Tem mimimi no Bobobó?

A Beija-Flor conquistou seu décimo quarto título do carnaval carioca com um enredo que mostrou as mazelas do país: violência, abandono, corrupção, descaso e críticas a uma série de setores da nossa cidade falida e abandonada. No desfile da “soberana” sobrou até para o futebol, retratado num campo de batalha entre as organizadas e cartolas interessados em levar vantagem nas negociatas da bola. Alguns entendidos de carnaval disseram que a escola atirou para todos os lados e que se perdeu na narrativa. No caos que vivemos não há ordem, tudo está interligado. O samba forte, de lamento, foi um grito de socorro para o carnaval. Viva o samba de Nilópolis, viva o samba da Tuiutí. Está extinta a escravidão? Foi um carnaval político, de protesto, do desenredo, partidário em certos momentos, mas foi o carnaval que deu voz aos excluídos. O dedo na ferida, as imagens que todos veem diariamente, mas não tem coragem de enxergar.

Fim da folia na Sapucaí. As escolas protestando contra os resultados, torcedores discutindo nas redes sociais, a polarização política no foco de calorosos debates entre amantes e leigos do carnaval. No país do samba e do futebol, a polêmica não pode faltar para esquentar as rodas de samba. Somos todos fantoches? A esquerda triunfou sobre a direita e deu seu recado? Somos todos brasileiros e estamos insatisfeitos com violência, abandono e corrupção. Somos filho de uma pátria cansada de apanhar, senhor! Não temos lados, estamos todos na mesma linha de tiro. Na bola, no campo e nos gabinetes dos cartolas, segue o jogo sujo de vaidades e de interesses, onde o torcedor é colocado de escanteio, marginalizado. Os atletas, em sua grande maioria, são escravos dos clubes, vivem em condições precárias e se submetem a situação desumanas. Não estou falando dos grandes clubes brasileiros, mas de muitos jogadores que sobrevivem como podem no país do futebol.

É falsa a ilusão que todos são Neymares…A maioria esmagadora se não vive em regime de escravidão, ainda sofre na mão de dirigentes-feitores, empresários-carrascos, vivendo sob pífias condições de vida nos alojamentos-senzalas. Na casa-grande, os donos das grandes terras disputam a sangrenta guerra pela terra. Não há irmandade, não há cooperação. É cada um por si e quem paga a conta, como sempre, é o torcedor. Os poderosos Flamengo e Botafogo sentaram para conversar e chegaram ao fim de uma longa batalha. Ficou decidido que o reino rubro-negro teria o direito de explorar as terras alvinegras pagando um bom imposto ao rival. Inimizades deixadas de lado em nome de um bom negócio. Mas, um funcionário resolveu debochar do inimigo. Com as mãos no rosto, simulando um choro compulsivo, destratou o rival. Foi o estopim para que as transações se encerrassem.

O Botafogo vestiu a carapuça e encerrou o assunto. “Vá procurar um canto qualquer”! Não estou defendendo nem o clube da Gávea, nem o de General Severiano. Faltou espírito carnavalesco ao fogão nesse período momesmo. A máscara da tragédia usada por Vinícius JR incomodou tanto que a relação entre os clubes estremeceu mais uma vez. O Botafogo fechou as portas da sua quadra para o folião. O urubu-rei foi barrado na concentração. Mas, se faltou respeito, segundo os alvinegros, ao Botafogo faltou a alma de uma Beija-Flor, de um mangueirense, de um folião que não se deixa levar por brincadeiras e provocações. Faz parte do carnaval criticar, expor as feridas, e do futebol aceitar as gozações. Assim como nos desfiles desse ano, teve gente que adorou a encenação da Beija-Flor, outros acharam fortes e desnecessárias, cruéis. No futebol, alvinegros fecharam a cara com a fantasia da ofensa. Em 85, no desfile da Caprichosos de Pilares, a escola trouxe para a avenida o enredo que falava de “Saudades”. Lembranças daquela seleção nacional, da gasolina barata, da poupança no colchão. O curioso é que havia um carro em formato de bolo que celebrava os 16 anos do Botafogo na fila. O cantor Agnaldo Timóteo ameaçou tacar fogo na alegoria assim que ela apontasse na avenida. “Bota, bota, botafogo nisso”, dizia a letra do samba, que brincou com a ameaça. Samba e carnaval continuam desfilando de braços dados, mas as vezes, fecham o punho para defender seus pavilhões. Perderam preciosos pontos em harmonia.

Por Alexandre Araújo

Divina comédia da Bola

Os sete pecados do futebol carioca

Nossa senhora que está no céu. O Botafoguense deveria trocar suas superstições por uma reza mais forte. Não há santo que dê jeito nesse calvário alvinegro na Copa do Brasil. E não é a primeira vez que o torcedor do fogão comete o pecado de perder a fé com seu time de coração.  Ouvi impropérios impublicáveis até mesmo num confessionário, mas tenho que confessar que o futebol jogado no Rio de Janeiro é uma heresia.  Peçam por um milagre, pela ressurreição de ídolos, porque a situação está infernal. Não há santo que dê jeito. Ouço preces por contratações, mas os clubes estão com a sacolinha na mão. O dízimo do torcedor não paga a conta, dizem que, às vezes, é preciso fazer pacto com o diabo para no final ano garantir um lugar no céu do nosso futebol.

Vivemos nossa divina comédia da bola. Uns ainda estão no purgatório, acertando as contas com as administrações passadas. Outros já estão queimando no fogo do inferno, repleto de cobradores e contas a pagar. Estão aguardando o caronte, que os levará sem pudor para as divisões mais profundas. Dizem que no Fluminense a barca já passou, ledo engano caros amigos. O barqueiro que faz a travessia das almas está para chegar. É o apocalipse tricolor. “Dante” tantos pecados, as almas grenás passeiam pelo limbo. Num sonho improvável, vejo um cavalo de Tróia galopando a caminho das Laranjeiras, repleto de guerreiros dispostos a salvar a vida de um clube tantas vezes campeão.

E as tempestades não tem hora para chegar. Deuses Dourados se vão, a avareza dá as mãos à gula de poder e, finalmente, se instala a ira. Os apaixonados invadem, protestam, gritam contra os dirigentes soberbos. O nobre tricolor está petrificado, como se olhasse diariamente para a medusa de Abad. Nasce uma preguiça de torcer…

Na Colina, o inferno astral reina após a faminta eleição. A oposição derrotada é queimada na fogueira das vaidades, comandada por um velho cão de guarda. No círculo infernal, os traidores navegam por mares sombrios. Judas, bradam os seguidores rivais. A barca segue, guiada pelo Cruzeiro do Sul. A estação Paraíso reserva dias melhores. Mas para chegar até lá, é preciso visitar o purgatório, pagar as contas com o passado, se arrepender e aprender com os erros. A alma rubro-negra deixou a cobiça de lado, pôs a casa em ordem para enfim chegar aos sete céus. Ainda há luz no fim do túnel, velho “geraldino”. Quando a escuridão passar, tudo ficará mais cristalino. Novos dias virão, conquistas voltarão a aparecer e a rosa branca um dia surgirá em vossa mão. Mas como diz o velho poeta português: “Navegar é preciso”. Um dia a escuridão vai passar e a glória se elevará.

Poe Alexandre Araújo

@alexaraujo_75

Casos de família

As fofocas da bola agitaram a semana

 

O brasileiro nasce com um binóculo na mão para espionar a vida alheia. Fofocar e fazer intriga sobre a vida do próximo é esporte nacional. Não basta ler ou ouvir, tem que opinar, criticar e meter o bedelho onde não é chamado. As fúteis revistas sobre o dia-a-dia das celebridades ainda sustentam os jornaleiros e nossas tardes são repletas de programas de fofoqueiros na TV. É cultural bisbilhotar o que não nos diz respeito.

O assunto dessa semana foi o possível término da relação do goleiro Júlio César, agora no Flamengo, com a atriz Suzana Werner. O ex-goleiro da seleção resolveu encerrar a carreira no clube de coração. Mas, segundo a esposa, que se manifestou de forma contundente nas redes sociais, ele sequer comunicou a família sobre a decisão. Suzana teria dito que o anúncio foi feito horas antes dele embarcar para o Brasil.

Os internautas viram que ali tinha um prato cheio. Uns disseram que o goleirão deveria ter pensado na família, que o casamento é uma parceria, e a decisão de Júlio foi egoísta. “Enquanto a família fica em Portugal, ele atravessa o oceano para jogar bola. Tenha paciência!”. Também temos os defensores do camisa 1 do 7 a 1. “A Suzana sabe que a profissão de jogador é assim. Um dia numa cidade, outro dia em outra”, argumentaram os fofoqueiros da bola.

Suzana foi criticada por expor a vida do casal nas redes. Como bom brasileiro, também vou meter a minha colher. O goleiro saiu mal na foto quando decidiu assumir de supetão um compromisso longe da família e ela não precisava ter aberto a relação do casal para um Brasil de audiência. Mas isso também não é problema meu.

Assim como também não me interessa as idas e vindas de Neymar e Bruna Marquesini. “ O Neymar é novo, está cheio de dinheiro no bolso e tem mais que curtir a vida”. “ Se o craque do PSG fosse frentista de posto de gasolina, duvido que ela se apaixonaria por ele”. Pensei alto… somos o povo que adora novelas, éramos apaixonados por elas ainda na época do rádio. E quando os personagens se tornam reais, é ainda melhor.

Temos salvo conduto para dar pitacos, aconselhar e debater nas mesas de boteco. É esporte nacional. O futebol é uma paixão, mas as histórias que cercam o esporte também são fascinantes. Jogadores que se envolvem com travestis, atletas que se entregam ao álcool, decadência de antigos ídolos. Temas que fascinam o torcedor, às vezes mais que uma simples contratação. Quando analisamos o futebol somos um misto de João Saldanha e Nelson Rubens. E como diz o ditado, o Brasil de 180 milhões de treinadores e fofoqueiros de plantão. Ta sabendo da última?