Tabelando com o Maestro Júnior

Tabelando com o Maestro Júnior

Sob a pele rubro-negra, a música corre nas veias deste craque da bola

Ele foi o Capacete até levar o seu imenso talento para a Itália, em meados dos anos 80. Quando de lá voltou, já no fim da mesma década, para o mesmo clube que o consagrou, já não atuava mais na lateral do campo, mas no meio, de onde aos poucos foi regendo o time, repleto de jovens promissores, com sua categoria e experiência. Neste 15 de novembro, dia em que o Flamengo completa 123 anos de fundação, apresentamos aquele que mais vestiu a camisa rubro-negra nos gramados, nada menos que 876 vezes: Maestro Júnior.

Se no primeiro episódio do “Tabelando com”, o toque de bola foi com Carlinhos Vergueiro, um cantor e compositor que tem muita intimidade com o futebol*, agora o papo é com um cracaço dos gramados, que fez parte de uma das maiores seleções de todos os tempos, a brasileira de 1982, atual comentarista da TV Globo, que tem a música correndo em suas veias, sob a pele rubro-negra.

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Tabelando com Carlinhos Vergueiro

Como era a sua relação com a música antes de se tornar jogador de futebol e, depois, já jogando, até gravar o compacto com “Povo Feliz (Voa Canarinho)” e “Pagode da Seleção”?

“A minha relação foi sempre muito próxima. Nós jogávamos no Juventus, time de Copacabana, ali na praia, e tinha a galera lá de cima, da Ladeira dos Tabajaras, que fazia parte da escola de samba Unidos da Villa Rica. Então, essa relação foi muito próxima. E eu tive dentro de casa, principalmente, porque eu aprendi a tocar pandeiro olhando meu tio Válter, irmão da minha mãe, tocando pandeiro. Ele tinha um grupo que estava sempre fazendo aquelas rodas de samba, como se chamava antigamente, lá nos anos 60 e 70, e eu estava sempre ali. Quando ele largava o instrumento, eu ia lá pegava, procurava imitar o que ele tocava. Ele tocava, não, ele toca muito bem até hoje. Então, eu fiquei mais nessa. E eu escutei muita coisa em casa, exatamente nessa época, sobretudo as músicas italianas, Gigliola Cinquetti, Peppino di Capri, então isso ficou um pouquinho no ouvido. Quando eu fui para a Itália e aprendi a língua, comecei a aprender o que diziam as letras das músicas, então me apaixonei muito mais. Por exemplo, eu canto “Roberta”, que o Peppino di Capri cantava muito, com o maior prazer e com a maior satisfação. Então a música sempre esteve dentro. O meu bisavô foi um artesão de violino, ele produzia, construía violinos. Tanto que o meu tio-avô Agmar (Dias Pinto), que já faleceu, com 99 anos, foi um dos mestres do violino. E seu filho Agmar Filho (Agmar Dias Pinto Filho, que integrou o Quinteto Itacoatiara, grupo fundado em 1976, dentro Movimento Armorial da Paraíba, fundado pelo escritor e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna, em Pernambuco, em 1970) também era um grandíssimo músico de violino, professor inclusive da Universidade Federal da Paraíba, lá em João Pessoa”.

Para um jogador com alma de sambista como você, devem ter sido ainda mais especiais as vitoriosas tardes-noites de domingo com um coro de 100 mil, 150 mil rubro-negros cantando sambas de enredo, como por exemplo, “Bum bum paticumbum prugurundum”, além de outros sambas de grande sucesso, como “Vou festejar”, de Beth Carvalho, não? Qual era a sua sensação em campo nestes momentos? Lembra de outros sambas desta época que a torcida cantava, mesmo com as letras não tendo relação direta com o futebol?

“As músicas das torcidas naquela época eram completamente diferentes, porque não tinham ainda a chegada dos sambas de enredo das escolas de samba. Por exemplo, a Portela era ligada ao Botafogo, o Flamengo tinha uma certa ligação com a Mangueira, o Bangu tinha com a Mocidade Independente por causa do chefe lá (Castor de Andrade), na verdade. Então, tudo isso teve uma ligação durante muito tempo. Só que nesses períodos, essas músicas eram mais ou menos premeditadas, não tinha aquela improvisação como aconteceu. Acho que a partir dos anos 80… Por exemplo, quando nós estávamos no campo, e eu escutava “Ó, meu Mengão, eu gosto de você, quero cantar ao mundo inteiro a alegria de ser rubro-negro. Conte comigo, Mengão, acima de tudo rubro-negro…”. Essa foi para mim a música que mais eu sentia quando estava dentro de campo com a torcida. No meu caso pessoal, pode ter outros companheiros, colegas, amigos que sentiam com outras músicas. Mas esta foi pra mim a que me marcou muito nesse período”.

Ainda sobre o mesmo assunto, lembro de ter visto uma entrevista do Cerezo certa vez falando da ingenuidade da torcida mineira naqueles primeiros tempos de rivalidade forte entre Atlético-MG e Flamengo. Segundo ele, enquanto no Mineirão os torcedores do Galo ainda cantavam músicas colegiais (acho que citou “Zum zum zum, passou um avião…”), no Maracanã ouvia a galera cantar os sambas que tocavam no rádio e ficava surpreso. Ele chegou a comentar alguma vez com você e companheiros de seleção sobre isso?

“Na questão do Brasil, cada estado tem um pouco a sua característica. Não dá pra você querer que um cara de Minas, de Porto Alegre e do Rio de Janeiro cantem as mesmas músicas. Isso é uma coisa praticamente impossível. Cada um cantava aquilo que é característico do seu estado, da sua história, do seu clube. E isso aí eu acho que é uma coisa que não tem como você fugir. Cada um canta aquilo que é dentro do seu estado, regionalmente, aquilo que mais vai incentivar a sua equipe”.

A seleção de 82, já retratada em dois episódios na coluna Jogada de Música, era muito musical*. Tanto que vários jogadores foram homenageados por compositores consagrados, como alguns gravaram discos. Você é um deles e o primeiro já foi um sucesso total. É verdade que a música de trabalho seria “Pagode da Seleção” e não “Povo Feliz”? Você se surpreendeu com tamanho sucesso? Aquele time de 82 foi mesmo o mais musical que você conheceu?

“Essa música (“Povo Feliz”) foi criada pelo Nonô do Jacarezinho e o parceiro, amigo, irmão que, inclusive, jogou com meu irmão na seleção brasileira de vôlei, o Memeco. E eu entrei meio que de carona nessa história. Eles fizeram a música, entregaram ao Alceu Maia, meu parceiro, meu amigo, meu compadre, padrinho do meu filho Rodrigo e eu sou padrinho do Breno, filho dele. Então isso é o tipo de coisa que é difícil até você falar. Só que quando o Alceu me ligou lá para a Toca da Raposa, onde a gente estava, primeiro eu levei um susto, porque ligação para a Toca da Raposa, naquela época não tinha celular, falei “caramba, aconteceu alguma coisa com minha família”, mas era ele. “Estou com uma música aqui maneira pra caramba, do Memeco, que você conhece, e isso aqui vai dar um molho do caramba”. Eu respondi: “Pô, Alceu, estou numa de jogar a Copa do Mundo, não estou preocupado com negócio de música”. “Não, mas vou te mandar um cassete”. Naquela época era cassete. Ele mandou a fita para lá, quando chegou eu peguei, a gente tinha um radinho lá no quarto, eu e Edevaldo (lateral-direito do Fluminense, reserva de Leandro, na seleção), aí eu falei “Edeva, vem escutar isso aqui”. Edevaldo também gostava de samba. Quando a gente botou para tocar, ele falou “Cara, isso aqui é a sua cara”. “Realmente, o refrãozinho é legal, é bacana, né? “Voa, Canarinho, voa, mostra pra este povo. (canta) Legal e fácil de cantar”. Aí me animei com a história, só que quando eu voltei para o Alceu no telefone, ele disse: “Nós temos que fazer uma segunda parte e nós já fizemos uma primeira aqui, que era exatamente o “Pagode da Seleção””. Então eu falei: “Alceu, por que a gente não introduz os meus amigos aqui, que estão comigo, Renato, Zico, Cerezo, Falcão dentro dessa letra?”. Aí, ele “Boa ideia!” e terminou a coisa acontecendo e a gente fazendo o “Pagode da Seleção”. Mas a música, na verdade, de trabalho, a música que era, e foi, o “Povo Feliz” que terminou sendo denominada “Voa, Canarinho”. Até mesmo porque um disco que vende 726 mil cópias em 23 dias é um disco que tem de ser respeitado. Eu digo sempre o seguinte, a música, o disco, pegaram uma carona naquela seleção, porque aquela seleção era espetacular, maravilhosa, tudo isso. Então, cada vez que a gente jogava, o pessoal da RCA Victor, na época, que era a gravadora, e o diretor mandavam um telex, dizendo assim: “Vendemos mais 150 e tal, vamos ganhar mais uma”. Porque, naturalmente, isso era o projeto dele. Mas jamais imaginava de chegar a esse número. Isso para mim é uma satisfação muito grande. Eu tenho em casa um quadro com Disco de Ouro, Disco de Platina, com 500 mil cópias vendidas nessa época”.

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A Seleção que jogava com música

Além do imenso sucesso com o compacto simples de 1982, Júnior gravou um LP no mesmo ano, com seu nome e músicas de Noca da Portela, Martinho da Vila, Luis Carlos da Vila, Jorge Aragão, entre outros (http://immub.org/album/junior). Depois lançou um mix em 86, com três músicas (http://immub.org/album/junior-1), e o LP “Tem que arrebentar”, em 1990, com composições de Nei Lopes, Arlindo Cruz, Almir Guineto, Leci Brandão e outros (http://immub.org/album/tem-que-arrebentar). Fora isso tem participações em DVDs, LPs e CDs de samba, incluindo “Um beijo no seu coração”, de Leci Brandão (1988), na música “Pra colorir muito mais”, de Arlindo Cruz e Franco.

Como surgiu a ideia do projeto Samba dá Sopa? Pode falar um pouco sobre ele e como está hoje?

“A gente estava sempre em Copacabana tocando pagode, sempre curtindo onde é meu reduto, na verdade, para que a gente ficasse se divertindo. Um amigo meu, Dudu de Irajá, e Mauricio Araújo, os dois fazem parte, Maurício como diretor musical e violonista do Samba dá Sopa, e Dudu, como percussionista: “Vamos fazer”. “Tá bom, a gente pode até fazer”. Trouxeram o Cesar Mariano, que era dono do Bom Sujeito, uma casa de samba da Barra da Tijuca, para a gente iniciar esse projeto. É uma maneira de se divertir e uma forma de a gente ajudar os outros. Hoje o projeto já tem onze anos, consolidado, solidificado, onde a gente tem diversas pessoas que nos ajudam, principalmente o Toni de Lucca, com as cestas básicas. Toda arrecadação a gente pega e compra de cestas básicas para distribuir. Começamos com três instituições, dividindo dez cestas para cada uma. Hoje a gente já tem treze instituições, que recebem 15 cestas, pelo menos, cada uma. Dá mais de uma tonelada de alimentos que a gente distribui durante todo este tempo e para gente é uma satisfação, porque a gente curte, se diverte e ainda ajuda os outros. E o melhor, todos os cantores profissionais, Xande de Pilares, Alcione, Dudu Nobre, Arlindo Cruz, toda essa galera já foi lá, deu sua contribuição, e todas as vezes que estão disponíveis eles são sempre muito bem-vindos”.

Samba dá Sopa

 

Fora as que você já gravou, qual ou quais músicas que falam de futebol que você mais gosta?

 “É camisa 10 na seleção…” (canta), essa é uma delas. Lógico que existem muitas músicas que a gente fica sempre ligado, na verdade, à nossa época, porque é a nossa época que faz com que a gente viva um pouquinho esses momentos. Eu vivi, na verdade, nos anos 60, depois nos 80 e, sobretudo, os anos 90 eu ainda estava em atividade. Eu me lembro de uma música do Jorge Ben, “Umbabarauma, homem-gol…” (canta). Essa era uma delas. O Jorge Ben sempre foi muito ligado ao samba e também ás músicas que eram ligadas ao futebol. Pô, o Skank (“Uma partida de futebol”) não posso esquecer. Skank é bom demais. Mais para trás ainda a gente pode lembrar de Wilson Simonal, com “Aqui é o país do futebol”. Essas são as músicas que eu me lembro”. (todas já fizeram parte de episódios anteriores desta coluna)

Tudo acima Júnior sabe e conhece muito bem. O que ele não sabe é que nos dois primeiros jogos que fui ao Maracanã, com meu pai, aos 8 anos de idade, ele marcou justamente os seus dois primeiros gols (e que gols!!!) como profissional, ainda atuando na lateral-direita: um no dia 8 de dezembro de 1974, Flamengo 2 x 1 América, quando o time rubro-negro conquistou o terceiro turno do Campeonato Carioca, e uma semana depois, dia 15, quando novamente os dois times se enfrentaram e o placar foi igual, na primeira partida do triangular final da competição. Veja os gols das duas partidas nos vídeos abaixo.

Por Eduardo Lamas

A ficção futebolística na música

A ficção futebolística na música

Compositores criam personagens da bola que vivem dramas e glórias

Se nos livros de futebol a ficção não tem estado tão presente – e tento preencher alguma lacuna com meu ebook “Contos da Bola”, recém-lançado pela Biblioteca Digital do Futebol Brasileiro, selo eletrônico da LivrosdeFutebol – na música não faltam exemplos de craques imaginários, jogadas inventadas, gols de fantasia e dramas que lembram alguns ídolos, famosos ou anônimos das peladas de fim de semana, porém, nenhum especificamente e todos ao mesmo tempo.

Não há pretensão alguma aqui de se dar o assunto por encerrado. Até porque o jogo só terminará quando o Grande Juiz apitar e apontar para o meio do campo. Então vamos começar por aquele que há mais tempo está nas paradas, tentou ser jogador do seu Flamengo, e volta e meia aparece nesta Jogada: Jorge Benjor. Ele que homenageou ídolos de carne e osso, como Fio e Zico, e também compôs sobre zagueiro, goleiro e até pediu pênalti ao juiz no primeiro tempo de uma partida que na cabeça dele existiu e depois passou a estar na memória de todos os torcedores que se sentiram “roubados”: “Cadê o penalty?”, música que esteve aqui no episódio sobre o árbitro.

Juiz de futebol, o eterno maldito

 

Entretanto, aqui vamos falar do tal “Ponta de lança africano (Umababaraúma)”, sem delongas. A história musical desse homem-gol criado pelo então chamado Jorge Ben foi gravada a primeira vez em 1976, no LP “África Brasil”. Aqui, porém, vamos de tabelinha de Benjor com os Racionais.

Outro que já apareceu aqui, no episódio sobre o Palmeiras,

O sempre inspirador Palmeiras

Douglas Germano também retorna ao nosso gramado. Até porque, se naquela vez criou um jogo fictício, na divertidíssima e criativa “Seu Ferrera e o Parmêra”, agora ele apresenta Jesus, camisa 33, ídolo e capitão do “Cruzeiro da Vila do Calvário” que acaba “falhando no corta-luz” e sendo crucificado pela torcida em “Zeirô, Zeirô”, do álbum “Golpe de vista”, de 2016. “E como culparam Jesus, e como xingaram Jesus, e como bateram em Jesus. Vila do Calvário, campo do Cruzeiro, foi tanta gente lá matar Jesus”. Vou negar, não: uma obra-prima essa aí.

Para finalizar, o “Brazuca”, de Gabriel, o Pensador. Se um dia entrevistá-lo vou perguntar se esta composição o levou a se tornar empresário de jogador para tirar talentos do mau caminho. Se alguém já souber a resposta, caso ele já tenha respondido, publicamente ou não, ponha nos comentários, por favor. Essa música foi gravada originalmente no CD “Nádegas a declarar”, de 1999. Fique agora com Brazuca “que não tinha nem comida na panela, mas fazia embaixadinha na canela e deixava a galera maluca”.

Tem muitas outras músicas com personagens fictícios do futebol, uma até que levantou grande polêmica nos anos 60, mas contaremos, cantaremos e tocaremos de primeira em outra ocasião. Voltem sempre, obrigado pelo prestígio a esta Jogada, que em breve estará penetrando em outras áreas para fazer outros golaços, com a ajuda desta torcida que só cresce. Até semana que vem.

 

Por Eduardo Lamas

Arlindo Cruz manda na rede

Arlindo Cruz manda na rede

Sambista, que sofreu AVC em 2017, tem o futebol em sua música

Após passar um ano e três meses internado por causa de um acidente vascular cerebral (AVC), em março do ano passado, o sambista Arlindo Cruz recebeu alta no início de julho passado a tempo de assistir à vitória do Brasil sobre o México, pelas oitavas de final da Copa do Mundo da Rússia. Flamenguista de coração e apaixonado por futebol, Arlindo pôs a bola rolando limpinha em muitos versos musicais inspirados que gravou.

Em “Jogador”, a tabelinha com Rogê resultou num golaço, aço, aço (na voz do saudoso Jorge Cury). Uma relação de craques da História do futebol brasileiro entram juntos no campo poético, com a criatividade que sempre caracterizou o nosso jogo e a nossa música. A dupla de compositores faz várias jogadas combinadas entre a Língua Portuguesa e o nome de grandes ídolos. Neymar, por exemplo, o mais novo da lista, nem precisou ser nominalmente citado, bastou a clareza e a inventividade dos versos: “Não precisa nem rio, nem mar…”. Outro grande momento: “Vamos lá, vai buscar seu Tostão/
Vai batendo um bolão/ Que faz Rir Valdo, Velino, velhinhos/ Meninos pra valer Andro ou Nardo/ Cada um carregando seu fardo/ Para Ser-ginho ou Rei-nato”.

Em 2013, quando Zico completou 60 anos, Arlindo Cruz comandou um timaço de compositores, com Evandro Bocão, André Diniz, Rogê e Marcelo Tijolo, para criar em conjunto a música que marcaria aquele especial aniversário do maior ídolo rubro-negro, tema da Jogada de Música da semana passada. Na gravação, que pode ser vista no vídeo abaixo, Arlindo atuou ao lado de cantores de primeira linha da MPB, como Alcione, Dudu Nobre, Marcelo D2, Frejat, Dominguinhos do Estácio, Neguinho da Beija-Flor e Sandra de Sá, entre outros, e também do esporte brasileiro, como Júnior, Julio César Uri Geller, Radamés Lattari, Paula, Jaqueline do Vôlei e Leila do Vôlei, mais artistas de outras áreas.

Além destas belíssimas composições, o sambista carioca de 60 anos que também toca cavaquinho e banjo, pôs o futebol em outras de suas músicas. Como já retratamos no episódio sobre o Clássico das Multidões, ele compôs “Fla x Flu”, gravada por Alcione.

Clássico das multidões e muitas canções

 

Mas não só. Em “Meu nome é favela”, Arlindo canta que vai “falar de futebol” e “jogar uma pelada”.

E, se para as peladas está vetado pelo departamento médico, Arlindo Cruz certamente voltará em breve a falar de samba e futebol, principalmente do seu Flamengo. Ele vem fazendo tratamento intensivo de fisioterapia e fonoaudiologia para recuperar os movimentos e a fala. Em entrevista ao jornalista Márcio Mará, em 2011, publicada no “Globoesporte.com”, Arlindo contou várias histórias de torcedor e elegeu Flamengo 4 x 3 Coritiba, pelas semifinais do Campeonato Brasileiro de 1980, como seu jogo inesquecível. E cantou o “Samba Rubro-Negro”, de Wilson Batista e Jorge de Castro, colocando na letra o lateral-direito Carlos Alberto, que naquela partida fez um dos gols mais estupendos que o Maracanã já viu. O vídeo com aquela versão infelizmente foi perdido, mas a paixão pela música, pelo futebol e o seu Flamengo permanecem no coração de Arlindo, a quem desejamos muita saúde.

http://globoesporte.globo.com/futebol/times/flamengo/noticia/2011/05/meu-jogo-inesquecivel-ritmo-veloz-do-fla-na-era-zico-toca-arlindo-cruz.html

 

Por Eduardo Lamas