A transparência de Tite e sua trupe

A transparência de Tite e sua trupe

Credibilidade e discernimento na convocação.

Estive na convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2018. Tite chamou os 23 jogadores e concedeu entrevista coletiva. Pipocaram comentários a favor e contra alguns nomes escolhidos pelo treinador. Contudo, uma situação interessante foi perceptível: a transparência que a comissão técnica procurou mostrar ao longo das entrevistas.

Havia cerca de 300 jornalistas na sede da CBF e certamente muitos discordaram de alguns nomes convocados pelo técnico brasileiro. Mas estabeleçamos um exercício de consciência. Se um dos jornalistas fosse escolhido para assumir o lugar do treinador e convocar a própria seleção, os outros 299 concordariam? Creio que não.

Minha função não é defender ou acusar. Tento trazer uma reflexão mais abrangente a respeito do processo que envolve algo tão sério para o futebol brasileiro. Eu também deixaria de levar alguns jogadores que estarão na Copa e colocaria outros de minha preferência. Mas quem esteve assistindo jogos pelo mundo? Quem observou treinos e conversou com técnicos de diversos clubes?

Devemos discordar, mas não apontar nossas soluções como se fossem as melhores. Lembremos que Tite tem um sistema de jogo definido e conhece os jogadores que podem se encaixar em seus desenhos táticos. Portando é importante entendermos todas as variáveis para que as análises sejam coerentes.

A seleção está convocada e a Copa está chegando. Fico com as palavras do preparador físico Fábio Mahseredjihan. Ele relatou a mim que tem todas as ferramentas para que os 23 atletas cheguem no melhor das condições para a estreia. E termino com o que me disse Edu Gaspar, coordenador de seleções: “A discordância é normal e assumimos a responsabilidade. Mas a relação com a imprensa tem de ser clara”. Tem sido.

Um abraço!

Por Fabiano Bandeira, O Praça.

 

*Fotos: Lucas Figueiredo/CBF

O goleiro que foi craque

O goleiro que foi craque

A despedida de Júlio César dos gramados

A torcida do Flamengo deu ao goleiro Júlio César uma despedida digna. Os rubro-negros provaram que o ídolo não precisa ser necessariamente campeão de tudo por um clube. A liderança, a gratidão e a influência preparam o caminho para que um jogador seja reconhecido por uma torcida. Algumas “conquistas” como campeonatos estaduais e até fugas de rebaixamento contribuem para a identificação de ídolos.

Todas as torcidas querem grandes títulos, mas nem sempre é possível. A força do jogador identificado com os fãs faz o Campeonato Carioca ser mais importante do que se tornou com o tempo. Júlio César foi titular em conquistas estaduais e diz ter sido “campeão” ao salvar Flamengo do rebaixamento. Saiu por cima e construiu carreira na Europa.

Júlio foi melhor goleiro do mundo atuando pela Inter de Milão. Ídolo na Itália e campeão de praticamente tudo, o craque se consolidou na Seleção Brasileira. Infelizmente falhou na Copa de 2010. Quantos outros não falharam em Copas do Mundo? Em 2014, Júlio ficou marcado pelo 7×1 aplicado pela Alemanha. Contudo, nota-se que não houve falha do goleiro naquele fatídico dia.

Em alto nível técnico, Júlio César ainda poderia contribuir muito dentro de campo. Mas o tempo é implacável e as dores não deixaram o arqueiro continuar. Júlio se despediu de maneira épica. Garantiu a vitória do Flamengo sobre o América Mineiro por 2×0 no Maracanã e saiu ovacionado do estádio. Um ícone embaixo das traves!

Os rivais, debochadamente, irão pegar no pé dos flamenguistas citando a Seleção. A provocação é salutar e o futebol é disputado por humanos. Os jogadores sabem que são alvo de críticas, elogios e provocações. Entretanto, é importante reconhecer que Júlio César foi durante algum tempo o melhor goleiro em atividade no futebol. Por todos esses motivos, a despedida foi justa e emocionante!

Um abraço!

Por Fabiano Bandeira, O Praça.

Treino com festa e jogo sem vibração

Treino com festa e jogo sem vibração

Fla tropeça em casa e sente falta da massa

Ocorre um novo fenômeno no futebol brasileiro: os treinos abertos ao público. Eles têm gerado grande apelo entre os torcedores antes de partidas decisivas. A aproximação da galera que não tem condições financeiras para ir aos jogos é uma das explicações. Mas existe apenas um fato que explique a nova mania?

O fanático aproveita qualquer situação para estar perto do clube de coração. E não dá para negar que nos treinos abertos também comparecem os indivíduos que são assíduos em dias de jogos. Estes não têm apenas o objetivo de apoiar o time, mas também são atraídos pela “liberdade para torcer”.

Enquanto o poder público faz de tudo para diminuir a festa nos dias de jogos, ao menos nos treinos a alegria é garantida. Não há limite para bandeiras, os sinalizadores inofensivos são permitidos e praticamente todos assistem a festa em pé. O amor ao clube somado a isto faz com que o cidadão saia de casa em direção a um simples treinamento.

Os estádios comportam milhares de pessoas e há lugar para todo mundo. É importante que os “homens da caneta” estejam atentos ao movimento que tem acontecido nos treinos abertos. O importante é tomar medidas menos preguiçosas na busca de acabar com a violência. O objetivo é punir individualmente quem merece e deixar a torcida, pasmem, torcer.

 Um abraço!

Por Fabiano Bandeira