforme, que passou a ter listras verde e branca, e começou a colecionar títulos novamente. Foi campeão do Rio-São Paulo de 93, paulista e brasileiro de 93 e 94, conquistou o Paulistão de 96, com um ataque formado por Djalminha, Rivaldo, Muller e Luizão que fez 102 gols em 30 jogos, e ainda papou a Copa do Brasil e a Copa Mercosul de 98 e a Libertadores de 99. Em homenagem a esses grandes dias para os palmeirenses, Moacyr Franco, ilustre torcedor do clube, compôs e gravou em 1997 “O amor é verde”, num CD single, em que também canta o Hino do Palmeiras. Na música de sua autoria, Moacyr Franco relaciona um número enorme de ídolos do Verdão até aquele ano.

Outro grande cantor brasileiro que tinha o coração alviverde era Silvio Caldas. Para não deixar qualquer dúvida quanto a isso, ele compôs e gravou, em 1976, a “Tarantela em Verde e Branco”.

O Palmeiras teve um hino quando ainda se chamava Palestra Itália, em 1918, mas não foi encontrado áudio. O atual, de 1949, foi composto pelo maestro Antonio Sergi. E entre as muitas versões gravadas do Hino alviverde, uma das mais bonitas, sem dúvida alguma, é a do guitarrista Marcos Kleine. E é com ela que fechamos a coluna desta semana.

 

Por Eduardo Lamas