O sempre inspirador Palmeiras

O sempre inspirador Palmeiras

Verdão sofre com jejuns e enfileira títulos e homenagens musicais

Atual líder do Campeonato Brasileiro e na semifinal da Copa Libertadores, o Palmeiras, que  conquistou a Copa do Brasil de 2012 e 2015 e o título nacional de 2016 após jejum de 22 anos, volta portanto a viver uma ótima fase após um hiato. Em outras oportunidades, o Verdão sofreu em outros momentos complicados que foram encerrados por tempos de glória. Mas estas eras de grandes vitórias, por sua vez, também foram interrompidos por períodos de crise.

Depois de viver duas fases espetaculares com a Academia de Futebol, que teve em Ademir da Guia o seu maior nome, o Verdão amargou entre 1977 e 92 o seu maior período de seca de títulos. Retratando este período terrível para o torcedor palmeirense, do início dos anos 80, Douglas Germano compôs “Seu Ferrera e o Parmera” e gravou esta música cheia de bom humor em 2011, no álbum “Orí”. O jogo narrado na letra é fictício, mas o sofrimento dos palmeirenses na época, nem tanto.

Quando obteve um patrocínio milionário de uma marca italiana de laticínios, o Palmeiras mudou seu uniforme, que passou a ter listras verde e branca, e começou a colecionar títulos novamente. Foi campeão do Rio-São Paulo de 93, paulista e brasileiro de 93 e 94, conquistou o Paulistão de 96, com um ataque formado por Djalminha, Rivaldo, Muller e Luizão que fez 102 gols em 30 jogos, e ainda papou a Copa do Brasil e a Copa Mercosul de 98 e a Libertadores de 99. Em homenagem a esses grandes dias para os palmeirenses, Moacyr Franco, ilustre torcedor do clube, compôs e gravou em 1997 “O amor é verde”, num CD single, em que também canta o Hino do Palmeiras. Na música de sua autoria, Moacyr Franco relaciona um número enorme de ídolos do Verdão até aquele ano.

Outro grande cantor brasileiro que tinha o coração alviverde era Silvio Caldas. Para não deixar qualquer dúvida quanto a isso, ele compôs e gravou, em 1976, a “Tarantela em Verde e Branco”.

O Palmeiras teve um hino quando ainda se chamava Palestra Itália, em 1918, mas não foi encontrado áudio. O atual, de 1949, foi composto pelo maestro Antonio Sergi. E entre as muitas versões gravadas do Hino alviverde, uma das mais bonitas, sem dúvida alguma, é a do guitarrista Marcos Kleine. E é com ela que fechamos a coluna desta semana.

 

Por Eduardo Lamas

Grêmio para o que der e vier

Grêmio para o que der e vier

Clube tem seu hino composto por Lupicínio e outras homenagens musicais

Atual campeão da Libertadores, o Grêmio continua dando alegrias à sua apaixonada torcida. Na última terça-feira obteve com facilidade a classificação para a semifinal da competição sul-americana, derrotando em casa o Atlético Tucumán, por 4 a 0, depois de vencer por 2 a 0 fora. Mesmo contra o forte River Plate tem tudo para chegar à final e lutar pelo seu quarto título, o segundo consecutivo, algo que no Brasil só o Santos de Pelé, em 1962 e 63, e o São Paulo de Telê, em 1991 e 92, conseguiram. Caso consiga o feito, o Tricolor gaúcho será o brasileiro com o maior número de Copas Libertadores da América.

Mas o papo aqui é a tabelinha da música com o futebol e os gremistas sabem muito bem que a relação do seu clube com a MPB é das mais íntimas. Criado por Lupicínio Rodrigues, um dos nossos maiores compositores, autor entre outras de “Nervos de aço” e “Esses moços”, o Hino do Grêmio é considerado um dos mais belos dos clubes de futebol do país. No vídeo abaixo ele é cantado por Vitor Ramil, um dos irmãos da dupla Kleiton, outro gremista, e Kledir, torcedor do arquirrival, o Inter, em gravação feita em 1996, ano em que o Tricolor de Porto Alegre conquistou o campeonato brasileiro pela segunda e última vez.

Porém, a torcida gremista quer voltar a comemorar este ano com mais uma Libertadores sob o comando de seu maior ídolo, Renato Portaluppi. Renato, além de ter dirigido o time no título do ano passado, fez os dois gols da vitória de 2 a 1 sobre o Hamburgo, da Alemanha, que deu o título do mundial interclubes de 1983 ao Grêmio. Ele só não tem participação na conquista de 1995.

Outros grandes compositores e instrumentistas gremistas de coração são Renato Borghetti, cracaço do acordeão, e Yamandú Costa, violonista de mãos cheias. Os dois já gravaram juntos, mas a homenagem ao clube do coração veio de uma dupla de Yamandú com Armandinho Macedo, torcedor de outro tricolor, o baiano. Assim, nasceu “Bahia x Grêmio”, no qual o duelo musical insere citações aos hinos dos dois clubes.

Outros torcedores do clube gaúcho são Michel Teló, que fez show na Arena do Grêmio antes do primeiro jogo da final da Libertadores do ano passado; a cantora Adriana Calcanhotto, que gravou o Hino do clube em seu disco “Loucura – Adriana Calcanhotto canta Lupicínio Rodrigues”, de 2015, também lançado em DVD no mesmo ano, e o guitarrista Humberto Gessinger, do grupo Engenheiros do Hawaii.

Gessinger, aliás, é autor de uma música que fez para um poema em homenagem ao Grêmio, composto pelo escritor chileno Antonio Skármeta, autor do livro “O carteiro e o poeta”, que posteriormente virou filme. E é com essa música que não tem nome, nem foi gravada em disco, que encerramos esta coluna (hoje) azul, preta e branca no vídeo abaixo do site do jornal “Zero Hora” (ClicRBS).

http://videos.clicrbs.com.br/rs/zerohora/video/entretenimento/2015/06/ouca-musica-que-humberto-gessinger-compos-sobre-gremio/123580/

*fotos divulgação, com exceção da do Gessinger, que é do arquivo pessoal

Por Eduardo Lamas

Três canhotas geniais. E musicais

Três canhotas geniais. E musicais

Craques da MPB reverenciam com estilo talentos de Alex, Neto e Rivaldo

O canhoto é um ser à parte no futebol, jogue em que posição for. Se atuar no meio de campo pode ter certeza de que dificilmente passará despercebido. Não são poucos os exemplos, porém ao menos três que estão ainda muito bem guardados na memória do torcedor brasileiro, especialmente de corintianos, palmeirenses, cruzeirenses e coxas brancas, brilharam tanto nos mais diversos gramados que não deixaram de ser homenageados por feras da Música Popular Brasileira. Com vocês: Neto, Alex e Rivaldo, nos versos cantados por Tom Zé, Zeca Baleiro e Fagner e Mundo Livre SA.

 

Indignado com a ausência de Neto na convocação de Sebastião Lazaroni para a Copa do Mundo da Itália, em 1990, Tom Zé o escalou para jogar naquela seleção que acabou eliminada logo nas oitavas de final pela Argentina. Compôs e gravou “Neto (do Corintians)” – sem “h” mesmo -, em 1990, em disco independente com Gereba (a faixa é a 11ª e você pode ouvir no link abaixo). Porém, em 2009, quando lançou o DVD “O pirulito da ciência”, o baiano de Irará mudou o título para “Neto, craque da Copa”. A música tem até narração de um fictício lançamento genial do camisa 10 do Corinthians para Careca, então atacante do Napoli, mas que já havia se destacado muito no Guarani, onde Neto começou, e no São Paulo.

 

http://immub.org/album/cantando-com-a-plateia-tom-ze-e-gereba

Além do Bugre, o hoje controverso comentarista da Band já havia atuado nos anos 80 por Bangu, São Paulo e Palmeiras, mas foi no Timão que viveu seus melhores momentos e merecia mesmo estar na lista de Lazaroni. Dois anos antes da Copa, Neto fez parte da seleção que ficou com a medalha de prata nas Olimpíadas de Seul, num time que tinha, entre outros, Taffarel, Jorginho, Ricardo Gomes, Andrade, Geovani, Valdo, Bebeto e Romário. José Ferreira Neto, nascido em Santo Antonio da Posse (SP), em 9 de setembro de 1966, ainda jogou no Atlético_MG e no Santos, ambos em 94, e em vários outros clubes, inclusive da Colômbia e da Venezuela, onde encerrou a carreira em 1999.

Alex é outro que não teve a oportunidade de disputar uma Copa do Mundo e, por isso, é sempre muito lembrado entre os “injustiçados” do futebol. Craque de Coritiba, Palmeiras e Cruzeiro, também teve uma rápida passagem por Flamengo e Parma, da Itália, até se tornar ídolo do Fenerbahçe, da Turquia. Sua habilidade com a bola e a facilidade para deixar os companheiros na cara do gol inspiraram Alex Souza e Panela a criarem “Craque Alex”, que acabou sendo gravada por Zeca Baleiro e Raimundo Fagner, artistas que já estiveram nesta Jogada de Música.

Um toque de prima para o Zeca “Boleiro”

Também setembrino como Neto, Alexsandro de Souza nasceu em Curitiba, no dia 14 desse mês, em 1977. Atualmente é comentarista da ESPN. Em 2014, no programa “Aperte o Pause”, de Diogo Portugal, Alex falou de sua paixão pelo samba, e no fim, ao lado dos compositores e outros músicos, cantarolou a homenagem feita para ele. Veja no link abaixo:

Se Neto e Alex ficaram fora de Copas, pior para a Copa do Mundo. Mas, como Rivaldo esteve em duas e ajudou muito a seleção brasileira a ser vice, em 1998, e a conquistar o pentacampeonato, em 2002, melhor para a Copa. A exemplo de Neto, também tem uma medalha olímpica, a de bronze, em 96. E, como ocorreu com os outros dois canhotos retratados nesta coluna, também inspirou um compositor a homenageá-lo. Na romântica “Meu esquema”, Fred 04, vocalista do grupo pernambucano Mundo Livre S/A, compara a sua felicidade com a amada a um gol do ídolo, que começou a carreira no Santa Cruz, de Recife: “Ela é o que meu médico receitou/ Rivaldo Maravilha mandando um gol/ Minha chapação…”.

http://immub.org/album/por-pouco

Rivaldo Vitor Borba Ferreira nasceu em Pernambuco, no dia 19 de abril de 1972, e jogou por 14 times, entre eles Palmeiras, Corinthians, Deportivo La Coruña, Barcelona, Milan, Cruzeiro e São Paulo. Apesar de ter sido ídolo de grandes clubes brasileiros e da Europa, especialmente no Barça, e conquistado um título mundial com a seleção, também é considerado por muitos comentaristas como um injustiçado, por não ter o seu valor devidamente reconhecido. No mínimo o troféu de melhor jogador da Copa de 2002 ele deveria ter levado para casa, concorda?

Por Eduardo Lamas