Avante, palestra!

Elenco reforçado graças ao poder financeiro do patrocinador, estádio moderno, um atraente plano de captação de torcedores. Alguns fatores que fazem do Palmeiras o time que mais levou torcedores aos estádios em 2018. O verdão lidera a média de público pagante por jogo no Brasil, com 28.883 espectadores por partida. Logo atrás do alviverde aparece outro clube paulista.

O timão, atual campeão brasileiro e dono de uma das torcidas mais fanáticas do país, levou até o momento uma média de 25.400 maloqueiros sofredores. Apesar dos estaduais terem perdido a importância nos últimos anos, o Paulistão ainda sobrevive em meio ao descrédito de outros torneios regionais.  Os times paulistas têm mais dinheiro, são mais organizados e, consequentemente, conseguem levar mais torcedores para os campos.

O São Paulo aparece no top 5 com a boa média de 16.189 por partida. A lista apresenta alguns dados curiosos, mas que não causam tanta estranheza. Paysandu e Remo ocupam respectivamente a 9 ª e a 10 ª posição no ranking. Torcidas apaixonadas e que ainda valorizam a disputa das competições locais.

O que causa tristeza nesse levantamento é a pífia média de público nos jogos do Cariocão. Pouco investimento, crise econômica e política nos clubes- com exceção do Flamengo, torneio deficitário e pouco atraente, excesso de jogos, adversários com nível técnico discutível, e campos em estado de petição de miséria.

É claro que a ausência do Maraca faz a média cair, mas o pobre Mário Filho não pode carregar esse fado sozinho. O outrora maior estádio do mundo está abandonado, encolhido em seu canto a espera de alguém que possa acolhê-lo. A maior torcida do país ocupa a modesta 14 ª posição, com uma média de 7 mil torcedores. Muito pouco para o gigantismo do Flamengo, mas um número nem tão irrelevante para um campeonato que vive às moscas.

Não à toa, os clubes têm levado os clássicos para outras cidades para tentar arrecadar mais dinheiro e atrair mais público. Fla-Flu em Cuiabá, mengão no Espírito Santo…E os torcedores que já estão desanimados com o campeonato, cada vez mais se afastam e perdem o interesse. O Vasco, que jogou a pré-libertadores, ocupa apenas a décima sétima posição, atrás do CSA?  O Botafogo aparece no final da lista com 5.602 aficionados. O problema é que esse é o fogão de Ribeirão Preto. Fluminense (5.048) e Botafogo (2.846) ficaram fora do Top 20.

O torcedor carioca tem medo de sair de casa por conta da violência, os times não convencem, o espetáculo não é atraente. O tricolor, por exemplo, mandou alguns jogos no estádio Los Larios, em Xerém. Um temporal desabou sobre a cidade e o que vimos foi tudo menos futebol. Campo alagado e funcionários fazendo de tudo para fazer a bola rolar. Amadorismo é pouco. Como jogar no Maraca custa caro, a diretoria do Flu sonha com a volta do Estádio das Laranjeiras. O projeto prevê modificações no velho campo, mas depende de uma série de liberações, dinheiro e vontade política para sair do papel. Em 72 partidas do Cariocão- que não merece mais esse apelido- foram vendidos 172.647 ingressos, uma incrível média de 2,397 torcedores. A partida entre Resende e Macaé levou 165 abnegados ao estádio. Enquanto Palmeiras e Corinthians lotam até treinamentos, os clubes do Rio suam litros para botar meia dúzia de gatos pingados em seus jogos. É lamentável.

Por Alexandre Araújo

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Santa fissura?

A notícia da semana no meio esportivo foi a contusão de Neymar e sua ausência (ou não) do jogo contra o Real Madrid, em Paris, pela Liga dos Campeões da Europa. O mais provável é que o atacante fique de fora da partida mais importante para o clube francês em 2018. E também é muito provável que sem Neymar o PSG não consiga despachar o gigante merengue. O sonho parisiense em se tornar uma potência ficou mais distante, é verdade. Para bater o Real e reverter o resultado de 3 a 1, o time do xeique terá que comer a baguete que o diabo amassou. O ídolo brasileiro não tem levado sorte em jogos decisivos. Não dá para dizer que uma contusão vem em boa hora, mas muita gente acha que se Neymar estivesse em campo no fatídico 7 a 1 o resultado teria sido diferente. Não acho. Ali faltou liderança para esfriar o jogo, e o namorado da Marquesini não tem esse perfil. Se o PSG for eliminado da Champions, vão dizer que se Neymar estivesse em campo a história teria sido diferente. Nunca saberemos. É evidente que o time francês carece da sua presença num jogo tão decisivo. Neymar é referência. Ele é o bandleader do grupo, ao contrário dos alemães que jogavam como uma orquestra, sem destaques individuais. Se precisavam de uma desculpa, os franceses já têm na ponta da língua. “Perdemos porque Ney não foi para o jogo. Ano que vem voltaremos mais fortes”.

Às vezes, o azar também sorri para os vencedores. O brasileiro não levaria a culpa da eliminação, como não carregou nos 7 a 1, por exemplo. Sem poder jogar, automaticamente ele tira o corpo fora de um fracasso. Assim, ele é elevado a um herói que foi impedido de trocar a roupa na cabine telefônica. Não foi por minha culpa, mas caímos porque não joguei. Vira a dependência. Isso só fortalece seu ego inflamado e o torna cada vez mais mimado e bajulado, Ah, como o Neymar faz falta, como seria se ele estivesse aqui…. Se pensarmos por esse lado, a contusão veio em péssima hora para seu amadurecimento. Araujo, e a seleção brasileira? É claro que um Brasil sem seu principal jogador perde, mas também pode ganhar, como já venceu algumas partidas sem o camisa 10. Hoje, com o comando de Tite, há uma dependência menor, o espírito de conjunto prevalece e outros jogadores surgiram das sombras, caso do meia Paulinho.

O Brasil de hoje joga muito mais como equipe e cada vez menos para um determinado jogador. O PSG perde muito mais que a seleção. Se a cirurgia for confirmada, Tite terá a chance de armar o time sem Neymar, algo que pode acontecer na Copa do Mundo, principalmente se o jogador não conseguir controlar seus instintos ou se machucar. Se pensarmos por esse ângulo, a lesão e a folga forçada, vão dar ao treinador brasileiro a oportunidade de testar novos esquemas. É evidente que todos nós queremos ver o astro do time voando na Rússia. O desespero seria maior se a contusão acontecesse as vésperas da competição. O pisão em falso pode derrubar o PSG, dar mais poder ao nosso astro, mas, em contrapartida, o time de Tite poderá ganhar mais alternativas de jogo para a seleção nos próximos amistosos. A fissura no mindinho poderá mostrar se poderemos sonhar com o hexa caso um novo infortúnio aconteça com nosso garoto de ouro. Será que vai dar pé?

Por Alexandre Araújo

Comemorar é preciso!

Soco no ar, cambalhota, mão espalmada para o alto, danças exóticas, dedo apontado pro céu. Os jogadores sempre foram craques na arte de comemorar os gols. Uns mais contidos, outros nem tanto. Tem jogador que se recusa a comemorar com contra o ex-clube- o que sinceramente acho um absurdo. Alguns são criativos, inventam coreografias, danças da moda, mandam recados pela televisão, imitam personagens. Outros gostam de entrar em polêmicas. Reboladinha para a torcida, imitar a mascote do rival, pedido de silêncio. Acho que tudo isso faz parte do jogo.

 

A gozação está na alma dos torcedores e os jogadores também levam isso para campo. É saudável e politicamente incorreto, o que também é bacana. Mas, os chatos de plantão estão ao lado dos “certinhos”, dos chatos de galocha. Comemorar gol agora é crime? O futebol é divertimento e a provocação também faz parte do nosso jogo. Se não houvesse rivalidade, o esporte se tornaria tão entediante quanto um jogo de bridge. Dá um tempo! Que a gente possa a voltar a ver mais Edmundos, Romários, Renatos e Violas e menos mimimi. A choradeira é geral, a alegria sumiu dos gramados.

Época boa quando os jogadores se atiravam nos braços da galera, arrancavam a camisa em êxtase, davam chutes na bandeirinha de escanteio para descontar derrotas passadas. Hoje, é punido quem extravasa. Jogadores um dia celebrarão o gol como um orgasmo de uma mulher recatada, em silêncio. É evidente que há limites na hora de vibrar. Vale pisar no símbolo do rival, vale mostrar as partes intimas para a torcida adversária, xingar os adversários? Existe uma linha entre a gozação e a falta de respeito. E a tolerância está cada vez menor e essa linha cada vez mais tênue. No clássico Ba-Vi, um dos mais folclóricos do futebol brasileiro, jogadores saíram no tapa após a comemoração do jogador Vinícius, do Bahia. Foi ofensivo? Tenho minhas dúvidas. Os ânimos já estavam quentes durante a semana, as redes sociais inflamam as torcidas e basta apenas uma faísca para a violência no estádio transformar campo e arquibancada num palco de guerra. Se a comemoração do jogador é de mal gosto, isso vai de acordo com a opinião de cada um. Vinícius disse que gosta de comemorar o gol daquela forma. A torcida do Vitória não gostou e os jogadores também não. Foi a tal faísca para acender o caldeirão baiano. Se essa mesma comemoração fosse feita em outro jogo, talvez não tivesse gerado aquela algazarra no Barradão. Não condeno a comemoração, mas acho que ali faltou feeling.  Me perguntaram nas redes sociais: Araujo, se o jogo fosse com portão fechado, condenariam a comemoração do Vinícius? O problema não foi o estilo, mas onde e como foi feito.

Em Mato Grosso do Sul, um jogador do Operário espancou o gandula que atua na base do Comercial e estava ali pra aumentar a renda da família. Segundo o agressor, o rapaz fez gestos obscenos para a torcida rival quando comemorou o gol. O gandula estava errado porque ele estava ali para catar as bolas e não para ofender os torcedores adversários. Mais errado ainda está o atleta que perdeu a cabeça e espancou o catador de bolas. Claro que um erro não justifica a agressão desmedida. O fato é que o futebol está cada dia mais chato. Culpa de parte da imprensa-careta, dos jogadores-vaselinas, dos torcedores sem senso de humor e dos cartolas-hipócritas. Futebol é bola na rede, festa, diversão e gozação. Mas no livro de regras e conduta do esporte, às vezes também é preciso respeitar a ética e o bom-senso.

Por Alexandre Araújo