Com as mãos na Taça

Com as mãos na Taça

Inglês abre 40 pontos na liderança em relação a Sebastian Vettel

 

Lewis Hamilton, mais uma vez, pilotou em alto nível, aproveitou os erros dos adversários e venceu o GP de Cingapura, a décima quinta etapa da temporada 2018 de Fórmula 1. Foi a conquista de número 69 na carreira do tetracampeão mundial. O piloto da Mercedes partiu da pole position e venceu de ponta a ponta. Max Verstappen, por sua vez, aproveitou o erro de estratégia da Ferrari para conseguir a segunda colocação. Já para Sebastian Vettel restou o terceiro lugar no pódio. Agora a vantagem de Lewis na briga pelo título ficou ainda maior. São 40 pontos a serem descontados em seis corridas. Analistas e torcedores afirmam que Lewis já colocou as mãos na sonhada taça de pentacampeão. Será?

Como de hábito em 2018, Hamilton fez uma volta voadora durante a fase final de classificação o que lhe garantiu uma posição melhor no grid em relação a Verstappen, segundo colocado, e Vettel, terceiro. Hamilton largou muito bem. Vettel também. Ele conseguiu uma bela ultrapassagem em Verstappen ainda nas primeiras curvas. Já os dois carros da Racing Point Force India protagonizavam uma grande confusão logo no início. Sérgio Perez empurrou Esteban Ocon para o muro. O mexicano seguiu e fez uma prova agressiva, porém cheia de erros. O promissor piloto francês, que deve ficar sem vaga de titular em 2019, não teve a mesma sorte que o companheiro e abandonou a prova.

Mas foi na décima quinta volta que aconteceu o momento crucial da disputa. Vettel parou no box e colocou os pneus ultramacios. Ele retornou ainda com Sérgio Perez a frente, ou seja, mais um carro atrapalhando a tentativa de aproximação a Hamilton. Lewis, entretanto, parou uma volta depois e colocou os compostos macios conduzindo bem o carro até o fim. O fato é que a Ferrari tentou inventar uma estratégia completamente diferente da maioria e comprometeu o resultado. Devolver Vettel a pista em um momento ruim e escolher os pneus errados podem ter definido o campeonato a favor de Hamilton. Se não é o piloto, o time italiano se encarrega de fazer péssimas escolhas. Opções estas que se tornaram comuns nos últimos anos do time sediado em Maranello.

Lewis não tem nada a ver com isto. Ele segue firme para a conquista da quinta taça de campeão. Muito focado e emocionalmente equilibrado, o inglês não deve ser surpreendido. Cingapura, que teoricamente poderia favorecer a escuderia vermelha, não ajudou a Ferrari e viu Hamilton passear sem ser incomodado. Daqui a duas semanas tem o GP da Rússia onde Hamilton venceu duas vezes e a Mercedes alcançou todas as conquistas no circuito desde a prova inaugural em 2014. Tudo leva a crer que Lewis não terá dificuldades para igualar a marca da lenda Juan Manual Fangio. Tudo é uma questão de tempo.

Troféu volante de ouro da corrida vai para Max Verstappen da Red Bull – O holandês, desta vez, fez uma apresentação impecável. Ele recuperou com segurança a posição de Vettel logo após a parada do alemão nos boxes e garantiu o segundo lugar no pódio.

Troféu pneu furado da corrida vai para Sérgio Perez da Racing Point Force India – Depois de um início de corrida agressivo ao empurrar o companheiro de equipe, Esteban Ocon, contra o muro, o mexicano ainda deu uma fechada no russo Sergey Sirotkin, da Williams, de tirar o ar dos torcedores mais frios. Com tantas ocorrências negativas a direção de prova puniu o piloto e ele terminou a prova apenas com a décima sexta colocação.

Por James Azevedo.

Sorte ou competência?

Em sete temporadas Grosjean conquistou 371 pontos em 138 participações

Na última semana o francês Romain Grosjean, piloto da equipe Haas na Fórmula 1, destacou durante uma entrevista a um podcast que quase parou de correr depois da primeira passagem na categoria em 2009. Grosjean considerou, inclusive, prosseguir a carreira de cozinheiro e abandonar definitivamente as pistas. O piloto acumulou dez pódios no total até este ano, mas sem nenhuma vitória. Alternou rapidez e habilidade com algumas lambanças nas pistas. Eis então a questão: ele permanece até hoje pela competência ao volante ou por estar apenas no lugar certo e com as pessoas certas?

Logo que chegou a principal categoria de esporte a motor, Grosjean não marcou nenhum ponto ao assumir a vaga de Nelsinho Piquet. O fato não o ajudou a prosseguir em 2010 e o time trouxe o russo Vitaly Petrov para o seu posto. Naquele período, Romain pôde correr em categorias como a AutoGP e a própria GP2 (local de acesso à F-1). Grosjean foi campeão em ambas. Apesar de ser considerado um passo atrás na carreira, mais tarde percebeu-se que foi uma escolha acertada. A repercussão positiva pelas conquistas fez com que ele retornasse a F1 pela Lotus. Ainda em 2012 (o primeiro ano completo na Fórmula 1), ele alcançou pódios importantes e sofreu com alguns acidentes. Foi durante a prova da Bélgica, ainda na largada, que ele partiu com muito ímpeto para ganhar posições durante a primeira curva e acabou acertando fortemente Lewis Hamilton e Fernando Alonso (entre outros). Por pouco o acidente não machucou os adversários.

Banido por uma corrida, Grosjean buscou ajuda de um psicólogo na época. Já em 2013, o piloto conseguiu novamente uma sequência de pódios importantes com apresentações de encher os olhos dos amantes de Fórmula 1. O desempenho fez com que, após quatro temporadas na Lotus, ele partisse para um novo desafio no time da Haas. A tarefa era duríssima, afinal novas equipes geralmente levam tempo de trabalho e desenvolvimento para alcançar bons resultados. O melhor deles na Áustria justamente neste ano de 2018. Quarto lugar. Romain também sofreu com situações complicadas: a largada atrapalhada na Espanha e o erro bobo durante bandeira amarela em Baku, no Azerbaijão, foram algumas destas encrencas que colocaram a capacidade do piloto em dúvida. No entanto, desta vez, ele próprio conseguiu mudar as circunstâncias e “ligar a chave” para buscar resultados novamente positivos.

Suzuka Circuit, Suzuka, Japan.
4th October 2009.
Jaime Alguersuari, Toro Rosso STR04-Ferrari, retired, leads Vitantonio Liuzzi, Force India VJM02 Mercedes, 14th position, Fernando Alonso, Renault R29, 10th position, and Romain Grosjean, Renault R29, 16th position. Action.
World Copyright: Glenn Dunbar/LAT Photographic
ref: Digital Image _3GD9983

A sequência de três corridas na zona de pontuação (Alemanha, Hungria e Bélgica) parece ter melhorado o clima de Grosjean na Haas. A situação dele seria ainda melhor se o sexto lugar alcançado na Itália não fosse desconsiderado graças as irregularidades encontradas no fundo do carro. As boas apresentações em 2018 podem garantir a permanência de Romain (assim como Kevin Magnussen) por pelo menos mais um ano no grupo comandado por Gene Haas e Gunther Steiner. Para o competidor que já foi até considerado como um dos nomes para guiar uma Ferrari (mas não chegou lá), o futuro parece reservar um lugar ao sol na Fórmula 1. É bem verdade que se Grosjean não alcançou o topo, ao menos o piloto conseguiu manter-se no meio. Vale lembrar que dificilmente se consegue uma segunda chance na categoria! Grosjean teve duas oportunidades. Tanto o retorno após a primeira e curta passagem de 2009 quanto a volta depois da suspensão imposta em 2012 foram tais chances. Ainda sim existem aqueles que torcem o nariz para a permanência do francês neste time. A verdade é que Romain conseguiu calar os críticos (inclusive eu). Afinal a sorte vem para os que demonstram competência. A permanência do piloto é por merecimento.

Por James Azevedo.

Alemão de sangue latino na briga

Alemão de sangue latino na briga

Vettel não joga a tolha mesmo com o quarto lugar

O alemão Sebastian Vettel tinha tudo para sair do GP de Monza, na Itália, com um resultado positivo e diminuir a distância para o líder, Lewis Hamilton. Mas ele errou feio no início da prova, tocou no rival e perdeu o controle do bólido. O carro ficou avariado, precisou fazer um pit stop e foi obrigado a fazer uma prova de recuperação. Vettel terminou em quarto e agora está 30 pontos atrás na luta pelo título. Já Lewis Hamilton venceu de forma categórica na “casa” da equipe adversária e deu “no braço e na coragem” como diriam os mais românticos, um passo importante para a conquista do campeonato. Por outro lado, o que aconteceu com Vettel? Falha de concentração? Dificuldade para manter as emoções no lugar? Fato é que: Sebastian tem demonstrado instabilidade em 2018.

during qualifying for the Formula One Grand Prix of Italy at Autodromo di Monza on September 1, 2018 in Monza, Italy.

Classificado atrás de um Raikkonen (que assegurou o novo recorde de volta mais rápida na história da Fórmula 1), Vettel cometeu um erro de julgamento na freada e contorno da chicane conhecida como Variante della Roggia logo após a largada. É possível perceber que Hamilton vinha pelo lado de fora com muito mais velocidade e surpreendeu o rival ao colocar o carro da Mercedes em posição para fazer a ultrapassagem. Sebastian, no entanto, continuou por dentro e deixou para frear o mais próximo possível da primeira perna da curva, posicionada para o lado esquerdo. Brigando pela posição, o alemão continuou com o carro ao lado de Lewis e jogou em cima da zebra para manter-se emparelhado ao rival. Considerando-se a altura da área de escape o carro de Vettel foi lançado contra o carro de Hamilton. Os dois se tocaram e Vettel rodou imediatamente. Um erro só dele!

O alemão, no entanto, não admitiu o erro e ainda culpou o adversário pela manobra. Mais um episódio em que Vettel não assume a responsabilidade pelo erro. Mais um durante a carreira. A partir daí o piloto seguiu em uma alucinada prova de recuperação. Partiu para cima dos outros carros e protagonizou ultrapassagens arriscadas, mas extremamente necessárias diante dos próprios interesses. Errou na primeira tentativa contra Sérgio Perez, da Racing Point-Force India, mas se recuperou em seguida. Vettel sabia que não podia perder tempo e contato com os líderes da etapa. Louvável pela posição no pódio e pela distância para Hamilton em pontos não ter ficado ainda maior. C

Por falar em mancadas, Max Verstappen (após manobra deliberada contra Valtteri Bottas no final da reta) foi punido com cinco segundos, caiu uma posição após o fim da corrida e ficou com o quinto lugar.

Ainda sobre erros, de volta a Vettel, ele já havia vacilado em sua própria terra natal, Hockenheim, na Alemanha. O piloto passou reto e ficou na barreira de pneus naquela oportunidade. Mais uma falha para a conta. Durante a última semana, em um evento promocional da Ferrari, Vettel também passou direto mais uma vez na pista e bateu com o bico do carro italiano. Um episódio parecido aconteceu com o japonês Kamui Kobayashi. Sebastian alegou que o fato de usar um volante que supostamente é feito em esquema mais adaptável ao companheiro de equipe Kimi Raikkonen provocou o problema. Quantas justificativas, hein?

Com todos estes fatores os rumos do campeonato apontam a tendência de que Lewis Hamilton possa “abocanhar” mais um título na carreira. Seria o quinto e com ele se igualar ao lendário Juan Manuel Fangio. As próximas duas etapas da Fórmula 1, Cingapura e Rússia respectivamente, definirão realmente como ficará o duelo. Vettel poderá dar adeus a qualquer chance real de título para a Ferrari. Conquista esta que não vem desde 2007 para tristeza dos “tiffosi”.

O troféu volante de ouro no fim de semana vai para Lance Stroll, da Williams. – Desta vez (quem diria), o jovem canadense fez tudo certo e guiou de forma segura e precisa. Com um carro mais confiável e rendendo bem, Lance terminou o GP em nono lugar e garantiu dois pontos preciosos para o time. Uma verdadeira vitória se considerado todos os problemas enfrentados em 2018. Stroll é veloz e já apresentou algum potencial, mas ainda está devendo e muito durante o segundo ano na categoria.

O troféu pneu furado do fim de semana vai para a equipe McLaren. – O time inglês com base em Woking, Inglaterra, tem entregado carros com um rendimento horrível! Não que esta seja uma novidade, no entanto, nada está tão ruim que não possa piorar. Quem vem sofrendo diretamente com isto é o espanhol Fernando Alonso. Já com a saída dada como certa da F-1 no fim da temporada, bastou Alonso confirmar isto de forma oficial para que os problemas se instalassem de vez no carro do bicampeão mundial. Resultado: mais um abandono por quebra. Uma situação lamentável para um piloto que dominou a modalidade nas últimas décadas. Tomara que ele possa se despedir de forma digna. Alonso merece isto! Nós também.

Por James Azevedo.