Mascotes S.A

Fábrica de amuletos

 Mascote é o nome dado a um animal, pessoa ou objeto animado que é escolhido como representante visual ou identificador de uma marca, de uma empresa ou de um evento. São, normalmente, humanizadas e utilizadas para atingir públicos específicos. A Copa do Mundo também sempre teve as suas mascotes. Estranhou o uso do artigo feminino? Segundo alguns dos principais dicionários, mascote é substantivo feminino. No entanto, há uma tendência, em razão do uso para se aceitar o masculino. Alguns deles caíram no gosto popular e outros no ostracismo. A primeira mascote usada num Mundial foi em 1966, na Inglaterra. Willie, o leão, símbolo da coroa britânica, foi o pioneiro. O rei da selva deu sorte ao English Team. Até uma música foi composta para ele, pelo artista escocês Lonnie Donegan. A adoção de uma mascote permitiu à FIFA um ganho extra de 2 milhões de dólares em publicidade e propaganda, no torneio disputado na Inglaterra.  Em 70, ano do tricampeonato do Brasil, os mexicanos apresentaram a primeira figura humanizada a ser uma mascote. O garotinho Juanito Maravilla vestia roupas com as cores do uniforme da seleção mexicana e usava um sombrero, chapéu típico do país. Juanito não deu tanta sorte aos donos da casa, mas, provavelmente, ficou maravilhado com o futebol de Pelé e companhia.

Quatro anos mais tarde, na Alemanha, foi a vez dos meninos Tip e Tap. A dupla não fez muito sucesso, mas, em tese, representou o sonho de unir as duas Alemanhas, ainda divididas pelo muro. Em 1978, na Argentina, mais uma figura humanizada. O garotinho Gauchito usava a camisa argentina, um chapéu característico, além do tradicional lenço amarrado ao pescoço. O Gauchito logo ganhou um apelido pejorativo: “Playmobil dos Pampas”. A mascote da Copa da Espanha, em 1982, é a mais lembrada pelos saudosistas da bola. Pela primeira vez uma comida – a laranja – foi escolhida para representar o evento. A fruta típica do país usava o uniforme da Roja e tinha um sorriso simpático. Naranjito fez tanto sucesso que até ganhou um programa de TV. Infelizmente, em 1982, a Copa azedou para o Brasil e o caldo derramou na fatídica derrota em Sarriá. O México voltou a receber mais uma Copa, em 86. Dessa vez os mexicanos trocaram o menino de 70 por uma pimenta chili jalapeño, que usava novamente um sombrero. Pique vibrou com o show de Maradona, mas queimou a língua com a seleção brasileira, eliminada pela França.

Na Copa de 1990, a mascote escolhida fugiu dos padrões utilizados. Nada de garotinhos, bichos ou comidas. Ciao, uma das mascotes mais feias de todos os tempos, era uma figura que lembrava um boneco feito de Lego, cuja cabeça era uma bola de futebol. Quem deu Ciao cedo foram os brasileiros, despachados pelos Hermanos argentinos nas oitavas. No ano do tetra, nos Estados Unidos, os americanos que são os reis da publicidade, deram uma tremenda bola fora, O cachorro não vingou e os souvenires da Copa acabaram encalhando. Na Copa da França, em 1998, o galo, mascote da seleção francesa, foi escolhido para ser o bicho-propaganda da Copa. Footix, nome que mistura futebol com o personagem “Asterix”. A França deu um bico para o azar e levantou seu primeiro e único mundial. Na Copa da Coréia do Sul e do Japão, os países usaram três mascotes bizarros: Kaz, Ato e Nik.

As criaturas brigam forte pelo prêmio da mascote mais bisonha dos mundiais. Em 2006, na Alemanha, o leão voltou a ser a mascote da Copa. Goleo, junção de de “gol” com “leo”, latim para leão, não empolgou. O animal lembrava muito aquelas fantasias toscas de personagens dos trenzinhos de cidades do interior. Na primeira Copa disputa no continente africano, em 2010, o leopardo Zakumi foi a mascote escolhida.  O lucro obtido com merchandising chegou a espantosa marca de 3 bilhões de dólares. E quem não se lembra do Fuleco, o tatu-bola, símbolo do Mundial do Brasil? Segundo a FIFA, Fuleco é uma junção das palavras futebol e ecologia. A mascote escolhida para a Copa da Rússia foi um lobo siberiano, batizado Zabivaka, através de uma votação feita Internet. Vou comprar o meu!

 

Alexandre Araujo

Os Ismailys da seleção

Sorria, você está na Rússia! Ele provavelmente não disputará a Copa do Mundo, mas ganhou as manchetes dos cadernos esportivos ao ser convocado para os amistosos do Brasil contra a Rússia e Alemanha. Ismaily, lateral-esquerdo do Shakhtar da Ucrânia, foi chamado às pressas após o corte de Aleksandro, que já havia sido convocado por conta da lesão de Felipe Luís.

Desconhecido fora do Brasil, Ismaily entra para a lista de jogadores “inusitados” que vestiram a amarelinha. Alguns foram chamados porque estavam brilhando longe dos principais holofotes, outros eram cismas de alguns treinadores e tantos outros, provavelmente, tiveram a ajuda de empresários. Não sei se é o caso de Ismaily.

Parece que foi providencial e mais lógico sua presença nesses jogos. Como ele joga na Ucrânia e o Brasil está na Rússia, que fica logo ao lado, bastou ele atravessar a rua para ficar no banco do Marcelo, titular absoluto. A carência de jogadores reservas nesse setor específico também contribuiu.

Nas Copas do Mundo algumas convocações sempre chamaram atenção e foram contestadas, como as de Tita e Bismarck, no Mundial da Itália, em 90. Oito anos depois, na França, Zagallo resolveu apostar no desconhecido Zé Carlos, o Zé do Galo. Como Cafu estava suspenso e não poderia enfrentar a Holanda, o tremulo lateral encarou os holandeses na semifinal.

Podemos lembrar de outros jogadores que caíram de paraquedas nos Mundiais, como o volante Doriva, em 98, e Grafite, em 2010. Se deixarmos as Copas de lado, lembraremos de Sonny Anderson, Affonso Alves e do volante Leomar, chamado para a disputa da Copa das Confederações de 2001 pelo técnico Emerson Leão.

Mas a grande lembrança que eu tenho foi num jogo festivo, em 1990, no estádio San Siro, em Milão, na comemoração de 50 anos do Pelé. Acho que foi a única vez que tive a chance de ver o rei em campo. Já tinha visto outros craques das “antigas” na época da seleção master do Luciano do Valle.

No entanto, o maior de todos os tempos foi um coadjuvante em sua própria festa. Quem roubou a cena foi o atacante Rinaldo, jogador do Fluminense, debutando com a camisa do Brasil. Nosso trio ofensivo era formado por Pelé, Rinaldo e Charles Baiano, campeão brasileiro pelo Bahia, em 1988. Mesmo em jogo festivo todo mundo quer marcar, imagina o Pelé!

Mas em campo havia o Rinaldo que fazia sua estreia com a amarelinha. Era o momento de brilhar e aparecer para o mundo, arrumar um contrato bacana e ignorar o rei. Foi o que ele fez. Numa arrancada pela esquerda contra apenas um zagueiro do time das estrelas do futebol mundial, Pelé estava ao lado desmarcado, pronto para meter a bola na rede.

O que ele fez, amigo leitor? Rinaldo arriscou um chute, bola no mato e azeitona na empada na festa do Pelé. Rinaldo não marcou, tomou uma vaia colossal e nunca mais entrou em campo com o Brasil. O jogo terminou 2 a 1 para os times do resto do mundo, mas quem entrou para a história foi o Rinaldo.

Por Alexandre Araújo

Os dois lados da moeda

“Esse menino aí é uma promessa, joga muito”. Já criamos a perigosa expectativa. Torcedores e jornalistas tendem a bajular e, às vezes, quebram a cara.  Se essa joia é comprada por um valor astronômico, as cobranças tendem as crescer ainda mais. E se esse tal futuro do futebol não explode ou da menos frutos do que o esperado, gera a frustração. Vinícius Jr, com apenas 17 anos, é a maior revelação da Gávea nos últimos anos.

O mengão até ressuscitou o lema “Craque o Flamengo faz em casa”.  Depois de algumas atuações apagadas, a própria torcida  rubro-negra perdeu a paciência com o jogador. Os rivais passaram a gozar o Real que pagou uma bolada por um menino. Até o pobre Negueba, ex-jogador do Flamengo, entrou na história. Negueba tinha alegria nas pernas, mas não explodiu para o mundo do futebol. Não virou um craque, mas faz uma carreira honesta no meio.

A moeda tem dois lados. Da noite para o dia, Vinícius Jr virou o “Neguebinha Jr”. De craque, com alto valor no mercado, virou uma promessa que não vingou. Mas ainda é muito cedo para dizer se o jogador vai seguir os passos de Negueba ou vai se tornar um novo Neymar em alguns anos. O torcedor muda de opinião da noite para o dia.

É preciso dar tempo a bola e esperar se vai haver regularidade e evolução. As oscilações são constantes num jogador com tão pouco tempo de vida nos gramados. Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar. Em nosso imediatismo criamos ídolos na velocidade da luz. Mas, também criamos monstros numa mínima derrapada. Vinícius Jr acabou com o Emelec, fez gols de placa e novamente já foi alçado ao patamar de gênio. Até os jornais espanhóis compararam o jogador a Ronaldo, o fenômeno. Não é um mal apenas do brasileiro. Vinícius Jr precisa crescer, rodar, ganhar mais experiência.

O garoto tem talento, tem bola, mas calma lá com qualquer tipo de julgamento! Para virar um Neymar ou um Ronaldo pode ser apenas uma questão de tempo. E para se tornar um Negueba, promessa de jogador que não vingou como esperado, também é injusta fazer essa analogia tão precoce. Deixa o moleque jogar!

Por Alexandre Araújo