Vettel inspirado na Bélgica

Vettel inspirado na Bélgica

Piloto da Ferrari vence e se aproxima do líder

 

O alemão Sebastian Vettel venceu o GP da Bélgica de Fórmula 1 neste domingo de forma brilhante. Depois de partir da segunda colocação no grid de largada e ultrapassar Lewis Hamilton logo no início, Vettel chegou a quinta vitória nesta temporada. Lewis Hamilton teve de se contentar com o segundo posto e Max Verstappen fechou o pódio na terceira colocação.

De volta das férias, que duraram praticamente um mês, os competidores encararam aquela que é considerada por muitos como a melhor e mais agradável pista do campeonato. Spa-Francorchamps, na Bélgica, é um circuito com pouco mais de sete quilômetros de extensão e características que costumam gerar boas disputas e provas movimentadas.  As longas retas e curvas de alta velocidade são geralmente a garantia de muitas emoções. Desta vez não foi diferente. Vettel voltou bem e pulou logo na frente após pressionar Hamilton, pole position do GP. Na Eau Rouge, a curva mais difícil do campeonato, Sebastian pegou o vácuo atrás da Mercedes de Lewis e realizou uma linda ultrapassagem por fora ao longo da reta Kemmel. Sem dúvida, o grande momento da corrida!

Isto porque, se hoje em dia a aerodinâmica não colabora para melhores manobras e grandes ultrapassagens, Vettel soube aproveitar estas limitações para resolver a questão o quanto antes. A estratégia da Ferrari foi perfeita. O carro permaneceu por mais tempo na pista e colocou os pneus macios no lugar dos extra-macios voltando na ponta. Já para a Mercedes a situação foi mais complicada. A equipe precisou chamar Hamilton para o box antes e o inglês acabou com os pneus traseiros desgastados rapidamente.

Vale ressaltar a competência do tetracampeão e líder da Ferrari que se redimiu de apresentações pífias como a que aconteceu na Alemanha, por exemplo. Sebastian foi extremamente preciso ao manter na maioria do tempo a vantagem sobre Hamilton na casa dos três segundos. Lewis foi surpreendido. Depois do inglês colocar quase um segundo em cima do rival no treino de sábado, uma volta estabelecida muito mais no braço e talento de Lewis do que na diferença de qualidade em relação ao carro, na corrida os papéis se inverteram.

A próxima etapa rola daqui a uma semana em Monza, na Itália, Casa dos tiffosi (torcedores fervorosos da Ferrari). A tendência é que em mais uma pista rápida a Scuderia Vermelha domine os holofotes outra vez. O time de Vettel conta com o apoio das arquibancadas. Já a Mercedes precisará de força e muita sorte para reagir e manter a diferença de pontos favorável. A briga pelo título segue aberta e acirrada!

O volante de ouro da corrida vai para a equipe Racing Point. A antiga Force India foi vendida e passou por maus momentos. Foi um total clima de incerteza se ela continuaria em 2018. Com o pai de Lawrence Stroll assumindo a operação, tanto Sergio Perez quanto Esteban Ocon terminaram a prova pontuando depois de uma etapa de classificação convincente. Quem sabe se Lance Stroll assume também um dos cockpits? Nota 10 para a Racing Point!!!

O pneu furado da corrida vai para o alemão Nico Hulkenberg, da Renault. Conforme o próprio piloto afirmou: um “erro de julgamento” comprometeu sua corrida. Durante a largada, Nico freou tarde demais e acertou Fernando Alonso, da McLaren, logo na primeira curva. O carro do espanhol voou de maneira espetacular e caiu justamente na frente de Charles LeClerc, da Sauber. O bólido do jovem francês foi acertado na proteção de cabeça (Halo) e se não fosse esta inovação o choque poderia ter gerado consequências piores. Felizmente todos saíram bem do salseiro! Já para o alemão da Renault, além da encrenca, restou ainda a perda de dez posições no grid de largada para a próxima corrida em Monza. Punição merecida! Nota 0 para Hulkenberg!!!

Por James Azevedo.

 

Sentiremos falta de Alonso?

Sentiremos falta de Alonso?

Com mais de 300 GPs disputados, Alonso é um dos que mais correu na categoria

O espanhol Fernando Alonso anunciou que vai no fim do ano deixar o esporte que o consagrou bicampeão mundial e que estabeleceu estatísticas positivas ao longo de quase duas décadas de disputa. A bordo de uma McLaren o espanhol se despede da Fórmula 1 sem apresentar um bom rendimento em 2018. Alonso bem que tentou, mas os resultados não apareceram. O melhor momento de Alonso foi ainda na abertura da temporada com um quinto lugar conquistado na Austrália. Depois, ele pontuou mais sete vezes, mas ainda assim de forma muito distante do que é esperado para um piloto do naipe dele. Nem mesmo a mudança do motor Honda para o Renault melhorou o panorama. Ainda não se sabe qual será o destino de Alonso. Fórmula Indy ou o Mundial de Endurance? Quem sabe até as duas categorias na mesma temporada em 2019? Única certeza é a de que Fernando não deseja mais disputar a F1 e muito menos posições na zona intermediária do grid. Ele quer voltar a vencer.

Alonso passou por Minardi, Renault (duas vezes), Ferrari e Mclaren (duas vezes também). Mesmo em situações desfavoráveis e circunstâncias difíceis ele conseguiu vitórias expressivas. Conquistou a admiração dos próprios adversários que o reverenciam e o apontam, atualmente, como o mais completo na categoria. No entanto ao mesmo tempo em que ele se desenvolveu tecnicamente, o temperamento explosivo do espanhol comprometeu a sua trajetória. Muitos foram os altos e baixos na carreira. Fernando Alonso aprendeu bastante. A briga pelo título contra Raikkonen em 2005 e Schumacher em 2006 foram boas lições. Alonso assinou com a McLaren em 2007 e ao lado de Lewis Hamilton protagonizaram uma temporada de disputas acirradas. Ambos brigaram pelo campeonato ao ponto de Alonso atrapalhar Hamilton nos boxes durante um dos treinos do GP da Hungria. A perda do título para a Ferrari de Raikkonen e o rompimento com a McLaren foram consequências desta personalidade difícil do espanhol. Ele retornou a Renault em 2008 e despencou.

Alonso ainda se envolveria no famoso episódio de Cingapura. O brasileiro Nelsinho Piquet bateu após ordem dada por Briatore. Com o acidente provocado propositalmente uma bandeira amarela seria acionada no circuito para Alonso fazer um pit stop. Com isto o espanhol voltou a ponta e venceu a corrida. Já em 2010 a famosa troca de posições com Massa na Alemanha também não ajudou em nada na reputação complicada do espanhol. Ao longo dos vários anos na Ferrari, Alonso até disputou a taça, mas nunca conseguiu o sonhado terceiro título mundial. Com o natural desgaste da relação o espanhol rompeu mais um contrato e saia da equipe sem deixar saudades. Filme repetido na carreira de Alonso. Voltou para a McLaren e com razão tripudiou dos motores Honda. O que confirmou a fama de “reclamão”. Alonso esbravejou várias vezes no rádio e em entrevistas. No Japão em 2015, para se ter uma ideia, ele chegou a chamar o propulsor japonês de “motor de GP2”, uma referência a categoria de acesso que evidentemente tem menos potência.

Ainda assim Alonso deixará saudades por tudo o que proporcionou de bom e ruim na Fórmula 1. Marcou época. Venceu 32 vezes com 97 pódios. Um número expressivo na categoria. Mais do que isto, ele proporcionou duelos épicos contra outros grandes nomes da Fórmula 1. Alonso ainda tem três vice-campeonatos pela Ferrari. Se Alonso seguir para a Fórmula Indy nos Estados Unidos, quem sabe, ele encontrará um ambiente relaxado e descontraído? Será? Alonso já participou da edição das 500 milhas de Indianápolis em 2017 e aprovou. Um grande abraço e até a próxima. Que venha o GP da Bélgica em Spa-Francorchamps!

Por James Azevedo.

Solidariedade na F-1?

Solidariedade na F-1?

Massa fica chateado com declaração de Stroll

Quando a temporada de Fórmula 1 ainda estava prestes a se iniciar neste ano o jovem canadense Lance Stroll foi protagonista de uma das declarações mais polêmicas dos últimos tempos. Ele disse que Felipe Massa, seu ex-companheiro de equipe, não havia sido o seu mentor e tampouco o havia ajudado. O piloto tupiniquim evitou a polêmica naquele momento de pré-temporada (fevereiro), mas ao ser questionado novamente no programa de TV, Conversa com Bial, não fugiu da situação e destacou que ficou chateado sim com a postura do novato. Massa lembrou ainda sobre as dificuldades de Stroll para aprender os detalhes de uma modalidade tão complexa quanto a F-1. O brasileiro reiterou ainda que nem mesmo Michael Schumacher foi tão solidário. Fica a dúvida: é possível um piloto profissional ajudar um concorrente dentro de um universo extremamente competitivo como é o esporte automobilístico?

Com o tamanho da Fórmula 1 é natural que mais dinheiro circule no meio e acirre ainda mais a busca pelo topo. No entanto poucas equipes conseguem fazer parte do clube seleto e limitado de campeões. Define-se o piloto principal, aquele que tem mais chances de confirmar bons resultados, e a partir daí fica realmente difícil encontrar um competidor “bonzinho” dentro da própria equipe. É cada um por si e Deus por todos. As ordens dos engenheiros e coordenadores também entram nesta perspectiva e visam sempre o “melhor para a marca”. O fato de Massa ter ajudado Stroll revela também o momento em que vive a maior parte das equipes do automobilismo mundial. Times tradicionais, mas com problemas financeiros sérios, que recrutam muitas vezes profissionais de segunda linha por causa do dinheiro de um patrocinador ou apoiador.

Felipe Massa serviu de guru para Lance Stroll durante o ano de 2017. O brasileiro passou as manhas do carro e também os detalhes da equipe criada por Frank Williams. É claro que pela índole e pelo caráter de Massa não se esperava outra atitude dele. Fato confirmado durante a entrevista a Pedro Bial. Entretanto, Massa é exceção no meio. É comum, nos boxes, que os competidores olhem para si e foquem apenas no sucesso individual. Quanto ao comentário de Stroll é possível acreditar que a prepotência do canadense, graças ao dinheiro injetado na Williams pelo próprio pai, o impediu de aceitar isto. Uma pena.

Voltando a um passado ainda mais distante, em 1992, um caso famoso aconteceu em um treino na Bélgica. O inesquecível Ayrton Senna estacionou sua McLaren ao lado do traçado para ajudar um acidentado. Senna socorreu Erik Comas, francês que pilotava pela Ligier, que havia batido muito forte. Comas estava desacordado e com o pé no acelerador mesmo com o carro parado. As consequências poderiam ser ainda muito piores se não fosse a ação de Senna que correu e desligou tudo no painel do cockpit francês. Além da ação providencial, Senna permaneceu segurando a cabeça do piloto até que os médicos chegassem e fizessem o trabalho de socorro ao francês. Erik Comas se recuperou bem e até hoje tem o episódio guardado na memória. Dificilmente assistiremos outra vez uma cena como esta, inclusive até pelo risco. Vale lembrar que Senna correu pelo traçado ainda com os outros competidores na pista. A recomendação é a de que o piloto permaneça no bólido até a chegada da equipe de socorro. O fato é que o cenário frio e competitivo da categoria oferece cada vez menos exemplos como o de Felipe Massa na Williams. É uma pena que Stroll não tenha aproveitado muito bem isto. Um grande abraço, amigos, e até a próxima semana!

Por James Azevedo.