Nos deixem torcer em paz.

Nos deixem torcer em paz.

Os cartolas estão perdendo a noção do que é o futebol. Enquanto houver espaço, deve haver movimentos pelo direito de torcer e dar espetáculo nas arquibancadas.

A CONMEBOL quer estabelecer novas regras para diminuir a participação efetiva dos torcedores nos torneios realizados na América do Sul. Grandes clubes já se manifestaram contra as medidas que a entidade quer impor em breve. Os cartolas da confederação não estão preocupados com o principal interessado num jogo de futebol. O esporte bretão não existe sem as festas dos torcedores.

O Brasil já passou por mudanças consideráveis em relação aos instrumentos utilizados dentro dos estádios. Contudo, ainda resta o sentimento dos torcedores que viveram o futebol em outras décadas e alguns resquícios de criatividade em meio a tantas proibições. Naturalmente é necessário limitar materiais letais e/ou perigosos num ambiente muitas vezes hostil e geralmente com milhares de pessoas presentes. O problema ocorre quando as autoridades se aproveitam de argumentos superficiais para barrar apetrechos inofensivos.

Não adianta tirar a bateria da torcida e deixar um agressor infiltrado na arquibancada. A tecnologia atual é capaz de identificar os arruaceiros com facilidade, pois há câmeras de segurança espalhadas pelos estádios e em diversas situações os bagunceiros não fazem questão de esconder a identidade. Acontece que os monstros formam a minoria. Todo ser humano que acompanha futebol entende que a maioria dos organizadores de festas nos estádios é apaixonada pelo clube que torce.

Os brasileiros vão trocando bandeiras por pequenas faixas, bandeirões por mosaicos, sinalizadores inofensivos por celulares e a festa vai se modificando. Embora não esteja perdida, em território nacional, a luta está complicada e os espetáculos diminuindo. Se a CONMEBOL continuar com o plano de acabar com o interesse do torcedor, o futebol do continente também vai ficar chato fora de campo, pois dentro das quatro linhas a qualidade já está longe da ideal há anos. Fica a torcida para que muitas instituições façam como o Corinthians e se levantem contra essas atrocidades.

Um abraço!

Por onde andam os ídolos?

Por onde andam os ídolos?

Torcedores estão carentes de grandes nomes

Vasco, Botafogo, Flamengo e Fluminense possuem ídolos históricos. Mas infelizmente, no cenário atual, os gigantes do Rio não têm referências técnicas.


Em 2018, dois grandes ídolos de clubes cariocas se despediram dos gramados. Ao encerrarem as carreiras, os goleiros Júlio César e Jefferson deixaram Flamengo e Botafogo, respectivamente, mais carentes de referências para os atletas mais novos. No Rubro-negro, Juan também se aproxima da aposentadoria e jovens talentos como Vinicius Júnior e Lucas Paquetá já foram vendidos.

Vasco, Fluminense e Botafogo atravessam uma fase tenebrosa dentro de campo e isso passa pela formação da identidade dos jogadores. Todavia, até o Flamengo, vice-campeão brasileiro, tem problemas com a falta de identificação. Vinicius e Paquetá foram formados num dos clubes mais equilibrados do país em termos financeiros. Mas ainda não há como competir com o dinheiro dos europeus e a expectativa gerada nos meninos brasileiros é enorme.

Se o Flamengo, estruturado e saudável financeiramente, não consegue manter os candidatos a ídolos por muito tempo, como os rivais teriam condições de formar um ícone capaz de atrair torcida e conquistar títulos? Pedro, revelação do Brasileirão 2018 e craque do Fluminense na temporada é tido como tábua de salvação nas Laranjeiras. Engana-se quem pensa que isso se refere aos resultados esportivos. A tal salvação seria financeira, pois uma venda para a Europa faria a instituição respirar por alguns meses.

Algo parecido aconteceu com o Vasco Da Gama. Paulinho despontou como um excelente jogador e foi vendido para a Alemanha. Há quem diga que esta negociação solucionou muitos problemas na Colina. Porém, mesmo diante da boa venda, o Vasco continua afundado em dívidas e Paulinho, menino promissor, não conseguiu se firmar como ídolo de uma das maiores torcidas do Brasil. O jovem não teve culpa, pois não teve tempo.

Pela proximidade do gol, os jogadores que se destacam no ataque têm mais facilidade para cativar o torcedor. O Botafogo tem tido dificuldade para formar este tipo de atleta. Entretanto, o clube tem formado bons defensores e se lança ao mercado de qualquer jeito tentando vender novos valores para sangrar menos na parte financeira. O Alvinegro praticamente anuncia que precisa vender o zagueiro Igor Rabello e o volante Matheus Fernandes para que haja sobrevida em General Severiano.

Diante de tantos empecilhos, desorganização nos departamentos, amadorismo e falta de dinheiro, os clubes do Rio de Janeiro apresentam cada vez mais dificuldades para criar ídolos identificados. A estrutura tem que ser modificada enquanto há tempo. Hoje o Juan ainda volta para, ao menos, encerrar a carreira. E quando não houver outro assim? Jefferson é goleiro, mas se manteve por 11 anos. Será que haverá mais um? “Paulinhos” e “Pedros” retornam um dia? O artilheiro ainda nem foi, mas o tricolor já sente saudades! Algo tem quer ser feito.

Um abraço!

Por Fabiano Bandeira, O Praça.

Entendendo Jefferson como ídolo!

Entendendo Jefferson como ídolo!

A torcida do Botafogo fez uma linda festa no último jogo do goleiro Jefferson como atleta profissional. Entenda os motivos.

Um jogador de futebol é alçado ao posto de ídolo por variáveis abstratas e, por mais que números surjam para embasar ou descontruir a condição alcançada por determinado atleta, é o imaginário do torcedor que define quem é considerado ícone para uma instituição esportiva. Os alvinegros que se despediram de Jefferson na última segunda-feira entendem que o goleiro representou o Botafogo durante muitos anos em um período no qual os grandes jogadores não costumam permanecer nos clubes por muito tempo.

Jefferson chegou ao Glorioso em 2003, se tornou titular em 2004 e foi jogar na Turquia em 2005, quando já se destacava na meta alvinegra. Em 2009, o goleiro retornou ao Botafogo e foi fundamental na permanência da equipe na Série A. Todo botafoguense sabe o que aconteceu, desde então, após o ídolo ter começado a construir de forma definitiva uma linda história na carreira. É importante relembrar os fatos, mas também é salutar entender os motivos que fazem títulos aparentemente comuns se tornarem impactantes e atitudes incomuns se transformarem em algo imensurável.

Em tempos de estaduais esvaziados, o fato de um jogador ter virado ídolo tendo conquistado “apenas” 3 Cariocas parece esquisito. Contudo, quando o torcedor lembra da barriga de Renato, da falta de Pet e da escorada de Maurício, ele entende que há alguns campeonatos especiais. Assim foi o primeiro título de Jefferson no Botafogo. Ao pegar o pênalti de Adriano em 2010, numa competição ainda prestigiada e com o Maracanã lotado, Jefferson somava uma salvação do clube no ano anterior a um título sobre o rival com direito a ter parado um dos melhores atacantes do planeta. O torcedor que sofrera em decisões anteriores contra o Rubro-negro comemorava.

O goleiro foi convocado pela primeira vez ainda em 2010 e eleito algumas vezes como o melhor da posição no Campeonato Brasileiro. Muitos atletas atingem esses objetivos, mas Jefferson recusava propostas e exaltava o Botafogo. Isso mexia com a paixão do aficionado. O Glorioso, assim como o Santos, tem uma ligação histórica com a Seleção Brasileira e ao ver Jefferson defendendo a camisa verde e amarela, o torcedor se sentia representado. O goleiro pegou dois pênaltis com a amarelinha, mas a defesa na cobrança de Messi foi a mais marcante.

Em 2004, quando o Brasil venceu a Argentina nos pênaltis na final da Copa América, muitos flamenguistas, cobertos de razão, brincavam dizendo que Adriano havia empatado, Júlio César defendido pênalti e Juan fechado a série de cobranças. Isso realmente aconteceu e os rubro-negros então diziam que o Flamengo deu o título ao Brasil, pois os 3 craques foram formados na Gávea. Esta é a ligação do torcedor com os ídolos. O jogador representa o clube até quando está na seleção. Ao defender o pênalti de Messi, a cabeçada de Benzema e ao aparecer com a bandeira do clube na comemoração do título das Confederações, Jefferson fortaleceu o vínculo com o botafoguense.

Em 2013, além do título com a Seleção, Jefferson foi campeão estadual em cima do Fluminense. Em 2018 voltou a ganhar no Rio. O adversário foi o Vasco e o craque conseguiu triunfar sobre os 3 grandes rivais do Botafogo. Mas talvez a grande ação tenha acontecido quando o clube foi rebaixado em 2014 e o ídolo, ainda na Seleção, resolveu permanecer no Glorioso. Jefferson recusou propostas, retornou à primeira divisão com o Fogão e escreveu o nome na história definitivamente em 2018 ao ter se tornado o terceiro jogador que mais vestiu a camisa do Botafogo. Foram 459 jogos.

Muitas vezes de forma inconsciente cada torcida define os ídolos dos clubes. Geralmente os nomes guardados nas memórias têm peculiaridades que só os torcedores de determinada instituição conseguem mensurar. Renato fez o gol de barriga e está na história do Fluminense, Petkovic´ jogava muita bola e se tornou ídolo com um golaço de falta numa final de estadual. Quando voltou para ganhar o Brasileiro de 2009, Pet já estava gravado na memória dos rubro-negros. Felipe chegou a ser campeão pelo maior rival, mas é ídolo e maior vencedor da história do Vasco da Gama. Jefferson, além de tudo que foi citado, agarrou muito e somou 11 anos de carreira no Botafogo. Pelos motivos descritos todas as homenagens são justas.

Um abraço!

Por Fabiano Bandeira, O Praça

 

*fotos Vitor Silva / SS Press / BFR