O fim de uma era na Fórmula 1

Fim de papo e fim de festa para a maior das categorias do esporte a motor neste ano: Está encerrada a temporada 2017 da Fórmula 1 após a costumeira agitação da etapa derradeira em Abu Dhabi. O finlandês Valtteri Bottas, da Mercedes, aproveitou a chance e partiu da pole position para mais uma vitória na carreira, a terceira, durante a corrida no cair da noite em Yas Marina, nos Emirados Árabes.

O companheiro de equipe e tetracampeão mundial, Lewis Hamilton, chegou até a ameaçar em determinado momento da corrida na metade da disputa. Porém um erro e uma pequena saída de pista talvez fizeram o inglês e a equipe reconsiderarem esse ataque na busca pela primeira posição e o piloto se contentou com o segundo lugar. Um também conformado Sebastian Vettel chegou na terceira colocação, só que muito atrás dos primeiros colocados na diferença ao final da corrida.

De fato a Ferrari já pensa em 2018 há algum tempo após os rivais assegurarem a atual taça. E Felipe Massa fez uma despedida do certame de forma muito digna com o décimo posto no final. Chegou na posição que largou e inclusive chegou a perde-la para Alonso em alguns momentos, mas conseguiu recuperar a tempo de fazer o que dava com um carro pouco competitivo como a Williams. A emoção foi grande mais uma vez dentro do cockpit e nos “zerinhos” feitos na pista durante a volta para levar o carro de volta aos boxes!

–  O finlandês Bottas foi contratado para a vaga de Rosberg na toda poderosa Mercedes e apesar de altos e baixos durante o ano de 2017 conseguiu se recuperar a tempo para voltar a correr em um ritmo mais próximo de Hamilton e justificar a posição na qual foi contratado. Colocou a cabeça no lugar e voltou a ser rápido já que um carro competitivo não falta a ele. Que em 2018 ele seja mais um na briga pelo caneco!

Massa sai por cima: Apesar de o brasileiro ter amargado apenas lutas pelas posições no setor intermediário do grid na maior parte de 2017, a regularidade foi fundamental para terminar em décimo primeiro na tabela, com 43 pontos, apenas três a mais que o jovem e novato companheiro de equipe Lance Stroll. Aos 36 anos e após um ano a mais e que estava fora das expectativas de disputa, acho que é o momento correto de parar e evitar um maior declínio da carreira. Apesar de tudo Massa teve momentos memoráveis e que muitos dos pilotos na história da F1 não tiveram.

Despedidas: além da última corrida de Massa na categoria, foi a última corrida do motor Honda na McLaren. A parceria nunca deu certo em três anos de união e o casamento foi encerrado de forma prematura. Para 2018 chega a Renault, que nunca havia equipado o time. Desde já o Fernando Alonso mostra-se confiante que pode lutar novamente pelo título na carreira. Deve melhorar, mas… menos, Alonso, menos! Vamos conferir o que a equipe inglesa pode fazer…

E foi a última corrida de cockpit aberto na Fórmula 1: ano que vem teremos o polêmico halo como proteção de cabeça no habitáculo dos pilotos. Elogiado pela segurança, criticado quase sempre pela estética. A maioria dos fãs e torcedores não gostou da mudança que vai deixar os carros bem feios em 2018. Será se ela permanecerá após as primeiras corridas? Respostas que veremos no ano que vem. Um grande abraço, amigos, e até a próxima!
Por James Azevedo.

Brasil fora da Fórmula 1 em 2018

Ao longo das últimas quatro décadas os pilotos do Brasil sempre estiveram presentes no grid da categoria máxima no esporte a motor mundial. Os competidores de terras tupiniquins não só marcaram território como também alcançaram o topo do pódio em muitas oportunidades, com vitórias e títulos. Mas a situação para 2018 parece irremediável, ao menos, por enquanto. Felipe Massa anunciou a aposentadoria da F-1 e disputará a última prova no próximo final de semana em Abu Dhabi, o encerramento da atual temporada.

Desde Emerson Fittipaldi (que corria com a Lotus naquela estreia durante a temporada de 1970) o país não ficava sem representantes. Chegamos a ter cinco ao mesmo tempo no grid em 2001, por exemplo. Os oito títulos mundiais parecem ter realmente ficado para trás no quesito qualidade de resultado dos brasileiros. E eles foram conquistados pelo excelentíssimo trio Fittipaldi-Piquet-Senna entre a própria década de 70 e o início dos 90. Acho que foi uma união de fatores, quase uma fatalidade que levou a essa queda de conquistas. Após a morte do Ayrton em 94 a pressão para se achar um sucessor ficou tamanha que isso não ajudou nem um pouco os que vieram na sequência: Christian Fittipaldi, Barrichello, Luciano Burti, o próprio Felipe Nasr… dentre outros. A última vitória foi exatamente com o Rubinho, em Monza 2009. Quanto tempo! A fonte secou, um importante ciclo vai se fechando até o momento. O Brasil chegou a ter diversas categorias de acesso no auge deste sucesso e justamente nas décadas em que os competidores daqui alcançavam diversas glórias nas pistas mundo afora.

Quando o interesse e o cenário econômico do país foram piorando, o investimento e até mesmo pistas clássicas como a de Jacarepaguá foram sendo retiradas “do caminho”. A partir daí menos formas de correr existiam e se produziram menos pilotos para o mercado internacional. O kart sempre foi o caminho para o início, mas mesmo assim ele já não tem a facilidade de acesso de antes. O automobilismo desde o início foi um esporte muito caro, para poucos, e em época de muitas empresas em dificuldades financeiras a coisa ficou ainda pior. Menos categorias, menos pilotos, menos qualidades a serem apresentadas. Tudo ficou mais raro. Agora é aguardar pelos próximos candidatos: Sérgio Sette Câmara faz importante caminho pelas categorias de acesso e correu bem neste ano pela Fórmula 2, inclusive conquistando vitória em Spa Francorchamps, difícil e tradicional traçado. E a dupla com o sobrenome de peso, Pietro Fittipaldi e Pedro Piquet vem tentando manter a marca dos clãs que representam. Pietro foi campeão da World Series V8, certame que correu com poucos carros e fez a última temporada neste ano. E Pedro fez uma temporada um tanto razoável ou para baixo na Fórmula 3 Europeia em um time mediano. É torcer que o cenário mude para 2019 ou 2020 ao menos. Para 2018 a bandeira do Brasil, ao que tudo indica, deve ficar mesmo de fora na Fórmula 1.

Show de Vettel e emoção de Massa marcam Interlagos

A edição 2017 do GP Brasil de F1 disputada neste domingo aconteceu com céu azul no autódromo de Interlagos e muitas disputas do início ao fim. Logo na largada, o pole position Valtteri Bottas tentou manter a liderança mas Sebastian Vettel emparelhou por dentro e fez a ultrapassasgem na marra ainda na primeira curva, o S do Senna. Daí para frente, ninguém chegou tão próximo do alemão. Ele fez uma apresentação impecável em solo brasileiro, sempre muito rápido e todos os méritos para alcançar a vitória número 47 na carreira. Bottas ainda conseguiu terminar em segundo e outro finlandês, Kimi Raikkonen, foi o terceiro colocado.

– Vettel perdeu o título para Lewis Hamilton neste ano, mas tirando as situações em que aconteceram problemas com a Ferrari, o piloto deu o seu melhor e trabalhou duro para os melhores resultados, mesmo que ainda reclame desnecessariamente e um tanto pelo rádio do carro quando algumas situações nada favoráveis acontecem para ele. O chega pra lá em Bottas na largada foi um dos grandes momentos da temporada! Frio, preciso e analítico desta vez: nota 10!!!

– E o inglês tetracampeão do mundo havia passado por maus bocados no treino classificatório! Ele bateu ainda no início da sessão em plena curva do Laranjinha, ninguém esperava por essa! Para reparar o bólido e conseguir participar da corrida ele teve que largar dos boxes. Com uma excelente e rápida prova de recuperação (o carro ajuda muito, claro!), foi passando os rivais um a um e terminou em quarto. Lewis chegou a pressionar um pouco Kimi Raikkonen, mas não conseguiu ir mais além. Foi eleito o melhor piloto da corrida e mostrou na prática e na pista o motivo de ter quatro campeonatos no bolso! Excepcional!!!

– Mais uma vez foi emocionante e memorável a participação de Felipe Massa no Brasil. Com o agora definitivo anúncio da aposentadoria na categoria (pelo menos é o que ele diz), foi uma corrida dentro dos limites que o carro da Williams quase sempre proporcionou neste ano: ele largou em nono lugar após ser atrapalhado no treino por Sainz e reclamar muito disso nas entrevistas (acho que não precisava ter focado nisso…). Ganhou várias posições logo na largada enquanto outros competidores se envolviam em problemas e acidentes. O melhor momento foi uma bela ultrapassagem sobre Fernando Alonso na reta principal, surpreendendo o espanhol. Esse lance com certeza vai ficar marcado na trajetória do Felipe, foi um momento de vibração! E no final o Massa chegou em sétimo e ainda recebeu diversas homenagens: Felipinho, o filho, mandou uma emocionante mensagem em inglês pelo rádio da equipe, e no final o brasileiro ainda pôde subir também ao pódio para saudar a fervorosa torcida. A última corrida no Brasil foi ainda mais digna do que a do ano passado.

Daqui a duas semanas o campeonato se encerra no elegante e moderno circuito de Abu Dhabi, um traçado que já até chamei de Mickey Mouse no Pop Bola, ou seja: apesar de longa reta é um tanto travado e estreito em alguns trechos. Sem dúvidas é menos prazeroso de guiar para os pilotos, eu imagino, do que Interlagos… Será o encerramento de um grande ano na F1 e teremos muito para falar aqui. Grande abraço e até a próxima semana!

Por James Azevedo